Raízen (RAIZ4) oscila e entra em leilão após recuperação extrajudicial
As ações da Raízen (RAIZ4), joint ventura entre a Cosan (CSAN3) e a Shell, estão registrando fortes oscilações na primeira sessão após o anúncio de recuperação extrajudicial.
Por volta das 12h, os papéis da Raízen disparam mais de 3,85%, a R$ 0,55. No entanto, as ações chegaram a cair mais de 17% nos primeiros minutos do pregão, abaixo de R$ 0,50.
Vale destacar que as ações RAIZ4 são consideradas penny stocks, como são chamados os papéis de baixo valor, geralmente negociados abaixo de R$ 1. Estes ativos apresentam alta volatilidade e pequenas movimentações podem gerar variações expressivas.
Entenda a recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4)
Na noite de ontem (10), a Raízen anunciou um pedido de recuperação extrajudicial para suspender o pagamento de R$ 65 bilhões em dívidas por 90 dias.
Segundo a companhia, a recuperação foi estruturada em consenso com os credores, com o objetivo de “assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das dívidas”.
O movimento já era esperado pelo mercado, justamente por conta dos últimos resultados reportados pela joint venture entre Cosan e Shell. A Raízen registrou uma dívida líquida de R$ 55,32 bilhões em 2025, além de uma alavancagem de 5,2 vezes. A alavancagem considera a relação entre a dívida e o Ebitda, que mede o lucro operacional.
“A empresa vinha enfrentando dificuldades para se financiar em um ambiente de juros elevados, combinado com CAPEX muito alto, safras mais fracas e uma estrutura de dívida bastante alavancada, que pressionava o fluxo de caixa e os resultados. Além disso, houve questionamentos sobre alocação de capital, incluindo investimentos fora do core da companhia, como a aquisição de participação na operação da OXXO”, explica Cristiano Leal, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School.
Segundo o especialista, o momento exige prudência em relação aos papéis da Raízen (RAIZ4), em meio a uma série de incertezas sobre o processo de reestruturação. “A própria Shell, uma das principais controladoras, já sinalizou em comunicado anterior que não pretende aumentar sua participação na Raízen”, destaca.