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Produção industrial recua em 15 das 26 atividades em agosto, diz IBGE; veja os setores mais prejudicados

A produção industrial do Brasil caiu pelo terceiro mês seguido, registrando retração de 0,7% na passagem de julho para agosto. O recuo é resultado de uma redução de ritmo em 15 dos 26 segmentos investigados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Com esse resultado, a produção industrial acumula 9,2% de ganhos no ano e soma 7,2% de alta nos últimos 12 meses. Entretanto, a indústria ainda está 2,9% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, na pré-pandemia, e 19,1% abaixo do nível recorde, registrado em maio de 2011.

“O resultado de agosto não difere muito do panorama apresentado ao longo de 2021″, disse André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Para ele, atrapalha as indústrias o desarranjo das cadeias produtivas, exemplificado pelo desabastecimento de matérias-primas e insumos para a produção de bens finais. Também entra nesse combo o encarecimento dos custos de produção, sob a ótica da oferta.

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Categorias da produção industrial

Entre as quatro grandes categorias econômicas, três registraram queda em agosto, assim como 15 dos 26 ramos investigados pela PIM. As principais influências negativas na produção industrial de agosto foram:

  • produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-9,3%).
  • produtos químicos (-6,4%),
  • equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,2%),
  • veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,1%)
  • coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,6%),
  • máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-2,0%),
  • confecção de artigos do vestuário e acessórios (-1,6%)
  • produtos de borracha e de material plástico (-1,1%), e
  • celulose, papel e produtos de papel (-0,8%).

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Na direção oposta, entre as onze atividades industriais com expansão, os destaques foram produtos alimentícios (2,1%), bebidas (7,6%) e indústrias extrativas (1,3%), embora também tenham ocorrido crescimentos relevantes em metalurgia (1,1%), produtos de madeira (3,0%) e produtos têxteis (2,1%).

Macedo explica que o momento pelo qual passa a economia do país se reflete na produção industrial, com a demanda doméstica passando por dificuldades há algum tempo.

“O mercado de trabalho tem mais de 14 milhões desempregados, uma massa de rendimentos que não evolui, uma precarização das condições de emprego, uma renda disponível por parte das famílias menor, por conta especialmente de níveis de preços em patamares mais elevados. São fatores que já estão presentes há algum tempo.”

Para o gerente da pesquisa de produção industrial, eles explicam muito esse comportamento predominantemente negativo da indústria ao longo de 2021.

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Com informações de Estadão Conteúdo e Agência Brasil. 

Monique Lima

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