60 milhões de cartões de crédito cancelados? CEO do Itaú (ITUB4) projeta impacto do ‘teto do rotativo’

A instituição de um limite para os juros do rotativo do cartão de crédito pode afetar intensamente o setor de bancos e instituições financeiras e, com isso, ocasionar o cancelamento de 60 milhões de cartões. A projeção foi destacada pelo CEO do Itaú (ITUB4), Milton Maluhy Filho, durante a teleconferência de resultados do banco.

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Atualmente o governo articula, junto aos bancos e as autoridade regulatórias, a instituição de um ‘teto’ nos juros do cartão de crédito rotativo. A possibilidade de mudança nessa normativa tem mobilizado conversas entre Haddad, o Banco Central e os CEOs dos principais bancos nos últimos meses.

Maluhy, do Itaú, foi questionado sobre o tema por um analista de sell-side do Morgan Stanley durante a teleconferência de resultados trimestrais do banco. O executivo ironizou que gostaria de ‘levar o analista para as reuniões pois ele ‘compreende o problema’ que seria o teto no crédito rotativo.

“Se temos 8% de juros, temos que cortar. O país como um todo [tem que cortar]. Com isso, serão 60 milhões de cartões de crédito que precisam ser abandonados, e você pode ter um impacto de R$ 350 bilhões na economia, porque você vai tirar essas pessoas do mercado consumidor“, disse o CEO do Itaú.

“Você vai ter um grande impacto na população que foi incluída no sistema financeiro, que serão excluídos. Onde eles vão se financiar? Como vão comprar? Como farão parte do sistema? Esse é o impacto real“, acrescentou o executivo.

Maluhy ainda seguiu sua resposta ao analista destacando que atualmente a condução do tema tem sido muito ‘perigosa’ e tratada com pouco viés técnico.

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Em que pé está a proposta de teto no rotativo do cartão de crédito?

A proposta de teto para o rotativo foi aprovada pela Câmara dos Deputados ainda em meados de setembro.

O texto da proposta diz: “Os emissores de cartão de crédito e de outros instrumentos de pagamento pós-pagos utilizados em arranjos abertos ou fechados, como medida de autorregulação, devem submeter à aprovação do Conselho Monetário Nacional, por intermédio do Banco Central do Brasil, de forma fundamentada e com periodicidade anual, limites para as taxas de juros e encargos financeiros cobrados no crédito rotativo e no parcelamento de saldo devedor das faturas de cartões de crédito e de outros instrumentos de pagamento pós-pagos”.

O projeto de lei (PL) prevê uma sugestão de autorregulação por parte dos executivos de bancos – com que o governo e o Banco Central (BC) tem se reunido recentemente.

Se não houver um consenso dentro dos 90 dias – prazo estipulado pelo texto – haverá adoção automática do teto.

Segundo Maluhy, do Itaú, se o desfecho da história for esse o problema ainda não será sanado.

“Vai diminuir um pouco as taxas, mas não vai resolver nenhuma das questões que temos hoje”, comentou sobre a proposta que altera o rotativo dos cartões de crédito.

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Eduardo Vargas

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