Ibovespa sobe pela 2ª vez seguida, ignora tombo do petróleo e volta aos 187 mil

O Ibovespa conseguiu emendar nesta quarta-feira, 6 de maio, a segunda alta consecutiva — algo que não acontecia desde o rali histórico de abril. O índice avançou 0,50%, aos 187.690,86 pontos, sustentado principalmente pela recuperação de ações ligadas ao ciclo doméstico, mineradoras e melhora do humor externo.

A bolsa brasileira oscilou entre 186.762,11 e 188.674,36 pontos ao longo do pregão, com giro financeiro de R$ 29,2 bilhões. Na semana e no mês, o índice voltou ao terreno positivo, enquanto o ganho acumulado em 2026 chegou a 16,49%.

Ibovespa reage com exterior forte e queda do petróleo

O principal motor do mercado nesta sessão foi a forte melhora do apetite global por risco, após novos sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

A perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz derrubou os preços do petróleo e impulsionou bolsas globais, especialmente ações mais sensíveis aos juros. Em Nova York, o movimento foi forte:

  • Dow Jones: +1,12% (38.870 pontos)
  • S&P 500: +1,46% (5.197 pontos)
  • Nasdaq: +2,02% (16.229 pontos)

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Tanto o S&P 500 quanto o Nasdaq renovaram máximas históricas no fechamento.

No Brasil, a queda dos juros futuros também ajudou empresas ligadas ao ciclo doméstico, especialmente varejo e construção.

Maiores altas e baixas do Ibovespa

A recuperação do índice veio apesar das perdas relevantes no setor de petróleo.

Maiores altas:

  • C&A: +7,06%
  • Cury: +6,89%
  • CSN: +6,86%

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Maiores baixas:

  • TIM: -7,88%
  • Prio: -4,26%
  • Petrobras ON: -3,77%
  • Petrobras PN: -2,86%

Vale, principal ação do índice, subiu 3,62% e ajudou a neutralizar parte das perdas recentes da bolsa.

Cotação do dólar hoje

O dólar fechou com leve alta frente ao real, mesmo em um ambiente de maior busca por risco global.

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A moeda americana encerrou o dia na faixa de R$ 4,92, enquanto o petróleo despencou com o mercado apostando em uma descompressão da crise no Oriente Médio:

  • Brent: -7%
  • WTI: -7%

O movimento ocorreu após declarações do presidente Donald Trump indicando “discussões positivas” com o Irã e após Teerã afirmar que o Estreito de Ormuz está aberto para uma travessia “segura e estável”.

Mercado começa a apostar em rotação de setores

Segundo Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o mercado começa a antecipar uma possível rotação de setores diante da perspectiva de acordo no Oriente Médio.

O analista destaca que a suspensão da chamada “Operação Liberdade” reforçou a percepção de que os EUA estão empenhados em encerrar o conflito, derrubando o petróleo e pressionando ativos ligados à commodity.

Ao mesmo tempo, ações que sofreram durante a crise passaram a liderar os ganhos, especialmente empresas mais dependentes de juros e atividade doméstica, diante da expectativa de que uma eventual descompressão geopolítica possa reabrir espaço para cortes na Selic.

Com isso, o Ibovespa conseguiu sustentar uma recuperação mais ampla nesta sessão, ainda que o mercado siga sensível a qualquer nova mudança no cenário envolvendo EUA, Irã e o Estreito de Ormuz.

Maíra Telles

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