Nova política industrial terá baixo impacto nas contas públicas, diz UBS BB; Alckmin reforça tese

O repaginado programa de política industrial Nova Indústria Brasil não deverá impactar as contas do governo federal muito além do previsto no Orçamento, segundo o UBS BB. Nesta quarta-feira (24), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Nova Indústria “não tem nada a ver” com a questão fiscal do País.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2022/03/Ebook-Investindo-para-a-Aposentadoria-1.jpg

“Parte do dinheiro para financiar o projeto de incentivo à indústria será captado no mercado”, disse Alckmin e completou: “Não tem nenhum dinheiro do governo. Na realidade, não tem impacto fiscal“.

O plano anunciado em uma conferência à imprensa nesta segunda-feira (22) conta com R$ 300 bilhões de financiamento do governo entre 2023 a 2026, cerca de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. O documento ainda apontou fontes de financiamento, mas a quantia quase integral já está no orçamento do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na divulgação do programa Nova Indústria Brasil, algumas prioridades foram destacadas pelo Ministério:

  • Recursos para exportação;
  • Produção farmacêutica;
  • Mobilidade urbana;
  • Infraestrutura e inovação.

UBS BB não tem grandes expectativas para nova política industrial brasileira

Em relatório avaliando o novo mapa industrial, o banco UBS BB não acredita que o plano terá um grande impacto prontamente.

“Nós não esperamos um impacto grande a médio prazo, principalmente porque o Tesouro não pretende financiar mais o BNDES“, afirmaram os analistas da casa.

A contribuição do BNDES para o PIB do Brasil vem caindo relevantemente, de 10% em meados de 2010 para cerca de 2,5% a 4,0% hoje.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2023/03/1420x240-Investindo-no-exterior.png

Alckmin diz que governo não vai dar mais recursos ao BNDES

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmou também que nota um preconceito em relação ao BNDES e insistiu que o governo não fará qualquer tipo de aporte no banco de fomento.

“No programa industrial, o BNDES quer participar de fundo na área de minerais críticos, em áreas estratégicas, o valor é mínimo”, afirmou. “O governo não vai fazer aporte no BNDES, não vai colocar recurso a mais.”

O anúncio do pacote gerou críticas entre economistas, que percebem uma reciclagem de propostas já usadas em governos anteriores do Partido dos Trabalhadores (PT) e maior risco para o quadro fiscal.

Segundo Geraldo Alckmin, o programa tem seis missões, com linhas de atuação que ainda terão de ser detalhadas. Ele ainda salientou o caráter de apoio à inovação do programa de fomento à indústria, assim como seus aspectos de incentivo à sustentabilidade e à competitividade.

Para o ministro da pasta e vice-presidente do Brasil, em linha com a nova política industrial, há necessidade de a indústria acessar mais linhas de crédito, e citou como exemplo a proposta de criação da Linha de Crédito de Desenvolvimento (LCD), que está em discussão no Congresso.

Com informações de Estadão Conteúdo e relatório UBS BB.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2023/04/1420x240-Planilha-vida-financeira-true.png

Camila Paim

Compartilhe sua opinião