Ibovespa desaba com Petrobras (PETR4), bancos e cautela global antes do payroll nos EUA
O Ibovespa devolveu parte da recuperação recente e despencou 2,38% nesta quinta-feira (7), aos 183.218,26 pontos, em um pregão marcado por cautela global, pressão sobre Petrobras (PETR4), bancos e expectativa pelo payroll dos Estados Unidos.
A queda interrompeu duas sessões consecutivas de alta e eliminou mais de 4,4 mil pontos do principal índice da B3. O mercado entrou em compasso de espera diante da falta de novidades nas negociações entre Estados Unidos e Irã, além da expectativa pelos dados de emprego americanos, que podem influenciar os próximos passos do Federal Reserve.
No cenário doméstico, o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump também ficou no radar, mas sem provocar reação relevante nos ativos.
Petrobras (PETR4), Bradesco (BBDC4) e Vale (VALE3) pesam no Ibovespa
O dia foi de forte correção entre os principais pesos do índice.
Petrobras (PETR4) caiu 2,22%, ampliando as perdas da véspera em meio à volatilidade do petróleo e às incertezas envolvendo o Oriente Médio. Vale (VALE3) também fechou no vermelho, com baixa de 1,43%.
Já entre os bancos, o destaque negativo ficou para Bradesco (BBDC4), que recuou 3,89% após a divulgação do balanço do primeiro trimestre. O mercado questionou a qualidade da recuperação apresentada pelo banco, contaminando o restante do setor financeiro.
Confira o desempenho dos principais bancos:
- Bradesco (BBDC4): -3,89%
- Santander (SANB11): -3,10%
- Itaú Unibanco (ITUB4): -2,37%
- Banco do Brasil (BBAS3): -1,72%
Entre as maiores quedas do pregão também apareceram:
Na ponta positiva, SmartFit (SMFT3) disparou 11,66% após balanço considerado forte pelo mercado, enquanto Totvs (TOTS3) avançou 9,46%.
Cotação do dólar hoje
O dólar comercial fechou praticamente estável nesta quinta-feira, em leve alta de 0,05%, cotado a R$ 4,923.
A moeda americana oscilou durante toda a sessão, refletindo um ambiente de baixa convicção no mercado global.
Nos Estados Unidos, as bolsas encerraram o dia no vermelho:
O mercado americano permaneceu pressionado pela cautela em torno das negociações entre EUA e Irã e pela expectativa em relação ao payroll, principal relatório de emprego dos EUA, divulgado nesta sexta-feira.
Mercado entra em modo espera antes do payroll
Para Bruno Perri, economista-chefe e estrategista da Forum Investimentos, a bolsa brasileira caiu de forma mais intensa do que o exterior por fatores domésticos e corporativos.
Segundo o analista, a forte queda do petróleo pressionou Petrobras e Prio, enquanto a reação negativa ao balanço do Bradesco acabou contaminando o setor financeiro como um todo.
Perri destacou ainda que os investidores americanos seguem atentos ao Oriente Médio e aos dados do payroll, que podem mexer diretamente com as expectativas para os juros nos Estados Unidos.
Já no câmbio, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirmou que o dólar permaneceu praticamente de lado, em um ambiente de cautela e baixa convicção. Segundo ele, a expectativa de um acordo entre EUA e Irã ajudou a aliviar parte das tensões recentes, embora o impasse geopolítico continue sem solução definitiva.
No fim do dia, o Ibovespa terminou pressionado pela combinação entre petróleo volátil, balanços corporativos mistos e um mercado global ainda sem direção clara.