Payroll vem acima do esperado em julho nos EUA; taxa de desemprego cai a 3,5%

Payroll vem acima do esperado em julho nos EUA; taxa de desemprego cai a 3,5%
Payroll: criação de emprego vem muito acima do esperado; taxa de desemprego recua

A economia dos Estados Unidos criou 528 mil empregos em julho, em termos líquidos, segundo dados do payroll, publicados nesta sexta-feira (5) pelo Departamento do Trabalho do país.

O resultado veio bem acima das projeções estimadas pelo mercado, pelo o que foi mostrado no Projeções Broadcast. Analistas consultados apontavam uma variação entre 75 mil e 300 mil vagas, com mediana de 250 mil.

Já a taxa de desemprego dos EUA recuou para 3,5% em julho, ante 3,6% em junho, voltando ao nível de fevereiro de 2020, antes da pandemia de Covid-19. Neste caso, a previsão era de que a taxa permaneceria em 3,6%.

Além disso, o Departamento do Trabalho revisou para cima os números de criação de postos de trabalho de junho, de 372 mil para 398 mil, e também de maio, de 384 mil para 386 mil.

Em julho, o salário médio por hora teve alta de 0,47% em relação a junho, ou US$ 0,15, a US$ 32,27, superando a previsão de alta de 0,30%. Na comparação anual, houve acréscimo salarial de 5,22% no último mês, também acima da projeção de 4,90%.

“EUA longe da recessão”

“É por meio da análise dos dados do payroll que o Federal Reserve busca verificar a possibilidade de alcançar um pouso suave para a economia americana”, explicou Carlos Vaz, CEO da Conti Capital. “O mercado esperava uma diminuição em relação ao número das vagas de emprego, então esse aumento é, de certa maneira, uma surpresa, principalmente após dois trimestres consecutivos indicarem PIB negativo e a manutenção de juros continuar em curva crescente para combater a inflação.”

Na visão do CEO da Conti Capital, os EUA estão longe de uma recessão. Entretanto, esse aspecto ainda será precificado pelo mercado financeiro e pode impactar a próxima decisão em relação aos juros americanos.

“Apesar disso, ainda vejo possibilidade para o Fed atingir seu objetivo. Idealmente, algum afrouxamento no mercado de trabalho ajudaria a derrubar a inflação sem empurrar a economia para a recessão, algo ainda possível”, afirmou.

Ele ainda ressalta que os dados mais fortes do que o esperado do payroll ainda alimentem, num contexto geral, a tese de um aperto monetário mais duro.

Na visão do BTG Pactual (BPAC11), a perspectiva mostra a resiliência da demanda doméstica americana, apesar de microdados apontarem acomodação consumo, reflexo do ambiente desafiador de inflação elevada e aperto das condições financeiras. Mesmo assim, afastam a ideia de recessão no curto prazo.

“Para o mercado de trabalho, nos próximos meses, ressaltamos que os dados de criação de emprego podem continuar registrando surpresas positivas, catalisadas pelo setor de serviços e pelo alto nível de vacância”, afirmam os analistas do BTG.

Além disso, foi destacado que a baixa confiança dos americanos (preocupação com recessão) e a percepção de preços elevados podem levar a uma maior busca por recolocação no mercado de trabalho, consequentemente gerando efeitos positivos no preenchimento das vagas.

Biden comemora desemprego no menor nível em 5 décadas e vê progresso com payroll

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, comemorou a taxa de desemprego de 3,5% em julho, equivalente a menor já registrada nos últimos 50 anos, segundo ele. O mandatário creditou o dado ao seu plano econômico, que focou em “reconstruir a economia e a classe média” norte-americana, nas suas palavras.

Além da queda do desemprego, o payroll de julho registrou criação de 528 mil empregos e alta salarial acima do esperado no mês.

Para Biden, o relatório é sinal de “progresso significativo” aos trabalhadores norte-americanos.

Em seu comentário, divulgado nesta sexta em nota à imprensa, o presidente dos EUA não abordou a questão da alta inflação nos EUA, que tende a acelerar mais diante do mercado de trabalho aquecido.

Recentemente, após comentele disse confiar no Federal Reserve para combater o aumento dos preços e considerou natural a desaceleração da economia diante da ação do BC.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

Victória Anhesini

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