Proventos bilionários

Oi (OIBR3): BTG prevê aumento de receita e redução da dívida após “resultados esperados” do 1T22

Veja o Morning Call desta quarta (29), que aborda o balanço da Oi no 1T22

Após a divulgação, com atrasos, do resultado trimestral da Oi (OIBR3), os analistas do BTG Pactual (BPAC11) emitiram uma nota classificando os números como “esperados”. Disseram também que a dívida líquida da companhia deve ser reduzida com a apreciação do real.

Os especialistas do banco de investimento também destacaram que o balanço da Oi mostrou um Ebitda em linha com os números não auditados divulgados no último dia 21.

As ações OIBR3 sobem 1,85% no intradia desta quarta (29) após a divulgação do resultado da companhia, cotadas a R$ 0,55.

“As receitas permaneceram quase estáveis ​​no comparativo anual, mas caíram cerca de  3,1% no comparativo trimestral. Por outro lado, as receitas das operações continuadas (aquelas que permanecerão após a venda de ativos, incluindo a TV por assinatura DTH) diminuíram 4% na base anual e 4% no comparativo trimestral, sofrendo impacto da cotação do cobre”, observam os analistas do BTG.

A análise é que a piora do cenário macro, juntamente com o aumento do churn involuntário, levou a companhia “à fraqueza”, dadas as quedas nas ações da Oi.

“Esperamos que, agora, a receita líquida melhore ligeiramente nos próximos trimestres”, projetam os analistas.

O relatório pontua alguns números do resultado da Oi:

  • A receita do negócio fixo da operadora cresceu 2,1% no comparativo trimestral, mas caiu 1,8% no anual
  • O EBITDA atingiu R$ 1,2 bilhão, com margem crescendo 2,2 pontos percentuais no comparativo anual, embora com queda de 5,1 pontos percentuais em relação ao último trimestre
  • O Capex foi de R$ 345 milhões no trimestre, “uma grande queda em relação ao ano passado”, representando uma retração de 81%, já que a companhia não é mais responsável pelos investimentos em fibra V.Tal

Os especialistas Carlos Sequeira (CFA) e Osni Carfi também ressaltam que a dívida líquida da companhia caiu devido ao câmbio.

“A dívida líquida encerrou o 1T22 em R$ 32,6 bilhões, R$ 1,2 bilhão inferior ao 4T21. A queda decorreu da valorização de 15% do real frente ao dólar no trimestre, já que 51% da dívida da Oi está em moeda estrangeira”, lembram.

Na nota emitida, o BTG também comenta que o “valor patrimonial foi fortemente impactado por eventos recentes”: ainda no início de junho, a Oi anunciou aumento da dívida com a Anatel – o que gera impacto negativo de cerca de R$ 0,60 por ação, segundo as projeções da casa.

Veja mais dados do balanço da Oi

Segundo o balanço, a empresa fechou o primeiro trimestre de 2022 com lucro líquido de R$ 1,782 bilhão. Com esse número, a Oi reverte o prejuízo de R$ 3,038 bilhões registrado no mesmo período em 2021.

A operadora justifica o lucro bilionário com o resultado financeiro líquido positivo de R$ 1,87 bilhão e uma despesa de imposto de renda e contribuição social no valor de R$ 363 milhões.

No documento, a companhia mostra que no comparativo anual o resultado financeiro houve crescimento de 54% na receita gerada com operações de fibra e cerca de 43% residência a mais com serviços da companhia.

E, em meio aos imbróglios da recuperação judicial e da venda de ativos, a gestão da empresa aponta um crescimento de 65% na receita gerada com operações fora do segmento de telecomunicações.

Entenda o atraso do balanço

O resultado da Oi estava sendo muito aguardado pelo mercado após a companhia adiar a sua publicação duas vezes, o que acompanhou a deterioração das ações, que caíram cerca de 25% nos últimos 30 dias.

Em meio a esse cenário, a empresa pediu prazos mais folgados para elaborar seu Formulário de Informações Trimestrais (ITR) para “garantir a divulgação de informações precisas, consistentes e completas aos acionistas e ao mercado”.

Isso ocorreu em função da venda de ativos na recuperação judicial.

A companhia citou a ‘complexidade dos trabalhos de segregação dos ativos das três SPEs que integram a UPI Ativos Móveis’.

As vendas dos ativos da Oi, vale lembrar, foram feitas às concorrentes TIM (TIMS3), Claro e Vivo (VIVT3).

Eduardo Vargas

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