WEG (WEGE3): o que esperar dos resultados do 4T25? JPMorgan alerta
O JPMorgan colocou a WEG (WEGE3) na lista de atenção para catalisadores negativos antes da divulgação do balanço de resultados do quarto trimestre de 2025 da companhia, marcada para 25 de fevereiro, antes da abertura do mercado. Apesar de manter recomendação overweight (equivalente à compra), o banco vê maior risco de frustração no curto prazo.
A avaliação dada pelos analistas parte de um ponto central: o mercado já espera um trimestre mais fraco, mas a confirmação desse cenário pode provocar novas revisões para baixo nas estimativas de 2026. Em outras palavras, o problema não é apenas o balanço de resultados da WEG no 4T25 em si, mas o que ele sinaliza para os próximos anos.
Hoje, as ações negociam a cerca de 32 vezes o lucro projetado para 2026 e 21,6 vezes o EV/Ebitda estimado para o mesmo período, patamares considerados elevados em um momento de desaceleração sequencial.
Por que os resultados da WEG no 4T25 devem ser negativos?
O JPMorgan projeta um quarto trimestre praticamente sem crescimento de receita, com alta estimada de apenas 2% na comparação anual, além de margens pressionadas.
Segundo os analistas, embora parte dos investidores já esteja ciente da fraqueza do período, a divulgação oficial de um trimestre fraco pode desencadear cortes adicionais nas projeções futuras, especialmente para 2026.
Outro ponto de atenção é o câmbio. O nível atual do real representa risco para as estimativas da companhia, ainda que as análises de sensibilidade indiquem impacto limitado sobre o consenso do 4T25. O receio maior é que o efeito se reflita nas expectativas para frente.
O banco também chama atenção para o valuation. A WEG negocia cerca de 15% acima da média dos últimos três anos em termos de P/L, mesmo em um momento de resultados mais fracos. Para os analistas, isso indica que o mercado já considera uma recuperação mais consistente, que deve ocorrer principalmente a partir de 2027, quando a nova capacidade produtiva de transformadores deve contribuir de forma mais relevante para a receita.
Além disso, o desempenho recente das ações reforça o risco de correção. Desde os resultados do 3T25, os papéis acumulam alta de 35%, movimento que, segundo o banco, foi impulsionado em parte por fluxo para mercados emergentes, e não necessariamente por melhora dos fundamentos.
Vale a pena investir em WEGE3?
Apesar da cautela no curto prazo, o JPMorgan mantém recomendação overweight para as ações WEGE3, que indica que os papéis devem ter um desempenho superior ao benchmark de referência.
Para a instituição financeira, a tese estrutural permanece intacta. A WEG é vista como uma empresa de alta qualidade, bem posicionada para capturar tendências de eletrificação, incluindo a expansão do mercado de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Brasil. O primeiro leilão federal do segmento está previsto para abril, com previsão de uma usina de 2 GWh que deve entrar em operação em 2027.
Ainda assim, os analistas ponderam que a WEG (WEGE3) não é uma aposta direta em uma eventual recuperação econômica doméstica, já que cerca de 60% da receita bruta vem do exterior.