Smart fit (SMFT3) compra 10% da Sports World, rede de academias mexicana

Smart fit (SMFT3) compra 10% da Sports World, rede de academias mexicana
Último balanço da Smart Fit, do 2T21, teve prejuízo de R$ 161 milhões, redução de 36% - Foto: Divulgação

Após seis meses de estudo sobre a compra, a Smart Fit (SMFT3) adquiriu 10% da rede de academias mexicana Sports World.

A rede de academias pode aumentar a sua participação no futuro. Segundo Edgard Corona, presidente e fundador da Smart Fit, a empresa ajudará a atual gestão a melhorar os resultados e, depois, deve elevar a fatia na composição acionária.

O trabalho não vai ser tão simples. Como o próprio Corona já definiu, a Sports Word é uma “Bio Ritmo das antigas”.

Antes de criar o modelo da Smart Fit, que consiste na construção de academias com aparelhos robustos, mas sem tantos professores à disposição dos alunos, o empresário apostava no modelo da Bio Ritmo, voltado para as classes A e B e com uma série de aulas especiais e com unidades que contam até mesmo com piscinas.

Esse modelo, no entanto, não se mostrou viável para um projeto em escala maior. Após o início da Smart Fit, Corona começou a melhorar as margens da sua bandeira mais cara, algo que ele quer levar também para o México.

Enquanto nas academias da Sports World a margem gira entre 15% a 20%, a das academias da Smart Fit alcança entre 35% e 40%.

“Essa compra de participação nos permitirá interagir mais com os controladores e formatar melhor a operação. Estando dentro da empresa, é mais fácil ter conhecimento da operação e criar novos planos de voo”, afirma Corona.

Mil unidades da Smart Fit

Apesar dos percalços da pandemia, a Smart Fit acabou de alcançar a sua milésima unidade em toda a América Latina. Com o avanço da vacinação entre todo o continente, Corona espera retomar os números que fizeram a empresa chamar a atenção dos investidores.

No segundo trimestre, no entanto, a geração de caixa ainda foi negativa: o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) foi negativo em R$ 13,7 milhões entre abril e junho.

As inaugurações, segundo Corona, estão voltando ao patamar pré-pandemia. Para 2021, é provável que se alcancem, pelo menos, 170 unidades abertas, patamar que deve se repetir no próximo ano.

Como a empresa tem praticamente metade da operação fora do Brasil, o momento complicado do País, com alta dos juros, inflação e dólar, não preocupa tanto.

De acordo com Corona, por causa de alguns equipamentos importados, apenas 10% dos custos das aberturas das academias são em dólar, o que não impacta tanto no fim das contas.

Além disso, como a expansão também é feita por meio de franquias e a empresa está capitalizada após a estreia na Bolsa, o ritmo de aberturas segue o mesmo.

Digitalização

A companhia quer implementar a sua área digital e de serviços. O primeiro segmento é puxado pelo serviço de streaming Queima Diária, adquirido em julho de 2020, que fez com que a empresa alcançasse 435 mil clientes no segundo trimestre deste ano.

Contudo, trata-se de um número estável em relação ao trimestre anterior. Corona acredita que, mesmo com a vida voltando ao normal com um eventual fim da pandemia, muitos irão continuar na plataforma, que cobra a partir de R$ 29,90 para se ter acesso a diversos tipos de treinos.

Já o de serviços tem como principal produto o Smart Fit Nutri, que é o serviço de acompanhamento nutricional que alcançou 7% da base de clientes da empresa.

Mesmo assim, as ações da Smart Fit caíram nos últimos meses. Puxada para baixo com o momento ruim do mercado, a Smart Fit viu as suas ações caírem 16,4% nos últimos 30 dias, enquanto o Ibovespa perdeu perto de 5%.

Corona acredita que se trata de um momento passageiro e que a empresa e os acionistas voltarão a enxergar valor na empresa em breve. “Estamos em um momento turbulento, sempre olhamos o longo prazo e sabemos que vamos entregar uma valorização para o acionista”, diz o empresário.

Para Matheus Santos, especialista da Valor Investimentos, o fato de a empresa manter o ritmo de expansão inibe que rivais possam encontrar espaços para incomodar a líder.

“Acredito que o mercado penalizou a empresa por ela ainda ser nova no mercado, mas tem um bom viés de crescimento“, diz Santos.

Cotação de SMFT3

Com a notícia recente e acompanhando o índice, as ações da Smart Fit fecharam em 3,17% na bolsa de valores hoje, cotadas a R$ 20,81.

Com informações do Estadão Conteúdo

Eduardo Vargas

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