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Ofertas de ações com reserva antecipada têm atraído mais interessados

Ofertas de ações com reserva antecipada têm atraído mais interessados
Gráfico de ações. Foto: mohamed Hassan por Pixabay

Os empresários e fundos de investimento estão cada vez mais interessados em garantir a demanda por ofertas de ações antes mesmo de as operações serem anunciadas. O movimento acontece frente a volatilidade da Bolsa de Valores.

Nos últimos tempos, empresas como Smart Fit (SMFT3), Unifique (FIQE3), Brisanet (BRIT3) e Multilaser (MLAS3) são algumas das que foram ao mercado com a promessa de participação de investidores – a chamada “ancoragem”, no jargão do setor. Na prática, trata-se de uma ordem de compra antecipada.

A reserva antecipada normalmente consegue atrair mais investidores, numa espécie de chancela prévia, com potencial impacto positivo no preço da ação.

“É uma demonstração de força da oferta, que tende a atrair mais investidores, já que os fundos que entram com ordens antecipadas normalmente são de renome, dando um selo de qualidade”, afirma o responsável pelo banco de investimento do Santander, Gustavo Miranda.

Segundo ele, o “recado” que esses investidores passam sobre o valor da empresa para os bancos também é importante para definir o intervalo de preço nas ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês).

Segundo Miranda, o processo de abertura de capital costuma deixar a empresa exposta às flutuações de mercado por cerca de 20 dias, entre o lançamento e a efetiva precificação, e incentiva a discussão de ancoragem.

“É uma maneira de reduzir o risco de execução, de a oferta não ser precificada ou de ter seu preço reduzido”, explica o responsável pelo banco de investimento do Citi, Eduardo Miras.

Fundos de investimento

Outro fator que tem incentivado gestores a garantirem antecipadamente parte da oferta é a entrada de um grande volume de recursos nas gestoras locais, diz Ricardo Bellissi, colíder do banco Goldman Sachs no Brasil. “Com o juro real próximo a zero, houve a entrada de um volume enorme, e os gestores têm de buscar onde alocar esses recursos”, ressalta.

A indústria de fundos teve captação recorde no primeiro semestre, e apenas os multimercados, que alocam parte de suas carteiras em ações, tiveram captação líquida de R$ 81,4 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Os fundos exclusivos de ações captaram R$ 3,2 bilhões, em igual período.

Ancoragem reduz risco de execução da oferta

O executivo de um banco diz que a ancoragem ajuda a dar um grau de confiança na transação, com a redução do risco de execução da oferta, mas não é garantia de sucesso. Um dos exemplos recentes é a abertura de capital da Privalia (PRAV3), que tinha ancoragem do BTG Pactual e, mesmo assim, o investidor quis um desconto nos preços.

Da mesma forma, BBM, Dotz (DOTZ3) e GetNinjas (NINJ3) também estavam “ancoradas” e saíram no piso da faixa indicativa do IPO. Miras, do Citi, diz que já viu transações com “garantia” sendo reprecificadas ou mesmo canceladas.

Nas ofertas de ações brasileiras, é incomum investidores estrangeiros darem esse tipo de aval a operações, segundo bancos de investimento. Os fundos locais costumam interagir mais com as empresas antes da oferta na época em que elas vão sondar o interesse do mercado. Os estrangeiros, até por terem um universo maior de atuação, preferem priorizar a operação bem próximo ao lançamento ou quando ela já está na Bolsa.

Com informações do Estadão Conteúdo e do jornal O Estado de S. Paulo.

Laura Moutinho

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