Vale (VALE3): BTG prevê dividendo extraordinário no 4T21 e reitera compra

Vale (VALE3): BTG prevê dividendo extraordinário no 4T21 e reitera compra
Prédio da Vale. Foto: Divulgação

O BTG Pactual (BPAC11) revisou sua projeção para a Vale (VALE3) em 2022, devido a correção acentuada dos preços do minério de ferro. O banco reduziu o preço-alvo para R$ 115 ao final de 2022, mas permaneceu com a recomendação de compra por acreditar que a mineradora pode anunciar dividendos extraordinários adicionais no quarto trimestre deste ano.

“Esperamos que a empresa pague pelo menos US$ 10 bilhões em dividendos (dividend yield de 13%). Acreditamos que a Vale poderia anunciar dividendos extraordinários adicionais no 4T (além do lucro do 3T21), depois de pagar o máximo que poderia em setembro”, informa o relatório

Segundo a instituição, o preço do minério de ferro deve permanecer entre US$ 77 – 79, a tonelada, em 2022. Diante disso, as expectativas do mercado já caíram bastante em relação ao setor de mineração e à própria Vale no próximo ano. “Concordamos que o fluxo de notícias deve permanecer negativo no curto prazo, no entanto, uma boa dose de pessimismo parece já estar precificada nesses níveis”, diz relatório.

Nesses níveis, os analistas do BTG afirmam ver a Vale sendo negociada a 3,5 vezes o valor de mercado pelo Ebitda em 2022, gerando rendimentos de fluxo de caixa (free cash flow yield) de 14%, “que consideramos atrativos”.

“Acreditamos que a história da Vale permanece sólida: a gestão continua altamente disciplinada na alocação de capital, o que ainda implica que a maior parte da agenda deve envolver o retorno de caixa dos acionistas”, diz documento.

Eles também indicam que a empresa continuará progredindo em termos de ESG, removendo o desconto excessivo atualmente atribuído ao preço de suas ações.

Mercado do minério de ferro em 2022

Parte das dificuldades de valoração da Vale estão atribuídas ao mercado de minério de ferro internacional. De acordo com o BTG, a extensão da correção nos preços da commodity pegou a maior parte do mercado desprevenido, e eles se incluem nesse combo.

“A China está a caminho de entregar um crescimento de produção de aço de praticamente 0% ano/ano em 2021, implicando em uma redução de produção de aproximadamente 60 milhões toneladas no 2S21 – um choque de demanda relevante”, dizem em relatório.

As políticas de redução de emissão de poluentes do país asiático para as Olimpíadas de inverno também podem impactar cerca de 25% da capacidade de aço do país. No entanto, os analistas do BTG afirmam que a Vale acredita que a correção dos preços do minério de ferro desencadeou ajustes do lado da oferta, com cortes adicionais possíveis.

“Com preços mais baixos e frete atualmente perto de US$ 45 a tonelada (Brasil-China), tornou-se antieconômico para vários fornecedores embarcar produtos de qualidade inferior, o que deve restringir a oferta no futuro.”

Ainda assim, o relatório diz que a Vale antecipa mercados equilibrados em 2022 e vê os preços atuais do minério de ferro como razoáveis.

Monique Lima

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