Bolsonaro demite Castello Branco e indica general para presidência da Petrobras

Bolsonaro demite Castello Branco e indica general para presidência da Petrobras
Bolsonaro tira Castello Branco da presidência da Petrobras

Apenas um dia após Jair Bolsonaro criticar os novos reajustes de preço da Petrobras (PETR4) e afirmar que haveria “mudanças” na companhia, o mandatário demitiu Roberto Castello Branco e indicou o general Joaquim Silva e Luna para a presidência da estatal.

Bolsonaro divulgou há pouco uma nota em suas redes sociais na qual diz que o “governo decidiu indicar o senhor Joaquim Silva e Luna para cumprir uma nova missão, como conselheiro de administração e presidente da Petrobras, após o encerramento do Ciclo, superior a dois anos, do atual presidente, senhor Roberto Castello Branco.”

Publicado por Jair Messias Bolsonaro em Sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Bolsonaro já havia sinalizado tanto em live na última quinta-feira (18) quanto em discurso hoje que planejava interferir na companhia.

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Conselho da Petrobras se amarra à Castello Branco

O presidente da República não pode, contudo, demitir sumariamente Castello Branco. A decisão ainda tem de passar por deliberação do conselho de administração da Petrobras.

Mas segundo a coluna de Merval Pereira, O Globo, a diretoria da companhia pretende sair junto com Castello Branco se a substituição acontecer antes de 25 de março, quando termina seu mandato de dois anos. Não há a possibilidade de o conselho aceitar a nova nomeação antes, reportou a coluna. Além disso, na hipótese de Silva e Luna propor uma mudança de critério para reajuste do preço dos combustíveis, também é provável que o conselho se demita.

Castello Branco foi indicação direta de Paulo Guedes

Castello Branco assumiu a presidência da Petrobras no inicio de 2019, fazendo parte da primeira leva de indicações do governo Bolsonaro. Ele foi recomendado de forma direta pelo ministro da Economia Paulo Guedes, de quem é amigo desde a década de 80.

Guedes e Castello Branco fizeram parte, os dois, da fundação da rede de ensino Ibmec. Eles ainda possuem formação parecida. Ambos estudaram na Universidade de Chicago na década de 80, onde Castello Branco fez o seu pós-doutorado e Guedes o seu doutorado.

Antes de assumir a presidência, Castello Branco já havia trabalhado na Petrobras. Ele fez parte do conselho de administração e do comitê de auditoria da estatal durante 2015 e 2016, após ser indicado por Murilo Ferreira, presidente do conselho da petroleira. Saiu com críticas à gestão da Petrobras, em uma época de grande crise por conta da Lava Jato.

Considerava a tentativa de reestruturação tímida e insuficiente e defendia a privatização da companhia. “É inaceitável manter centenas de bilhões de dólares alocados a empresas estatais em atividades que podem ser desempenhadas pela iniciativa privada, enquanto o Estado não tem dinheiro para cumprir obrigações básicas, como saúde, educação e segurança pública”, escreveu na época em artigo publicado na Folha de São Paulo.

O então presidente da Petrobras, Pedro Parente, havia acabado de ser retirado do cargo em meio a greve dos caminhoneiros. Situação parecida com a que Castello Branco viveu recentemente: as pressões do presidente Bolsonaro sobre a política de preços de combustíveis da estatal se intensificaram após recentes reclamações da classe.

Durante o tempo que esteve à frente da Petrobras, Castello Branco organizou o maior processo de desinvestimento da estatal. A companhia passou a focar apenas na extração de petróleo e gás em águas profundas e ultra profundas, setor no qual considera possuir um “grande diferencial competitivo”.

Já foram comercializados, durante a gestão de Castello Branco, refinarias, térmicas, ativos em terra, em águas rasas e em águas profundas. O plano estratégico vai até 2024, mas o esperado é que a maior parte das vendas sejam realizadas ainda neste ano.

Castello Branco, além da Petrobras, foi diretor do Banco Central em 1985 durante sete meses no governo José Sarney, e, em 1999, assumiu o cargo de economista-chefe na Vale do Rio Doce, atual Vale (VALE3), onde ficou 15 anos.

Vitor Azevedo

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