Corte da Selic pode beneficiar SNCI11, SNFF11 e SNME11; entenda
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano representou o terceiro corte consecutivo dos juros básicos e sinalizou um movimento em direção a um ambiente monetário menos restritivo no Brasil.
Embora o tamanho do ajuste já estivesse no radar dos investidores, os efeitos para os fundos imobiliários dependem mais do comunicado do Banco Central e do comportamento da curva de juros futuros do que do corte em si.
Historicamente, os fundos imobiliários mantêm relação inversa com os juros. Isso porque o investidor compara o prêmio de risco desses ativos listados com os rendimentos dos títulos públicos de longo prazo, em especial as NTN-Bs, ajustando a alocação conforme a atratividade relativa.
Nesse contexto, fundos da Suno Asset como o SNCI11 (fundo de recebíveis imobiliários), o SNFF11 (fundo de fundos) e o SNME11 (multiestratégia) tendem a reagir de maneiras distintas às mudanças no ciclo de política monetária.
No caso do fundo de recebíveis, a geração de renda tende a seguir robusta mesmo com quedas graduais dos juros. A carteira é majoritariamente formada por CRIs atrelados à inflação ou ao CDI, o que sustenta a distribuição enquanto a inflação permanece acima da meta do Banco Central. Ao mesmo tempo, uma acomodação dos juros de longo prazo pode favorecer a valorização patrimonial dos ativos de crédito.
O fundo de fundos da Suno Asset costuma se beneficiar de ciclos de redução de juros não apenas pelos dividendos, mas também pela potencial valorização das cotas dos FIIs investidos. Se o mercado passar a precificar juros estruturalmente menores nos próximos trimestres, veículos negociados com desconto em relação ao valor patrimonial podem se recuperar, ampliando o espaço para a estratégia ativa.
Já o multiestratégia se apoia na flexibilidade de alocação entre segmentos do mercado imobiliário. Em fases de transição do ciclo econômico, a gestão pode aumentar a exposição a setores mais sensíveis à queda dos juros, como lajes corporativas, shopping centers e fundos de tijolo descontados, preservando posições em ativos de renda para sustentar a estabilidade da distribuição.
Cenário reforça importância de ativos com fundamentos sólidos
Apesar do alívio trazido pelo corte da taxa, gestores e analistas monitoram de perto a inflação. O Banco Central assinalou que os índices inflacionários seguem acima da meta e que a atividade econômica permanece resiliente. Isso sugere um processo de flexibilização gradual, com potencial de manter a volatilidade nos preços de mercado.
Para quem investe em FIIs, o quadro reforça a necessidade de seleção criteriosa. Portfólios resilientes, gestão ativa e estrutura de capital saudável tendem a atravessar momentos de incerteza com maior consistência operacional e financeira.
Nesse ambiente, estratégias complementares como a de crédito imobiliário, a captura de valor no mercado secundário e o mandato flexível oferecem diferentes formas de exposição ao possível ciclo de recuperação do setor imobiliário listado, respeitando perfis e objetivos de cada alocação.
Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, avalia que o impacto é paulatino, mas cumulativo. “Em um cenário de juros elevados, o investidor compara o risco do mercado imobiliário com a renda fixa e acaba reduzindo exposição aos FIIs”, afirma.
Segundo ele, a virada ocorre quando essa relação se inverte. “Quando a Selic inicia um ciclo de queda, mesmo que gradual, a renda fixa perde atratividade e os fundos imobiliários voltam a ganhar espaço nas carteiras, combinando renda recorrente e potencial de valorização”, diz.
Santana projeta uma retomada de protagonismo do setor nos próximos anos. “Os FIIs sofreram bastante com o ciclo prolongado de juros altos. Com a perspectiva de flexibilização do Copom, o mercado começa a se reposicionar. Para o investidor de médio e longo prazo, o cenário atual pode representar uma janela interessante para entrar em fundos de qualidade, ainda negociados com desconto.”