Proventos bilionários

Radar: ações do Nubank (NUBR33) disparam, Neoenergia (NEOE3) tem queda no lucro, Itaú (ITUB4) cria programa de desligamento

Radar: ações do Nubank (NUBR33) disparam, Neoenergia (NEOE3) tem queda no lucro, Itaú (ITUB4) cria programa de desligamento
Nubank: ações sobem forte em semana com uma notícia reveladora. Foto: SUNO Notícias

Nubank (NUBR33) surpreendeu o mercado financeiro nesta quinta-feira (17) com alta valorização de suas ações, que dispararam mais de 11%.

As ações negociadas na bolsa brasileira por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) fecharam a sessão de hoje em alta de 12,87%, cotadas a R$ 8,68. As ações do banco digital negociadas na bolsa de Nova York (NYSE) fecharam em alta de 11,49%, cotadas a US$ 10,90.

A surpresa se deve à desvalorização que os papéis da fintech vinham sofrendo desde seu IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês), em dezembro do ano passado: -24,52%. No dia de abertura de capital, a ação valia R$ 11,50.

Não por acaso, a compra do papel tem sido desestimulada por analistas. Segundo o BTG Pactual (BPAC11), o Nubank não está ‘imune’ ao ciclo de deterioração de crédito que deve vir nos próximos meses.

Os analistas mantêm sua posição mesmo com um desempenho positivo das ações recentemente. “Parece contraintuitivo que as ações do Nubank tenham mostrado um desempenho tão bom nos últimos dias”, dizem.

A fintech ainda pode apresentar mais volatilidade nos próximos dias, uma vez que seu balanço do quarto trimestre de 2021 será divulgado na terça-feira que vem (22).

Porém, os donos do banco têm dormido tranquilos com esse barulho porque já previam uma grande volatilidade no curto prazo, e eles estão focados no longo prazo, segundo entrevista concedida pelo banco à Reuters.

Além do Nubank, confira outros destaques desta quinta-feira:

Neoenergia (NEOE3) registra queda de 36% no lucro líquido do 4T21

  • O lucro líquido da Neoenergia (NEOE3) terminou o quarto trimestre deste ano em R$ 635 milhões, uma queda de 36% na comparação ano a ano, conforme mostra o balanço divulgado pela companhia nessa quinta-feira (17).
  • lucro líquido acumulado da Neoenergia somou R$ 3,9 bilhões, alta de 40% em comparação à base de 2020. A companhia ajustou o valor justo de Belo Monte em -R$ 482 milhões, o que justifica a queda no resultado do lucro líquido.
  • A receita operacional líquida da companhia de energia somou R$ 11,3 bilhões, uma alta de 14% na comparação anual. No 4T20, a receita foi de R$ 10 bilhões. Nos doze meses de 2021, foi registrado alta de 32%, no valor de R$ 41,2 bilhões ante R$ 31,1 em 2020.
  • Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia foi de R$ 2,4 bilhões no trimestre, alta de 15% em relação a 2020. Na divulgação dos resultados do trimestre, a companhia explica que “confirma a retomada do mercado, a manutenção da eficiência e disciplina de custos, os bons patamares de arrecadação, bem como o avanço na construção dos projetos de transmissão e a entrada em operação do Complexo Eólico Chafariz, que agregou ao Ebitda R$ 16 milhões no trimestre e R$ 66 milhões no acumulado do ano”.
  • No ano completo, o Ebitda apresentou alta de R$ 9,8 bilhões, 52% a mais do que ano passado.
  • Por sua vez, a margem bruta da empresa encerrou o 4T21 em R$ 4 bilhões, crescimento de 27% ante o mesmo período de 2020. No acumulado do ano, a margem bruta subiu 38% para R$ 14,1 bilhões.
  • As despesas operacionais ficaram em R$ 1,013 milhões no trimestre, alta de 2% na comparação anual, e de R$ 3,5 milhões no ano, aumento de 10% contra 2020. A empresa explica que “desconsiderando a Neoenergia Brasília, e as arbitragens na holding no 1T20, as variações são de -7% vs. 4T20 e +3% vs. 2020, ambas abaixo da inflação e absorvendo o maior número de clientes e os novos negócios”.
  • Por fim, a Neoenergia teve um CAPEX de R$ 9,4 bilhões em 2021, valor 48% maior contra o mesmo período em 2020, justificado pelo avanço dos projetos de Transmissão e Eólicas. E a relação da Dívida Líquida/Ebitda foi de 3,12 vezes no 4T21, em comparação de 2,85 vezes no 4T20.

BTG Pactual (BPAC11): Itaú BBA aumenta preço alvo: ‘Ação de crescimento’ do ano

  • O Itaú BBA sobe as estimativas e o valor justo do BTG Pactual (BPAC11) após os resultados do balanço do quarto trimestre de 2021 da companhia.
  • Para o restante de 2022, a estimativa foi de R$ 32 para R$ 33 por ação, com upside de 32,1%. “Os resultados indicam que o BTG Pactual está entrando no soft patch econômico com um mercado muito mais diversificado, sinérgico e fluxo de receita do que no passado”, afirma o relatório do Itaú BBA.
  • Além disso, é mencionado que a administração do BTG continua a equilibrar a rentabilidade com investimentos de crescimento com o market share das units de varejo digital do banco.
  • Os analistas do Itaú BBA ressaltam que estão aumentando as estimativas de receita em 7% em geral, e espera mais diluição de despesas. “A unificação anunciada de marcas (sob investimentos ou corporativa) deve ajudar neste sentido”, explicaram.
  • A cotação atual do BTG Pactual está em R$ 23 por ação. O Itaú BBA vê uma reclassificação gradual para 17x frente ao preço alvo atualizado, “graças ao aumento dos ganhos e melhor visibilidade, bem como execução de alto nível em várias linhas de negócios”.
  • Esses fatores, para os analistas, dão tom para um forte 2022 e consagra a companhia como a escolha de “ação de crescimento” para o ano.

EDP (ENBR3) sobe 3,64% após balanço e possíveis dividendos

  • A EDP Brasil (ENBR3) reportou na noite de quarta-feira (16) uma alta de 15% no lucro líquido do 4T21, em comparação com 2020, para R$ 809 milhões. Os números vieram acima do consenso do mercado e o balanço positivo se refletiu em ganhos nas ações da empresa de energia.
  • Após subirem mais de 4% ao longo do pregão desta quinta-feira (17), as ações da EDP fecharam com alta de 3,64%, valendo R$ 21,10.
  • Além do lucro líquido, o lucro operacional medido pelo Ebitda da EDP foi de R$ 1,34 bilhão – equivalente a uma queda de 4% na comparação anual, mas 95% acima do consenso de mercado.
  • Em relatório, os analistas do banco Safra destacam a proposta da empresa de distribuição extraordinária de dividendos de R$ 1,39 por ação, além de juros sobre capital próprio (JCP), referente ao ano de 2021, de R$ 0,79 por ação.
  • Ao todo, soma R$ 2,18 por ação em proventos, mais de 10% de dividend yield. As duas distribuições devem ser analisadas em assembleia geral marcada para o dia 5 de abril.

BR Properties (BRPR3) reverte lucro e apura prejuízo de R$ 47,4 mi no 4T21

  • A BR Properties (BRPR3) registrou um prejuízo líquido de R$ 47,4 milhões no quarto trimestre de 2021, enquanto no mesmo intervalo de 2020 teve lucro de R$ 155,685 milhões. No acumulado de 2021 a empresa obteve lucro de R$ 32 milhões, mas que representa redução de 84% perante o ano anterior.
  • Boa parte do impacto negativo do balanço do 4t21 da BR Properties veio da queda de R$ 66,5 milhões no valor do seu portfólio imobiliário, conforme avaliação da consultoria CBRE. O efeito é contábil, sem mexer com o caixa.
  • Segundo a BR Properties, essa desvalorização no resultado do 4T21 vem na esteira da piora da economia brasileira, com inflação e juros em alta, gastos públicos crescentes, incertezas diante das eleições e continuidade da pandemia.
  • A empresa também pondera que a queda de R$ 66,5 milhões corresponde a apenas 1% do valor total do portfólio da BR Properties, avaliado em R$ 9 bilhões. O portfólio abrange 32 imóveis comerciais, entre prédios de escritórios, galpões logísticos e terrenos.
  • O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 53,791 milhões, baixa de 15% na mesma base de comparação. A margem Ebitda caiu 10 pontos porcentuais, para 66%.
  • A receita líquida da BR Properties totalizou R$ 81,869 milhões, recuo de 2%.
  • As despesas gerais e administrativas ajustadas também diminuíram 2%, para R$ 14,327 milhões.
  • O prejuízo também foi influenciado pelo resultado financeiro líquido, que gerou uma despesa de R$ 44,632 milhões, crescimento de 215% na comparação anual. Esse resultado é majoritariamente explicado pelo aumento dos juros no Brasil. Com isso, o custo médio da dívida da empresa foi de 3,8% para 11,7%.
  • A dívida líquida da BR Properties atingiu R$ 2,045 bilhões no quarto trimestre, alta de 6% ante o terceiro trimestre. O dinheiro em caixa caiu 15%, para R$ 949,4 milhões. A alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda) subiu de 8,1 vezes para 9,0 vezes. A empresa tem R$ 401 milhões de amortizações em 2022.

Fertilizantes Heringer (FHER3) protocola pedido de encerramento da recuperação judicial

  • A Fertilizantes Heringer (FHER3) protocolou um pedido de encerramento da recuperação judicial na 2ª Vara Cível da Comarca de Paulínia.
  • Os motivos, conforme comunicado ao mercado arquivado pela Fertilizantes Heringer na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), incluem o decurso do prazo de dois anos contados da concessão de sua recuperação judicial e o “fiel cumprimento das obrigações assumidas no âmbito do plano aprovado”.
  • “O pedido de encerramento apresentado está pendente de análise pelo juízo competente e a companhia reitera seu compromisso em manter os acionistas e o mercado em geral informados a respeito dos desdobramentos deste assunto”, diz a companhia.
  • A Heringer teve seu plano de recuperação judicial homologado em fevereiro de 2020.
  • Além disso, recentemente, na primeira semana de fevereiro, a empresa comunicou que a Receita Federal promoveu o depósito do montante de R$ 25,5 milhões, relativos à restituição do saldo negativo do IRPJ (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) do ano calendário 2017.
  • Não houve, porém, uma “quitação” de todos os impostos relativos a 2017.
  • Atualmente a companhia passa por uma mudança drástica no seu management, com a troca de controle dos atuais sócios para a EuroChem, que comprou uma fatia relevante do capital social e teve aprovação da Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
  • Com o movimento, a empresa deve sair da bolsa.

Após aumentar número de funcionários, Itaú Unibanco (ITUB4) tem Programa de Desligamento Voluntário (PDV)

  • O Itaú Unibanco (ITUB4), em fato relevante ao mercado, anunciou nesta quinta-feira (17) a abertura de um programa de desligamento voluntário (PDV) para todas as empresas controladas exclusivamente pelo Itaú Unibanco Holding S.A. no Brasil.
  • No comunicado, o banco não informou o número de funcionários que o programa busca alcançar.
  • Segundo o comunicado, o Itaú diz que o programa envolve um grupo restrito de colaboradores elegíveis, e o objetivo é oferecer – aos interessados em deixar o banco – “a oportunidade de uma transição de carreira segura”.
  • O programa do Itaú é endereçado aos colaboradores que se enquadram em um ou mais critérios como: ter mais de 60 anos, estar afastados por período superior a 30 dias ou atuar em determinados cargos em áreas que terão sua estrutura “adequada à realidade do mercado”.
  • “A adesão ao PDV é totalmente voluntária e oferecerá pacotes que incluem o pagamento de salários adicionais e a manutenção de alguns benefícios por período determinado. Os elegíveis poderão aderir ao PDV a partir do final do mês de março de 2022″, informou o banco.
  • Segundo o Itaú, após o encerramento do período de adesão, os impactos financeiros e o número de funcionários que tiverem aderido ao PDV serão divulgados ao mercado. O Itaú Unibanco esclarece que o PDV não afetará a qualidade e a disponibilidade de seus serviços aos seus clientes.

Do Nubank ao Itaú, essas foram as empresas que se destacaram hoje. Para ler todas as matérias clique aqui.

Victória Anhesini

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