Vale (VALE3) está “inegavelmente barata em qualquer métrica”, diz BTG

Vale (VALE3) está “inegavelmente barata em qualquer métrica”, diz BTG
Vale

O Banco BTG Pactual (BPAC11) elevou o preço-alvo para os ADR da Vale (VALE3) de US$ 14 para US$ 17 e reiterou a recomendação de compra. Em relatório, banco afirmou que a mineradora está “inegavelmente barata em qualquer métrica”.

A ação opera a um múltiplo de 3,4 vezes Ebitda 2021, uma “lacuna relevante” frente a suas concorrentes. “Reiteramos a compra da Vale pois ainda vemos potencial de alta, mesmo punindo a ação em diferentes cenários”, afirmaram os analistas Leonardo Correa e Caio Greiner.

Na visão do BTG, a redução do risco do papel será um processo gradual baseado em três pilares: retorno de caixa, uma forte retomada em volumes e queda de custos e melhoria na percepção ESG (ambiente, social e governança) no longo prazo. A melhoria na imagem deve acontecer em função dos “contínuos esforços” da empresa no ESG e na evolução da reparação de Brumadinho.

De acordo com os anslistas, a história de transformação da Vale foi notável, marcando o “renacimento de um gigante de mineração”. “Por um lado, a tragédia de Brumadinho forçou a diretoria a mudar a direção da companhia. Segurança e uma agenda mais ampla de ESG se tornaram objetivos de longo prazo, enquanto a Vale tenta recuperar sua credibilidade perante a sociedade.”

O BTG tinha receios sobre como a “agenda dos acionistas” seria tratada dentro deste novo contexto. No entanto, os analistas disseram acreditar que a Vale continuará a ser “amigável para o acionista” daqui para frente. “Uma alocação de capital disciplinada e um retorno de caixa forte deve continuar, mesmo enquanto a empresa lida com seus problemas recentes.”


Confira os pontos fortes e fracos da Vale apontados pelo banco:

Fatores positivos

  • Valuation: Segundo o BTG, a Vale é uma das grandes empresas mais baratas atualmente.
  • Retorno de caixa: A empresa deve entregar retornos de caixa de quase 13% em 2021.
  • Crescimento: A mineradora é uma das poucas participantes do mercado de minério de ferro com crescimento de médio prazo nos volumes, com potencial de aumento de 30% entre 2020 e 2023.
  • Melhora do rating deve ser causada pelo foco maior em ESG.
  • Lacuna de preço frente às concorrentes australianas é de quase 40%. Para BTG, 20% a 25% seria mais sustentável.
  • Hedge de dólar, considerando que o cenário fiscal brasileiro pode se deteriorar.

Fatores negativos da Vale

  • Compensação total pelas tragédias de Brumadinho e da Samarco permanecem pouco claras e podem ter alterações.
  • Percpeção de risco regulatório no Brasil.
  • Potencial venda de participação dos acionistas da empresa. O BTG avalia que quase 10% do capital pode ir a mercado nos próximos 12 a 18 meses.
  • A empresa ainda sofre desconto pelo evento de Brumadinho e percepção de risco à segurança.
  • A Vale tem investimentos não tão interessantes, como a VNC e carvão, que deverão ser endereçados em algum momento.

Mesmo com os prós e contras, para o BTG, a Vale continua a melhor opção no setor de mineração. Por volta de 10h55, a ação era cotada a R$ 70,77, queda de 0,73%, enquanto o Ibovespa subia 0,61%.

Natalia Gómez

Compartilhe sua opinião