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Protestos antirracistas: marcas abraçam causas em ‘novo normal’

Protestos antirracistas: marcas abraçam causas em ‘novo normal’
Protestos

Os protestos antirracistas que tomaram conta dos EUA e se alastraram para diversos países, entre eles o Brasil, têm uma variável relativamente nova: o engajamento de empresas.

Marcas abraçaram e se posicionaram sobre o tema e, agora, se colocam como elemento catalisador de um movimento ainda incerto, mas que, apesar de antigo no mundo, deve se deve tornar o “novo normal” às empresas perante o público cada vez mais também no Brasil.

De acordo com Fábio Mariano, professor da pós-graduação da ESPM, o histórico de participação de marcas e empresas em pautas sociais é novo apenas no Brasil e deve permanecer por um bom tempo.

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“Essa pauta se tornou muito presente nas empresas, elas têm uma preocupação de participar dessas causas e apoiar as causas pois isso está sendo cobrado pelos consumidores. Lá no século XIX, eram os pequenos grupos minoritários. Hoje, devido o advento das redes sociais, isso está mais divulgado entre as pessoas”, disse ele.

Além dos protestos nas ruas, as redes sociais também foram inundadas com declarações favoráveis ao movimento. A hashtag #blackouttuesday, ao lado de quadrados pretos, foi amplamente utilizada por empresas que apoiam a causa.

“O consumidor hoje se preocupam em saber a transparência da empresa, se ela tem atos corruptos, como trata questões de cidadania. Então é muito bem vindo a participação de empresas nas causas pois isso as torna mais presentes, mais significativas para a sociedade”, afirmou Mariano.

As empresas de vestuário esportivo foram a vanguarda desse engajamento de grandes empresas aos protestos. A Nike, por exemplo, utilizou seus canais de comunicação para apoiar as pautas.

Let’s all be part of the change.#UntilWeAllWin pic.twitter.com/guhAG48Wbp

— Nike (@Nike) May 29, 2020


A principal concorrente, a alemã Adidas, apoiou a medida e replicou o posicionamento com os dizeres “Juntos é como avançamos. Juntos é como fazemos mudanças”.

“As empresas que estão ligadas a atletas temos um histórico mais largo e mais antigo de patrocinar, por exemplo, pessoas negras. Uma Nike já foi patrocinadora do Ronaldinho, por exemplo, então não tem como essas marcas não se manifestarem”, disse Fábio Mariano, professor da pós-graduação da ESPM.

Outras marcas relevantes no mercado, como Under Armour, Puma e Rebook, também enfatizaram seus apoios às manifestações. O apoio também se expandiu para marcas de luxo, como Gucci e Louis Vitton, por exemplo.

Para além das marcas de vestuário, gigantes de tecnologia, como Netflix e Facebook, também se manifestaram a favor das manifestações. A Netflix, por exemplo, citou as mortes de meninos negros pela polícia no Brasil para fazer coro aos pedidos de menos violência.

David, João Pedro, João Vitor, George Floyd e tantos mais.

Ficar em silêncio é ser cúmplice, e eu não vou mais me calar.

Eu tenho um compromisso e um dever com meus assinantes, funcionários, criadores de conteúdo e talentos negros. #vidasnegrasimportam em qlqr lugar do mundo https://t.co/kqPtBnLhBi

— netflixbrasil (@NetflixBrasil) May 30, 2020

Segundo Fabio Marano, o fato de as empresas no Brasil não terem um histórico de associação com pautas populares vem da influência da ditadura militar na administração de empresas.

“Temos uma herança na ditadura fortíssima de desassociar mercado de política. Isso é uma falácia. Antes do período ditatorial, marcas incentivavam mudanças”, disse.

” Antes do período ditatorial, marcas incentivavam mudanças. A Avon é uma marca celebrada por alguns motivos relacionados ao empoderamento feminino. Eles estimulavam as mulheres a buscar renda própria e poder se divorciar dos maridos”, completou.

Protestos por morte de americano negro

Os protestos começaram há duas semanas nos EUA após George Floyd, negro de 46 anos, morrer após o policial Derek Chauvin, branco, apoiar o joelho em seu pescoço por mais de oito minutos na cidade de Minneapolis.

Logo, protestos tomaram conta de diversas cidades nos EUA, nos atos mais violentos desde a morte de Martin Luther King Jr., em 1968.

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As manifestações têm como principal objetivo justamente o combate ao racismo, além de pedidos pelo fim da violência policial contra negros nos EUA e já se espalharam para diversos países, como França e Brasil.

Os protestos também ocorrem em um momento em que a pandemia causada pelo coronavírus (covid-19) já matou cerca de 100 mil pessoas nos EUA e levou a economia à crise.

Vinicius Pereira

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