Klabin (KLBN11) tem prejuízo líquido de R$ 497 mi no 1T, com peso de dólar e manutenção
A Klabin (KLBN11) começou 2026 entregando um daqueles trimestres que dividem o mercado: de um lado, crescimento forte de vendas e avanço operacional; do outro, pressão cambial, parada de manutenção e prejuízo bilionário no resultado final.
A companhia registrou receita líquida de R$ 4,9 bilhões no 1T26, alta de 2% na comparação anual, sustentada principalmente pelo crescimento de volume em todos os negócios. O volume total vendido avançou 12% no período, com incremento de 110 mil toneladas nas operações.
Apesar disso, a Klabin encerrou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 497 milhões, revertendo o lucro de R$ 446 milhões registrado um ano antes.
O resultado refletiu principalmente os efeitos da valorização do real frente ao dólar, que pressionou as receitas de exportação e ampliou impactos financeiros sobre a companhia.
Celulose, papéis e embalagens puxam crescimento da Klabin
Mesmo em um ambiente mais desafiador, a Klabin conseguiu mostrar expansão relevante em praticamente todas as linhas operacionais.
No segmento de celulose, o volume comercializado cresceu 16% na comparação anual, para 401 mil toneladas, impulsionado pela estabilidade operacional e pelo avanço das máquinas MP27 e MP28.
A companhia também destacou a comercialização de 111 mil toneladas de celulose fluff e fibra longa, estratégia que vem aumentando a resiliência das receitas e ajudando na expansão de margens ao longo do ciclo.
Já no negócio de papéis, o crescimento foi ainda mais expressivo. O volume vendido avançou 15% em relação ao 1T25, enquanto o containerboard destinado ao mercado externo disparou 41%, refletindo a estratégia de abertura de novos mercados e priorização de rentabilidade das máquinas.
No segmento de embalagens, a receita líquida subiu 9% na comparação anual, sustentada por crescimento acima do mercado brasileiro, principalmente em segmentos considerados resilientes, como alimentos, higiene e frutas.
“Diante desse cenário, a Companhia segue se beneficiando de sua estrutura de portfólio única, que confere flexibilidade operacional e contribui para mitigar a volatilidade de seus resultados”, afirmou a Klabin em mensagem do trimestre.
Dólar forte pesa no lucro e parada derruba Ebitda
O principal freio do trimestre veio do câmbio e dos efeitos operacionais da parada programada de manutenção na unidade de Monte Alegre.
A manutenção durou 14 dias e teve custo direto de R$ 124 milhões, impactando especialmente a produção de papel-cartão e kraftliner.
Com isso, o Ebitda ajustado somou R$ 1,67 bilhão, queda de 10% na comparação anual, enquanto a margem Ebitda recuou para 34%.
Além disso, o resultado financeiro foi pressionado pela volatilidade cambial, levando a despesas financeiras de R$ 578 milhões no trimestre.
Ainda assim, a companhia conseguiu avançar no processo de desalavancagem. A dívida líquida em relação ao Ebitda encerrou o trimestre em 3,1 vezes em reais e 3,3 vezes em dólar, em linha com o trimestre anterior.
A Fitch também reafirmou o rating “BB+” da companhia e revisou a perspectiva para positiva, citando expectativa de desalavancagem sustentada por forte geração de caixa.
“A decisão da agência reforça o compromisso da Companhia com a desalavancagem e com a disciplina financeira”, destacou a Klabin sobre o desempenho da Klabin (KLBN11).