PIB cai 1,5% no primeiro trimestre de 2020, diz IBGE

PIB cai 1,5% no primeiro trimestre de 2020, diz IBGE
O Boletim Focus, no relatório divulgado nesta segunda-feira (5), estima uma queda de 5,02% do PIB brasileiro em 2020.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 1,5% no primeiro trimestre de 2020 em relação ao trimestre anterior. As informações foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta sexta-feira (29).

Este resultado do PIB considera o desempenho da economia entre janeiro e março de 2020. As medidas de restrição da atividade econômica para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) começaram a entrar em vigor a partir da segunda metade de março.

“Aconteceu no Brasil o mesmo que ocorreu em outros países afetados pela pandemia, que foi o recuo nos serviços direcionados às famílias devido ao fechamento dos estabelecimentos”, disse Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

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Em relação ao primeiro trimestre de 2019, a economia brasileira apresentou uma baixa de 0,3%. Dessa forma, o PIB está em um patamar similar ao registrado no segundo trimestre de 2012.

Segundo o IBGE, os dados mostram uma mudança no ritmo em relação aos períodos anteriores. “A queda do PIB do primeiro trimestre deste ano interrompe a sequência de quatro trimestres de crescimentos seguidos e marca o menor resultado para o período desde o segundo trimestre de 2015 (-2,1%).”

A retração da economia no País foi influenciada por uma queda de 1,6% no setor de serviços, que possui a maior representatividade no PIB, com 74%. Além disso, a indústria também caiu (-1,4%). Já a agropecuária cresceu 0,6%.

No segmento de serviços, a única variação positiva foi apresentada pelas atividades imobiliárias, com um avanço de 0,4%. Os destaques negativos são:

  • Outros serviços (-4,6%)
  • Transporte, armazenagem e correio (-2,4%)
  • Informação e comunicação (-1,9%)
  • Comércio (-0,8%)

Quanto à atividade industrial, a queda foi puxada pelo setor extrativo (-3,2%), construção (-2,4%), indústrias de transformação (-1,4%) e atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, além de atividades de gestão de resíduos (-0,1%).

Calculado pelo IBGE, o PIB é um dos principais indicadores da atividade econômica do País. O Instituto faz a estimativa da atividade com dados de diversos setores da economia em duas contas distintas: de quem produz e de quem compra, ou seja, pela ótica da oferta e da demanda.

No lado de quem produz, entram os setores de serviços, indústria e serviços. No lado da demanda do PIB há o gasto das famílias, o gasto do governo, o investimento, as importações e as exportações.

IBGE salienta queda do consumo das famílias

No lado da demanda, os impactos do coronavírus também geraram efeitos no consumo das famílias, com uma queda de 2%, segundo o IBGE. O consumo representa 65% do PIB.

“Foi o maior recuo desde a crise de energia elétrica em 2001”, disse a coordenadora do Instituto.

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Já a balança comercial do País apresentou uma baixa de 0,9% nas exportações de bens e serviços, enquanto as importações de bens e serviços foram elevadas em 2,8%.

“As exportações foram bastante prejudicadas pela demanda internacional. Um dos países muito importantes para a gente que tem afetado nossas exportações é a Argentina. E a China também, que no primeiro trimestre foi o primeiro país a fechar as fronteiras”, salientou Palis.

Ainda pela ótica da demanda, outros dois componentes tiveram avanço em relação ao trimestre anterior: os gastos do governo e os investimentos. O consumo da administração pública subiu 0,2%, enquanto os investimentos avançaram 3,1%.

Expectativa do mercado pelo PIB

Os especialistas que contribuem para a elaboração do Boletim Focus, na última segunda-feira (25), diminuíram a previsão pelo PIB de 2020 pela 15ª semana consecutiva.

De acordo com o relatório do Banco Central (BC), o PIB brasileiro irá cair 5,89% neste ano. Esse seria o pior desempenho da economia brasileira em uma janela de 12 meses na série histórica.

Na primeira leitura deste ano, o mercado financeiro esperava um crescimento de 2,30% no PIB do Brasil. Desde então, a previsão foi sendo cortada ao passo que a pandemia impactava a atividade econômica do País.

Jader Lazarini

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