Embraer (EMBR3) entra em 2026 como aposta global em dólar, defesa e aviação

Depois de dois anos consecutivos de forte valorização, a Embraer (EMBR3) começa 2026 sob uma pergunta central para o investidor: o rali já foi longe demais ou ainda há combustível para sustentar o voo? Para o BTG Pactual, a resposta passa menos pelo passado recente e mais pela combinação rara que a companhia construiu hoje: exposição em dólar, demanda estrutural por aeronaves e um braço de defesa cada vez mais relevante em um mundo geopoliticamente tensionado.

Segundo o banco, 2025 foi mais um ano “estelar” para a Embraer, mesmo diante de desafios como a valorização do real e tarifas de importação nos Estados Unidos. O desempenho veio ancorado em vendas recordes na aviação comercial, contratos importantes na área de defesa, um Paris Air Show bastante movimentado e marcos relevantes como a primeira venda do E2 para uma companhia aérea norte-americana.

No resultado operacional, as entregas também surpreenderam positivamente, reforçando a leitura de execução consistente em um setor ainda marcado por gargalos de oferta.

O que sustenta a tese da Embraer em 2026

Para 2026, o desafio da Embraer é manter o ritmo, e o BTG vê fundamentos para isso. Na aviação comercial, a fabricante brasileira segue se beneficiando das restrições globais de oferta no segmento de narrowbodies, o que melhora o ambiente competitivo e de preços. Já na defesa, o cenário geopolítico segue favorecendo orçamentos militares mais elevados, especialmente em regiões onde a Embraer tem presença relevante, como América Latina e Europa.

Na aviação executiva, o foco está no aumento da capacidade produtiva, diante de um backlog robusto. Além disso, o mercado acompanha de perto o desenvolvimento da Eve, subsidiária de eVTOL, vista como uma opção estratégica de crescimento de longo prazo.

O BTG resume sua preferência de forma direta: “A Embraer é nossa principal escolha para exposição em dólar, dada a dinâmica favorável de oferta e demanda da indústria de aviação, que beneficia os fabricantes de aeronaves”.

Avaliação, riscos e o que o investidor precisa monitorar

Em valuation, a ação negocia a cerca de 12 vezes EV/Ebitda projetado para 2026, ainda com um desconto próximo de 30% frente a pares globais, segundo o banco. Mais recentemente, investidores também passaram a olhar a métrica de EV/Backlog, hoje em torno de 0,4 vez, o que sustenta a visão de reprecificação.

Entre os principais gatilhos para o papel estão novos pedidos, a confirmação da recuperação gradual das entregas após os problemas de cadeia de suprimentos e avanços na certificação do eVTOL. Do lado dos riscos, o relatório destaca possíveis atrasos produtivos, maior competição do A220 da Airbus, desafios na expansão da aviação executiva e incertezas geopolíticas, especialmente relacionadas a tarifas nos EUA.

Ainda assim, o BTG pondera que a alavancagem deixou de ser um problema estrutural, com a dívida líquida em torno de 0,5 vez Ebitda no último trimestre, o que dá conforto financeiro à tese.

Uma ação que ainda divide opiniões

Curiosamente, a Embraer não é consenso absoluto. Enquanto muitos investidores estrangeiros seguem otimistas, especialmente pelo viés de defesa, parte dos investidores locais demonstra cautela diante dos múltiplos mais elevados. Para o BTG, essa divergência ajuda a explicar por que ainda há espaço para reprecificação.

“O desempenho recente é forte, mas há fundamentos que justificam valuations acima da média histórica, dada a melhora estrutural em retornos, crescimento e custo de capital”, afirma o banco no relatório.

No fim, a Embraer chega a 2026 menos como uma história tática e mais como um case estrutural de aviação global, defesa e dólar, com execução testada e uma carteira de pedidos que segue ditando o ritmo do voo.

“Vemos a Embraer como um nome de destaque para exposição em dólar no Brasil, combinando produtos de alto valor agregado e uma crescente relevância no setor de defesa global”, resume o BTG Pactual.

Maíra Telles

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