Petrobras (PETR4) ao BB (BBAS3): quem são as mulheres que desafiam o poder corporativo

Durante décadas, as salas de conselho das grandes empresas brasileiras foram espaços quase exclusivamente masculinos. A presença de mulher no comando ainda é minoritária, mas algumas executivas vêm rompendo esse padrão e ocupando posições estratégicas em setores-chave da economia.

O avanço é visível, ainda que lento. Estudos recentes mostram que apenas cerca de 5% dos cargos de CEO no Brasil são ocupados por mulheres, o que evidencia o tamanho do desafio para alcançar maior equidade na liderança corporativa.

Mesmo assim, nomes femininos começam a ganhar protagonismo em empresas relevantes do país, do sistema financeiro à energia, passando por saúde e tecnologia. Mais do que simbolizar conquistas individuais, essas trajetórias ajudam a ampliar o debate sobre diversidade, governança e inovação dentro das organizações.

Quando a liderança feminina rompe o teto de vidro nas grandes companhias

Entre os exemplos mais emblemáticos está Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil (BBAS3). Funcionária de carreira da instituição, ela iniciou sua trajetória no banco em 2000 e construiu um caminho que passou por diversas áreas estratégicas da companhia até chegar à presidência. Em 2023, tornou-se a primeira mulher a comandar o Banco do Brasil em mais de dois séculos de história, liderando uma instituição que hoje figura entre os maiores bancos da América Latina.

A chegada de Tarciana ao cargo simboliza não apenas uma conquista individual, mas também uma mudança gradual na forma como grandes instituições financeiras brasileiras enxergam liderança e diversidade. Sob sua gestão, o banco tem buscado reforçar temas ligados a inclusão financeira, inovação e sustentabilidade.

Outro nome de destaque é Magda Chambriard, que assumiu a presidência da Petrobras (PETR4). Engenheira civil de formação e com longa carreira no setor de energia, ela ganhou projeção nacional ao comandar a Agência Nacional do Petróleo (ANP) entre 2012 e 2016, período marcado por importantes discussões sobre o pré-sal.

Ao assumir a Petrobras, Magda passou a liderar uma das maiores empresas da América Latina e uma das principais produtoras de petróleo do mundo. Sua chegada ao comando da companhia representa um momento relevante para a presença de mulher em posições estratégicas em um setor historicamente dominado por homens.

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Na área de saúde, Jeane Tsutsui lidera o Grupo Fleury (FLRY3), uma das companhias mais tradicionais do país em medicina diagnóstica. Para ela, a liderança executiva é construída ao longo do tempo, combinando visão estratégica e capacidade de mobilizar pessoas.

“A chegada à posição de CEO é resultado de uma trajetória que combina visão estratégica do negócio com a capacidade de liderar e inspirar pessoas. Ao longo do caminho, é importante estar disposto a assumir desafios relevantes”, afirma Tsutsui.

Segundo a executiva, muitas vezes são justamente os desafios mais difíceis que impulsionam o crescimento profissional.

“Os desafios que nos tiram da zona de conforto são justamente os que impulsionam nosso crescimento. Também faz diferença construir uma rede de apoio com pessoas que tragam perspectivas e competências complementares, além de manter uma postura de aprendizado contínuo.”

No universo das fintechs, Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, tornou-se uma das executivas mais influentes da nova geração do mercado financeiro. Ela participou da criação do banco digital em 2013, ajudando a transformar o setor bancário no Brasil e impulsionar um modelo baseado em tecnologia e inclusão financeira. Hoje, o Nubank já ultrapassou a marca de 100 milhões de clientes, tornando-se uma das maiores fintechs do mundo.

Empreendedorismo, impacto e novas iniciativas

Outro exemplo de trajetória empreendedora é Julie Lamac, fundadora da Moveer, plataforma que conecta esporte, bem-estar e experiências entre marcas e pessoas. Julie também é esposa de David Feffer, integrante da família controladora da Suzano (SUZB3), um dos grupos empresariais mais tradicionais do país e responsável por uma das maiores produtoras de celulose do mundo.

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David Feffer é herdeiro da família Feffer e figura central na história recente da Suzano, companhia que se consolidou como líder global no setor de papel e celulose. A ligação com um dos principais grupos industriais do país coloca Julie em um ambiente empresarial de grande relevância, mas sua trajetória profissional seguiu um caminho próprio, voltado ao empreendedorismo e à criação de novos projetos.

A Moveer nasceu a partir do crescimento do beach tennis no Brasil e evoluiu para uma plataforma que conecta esporte, comunidade e experiências. “A Moveer nasceu de forma muito orgânica. Começou com competições cheias de inovação e rapidamente se transformou em algo maior: uma plataforma que conecta esporte, bem-estar e relacionamento entre pessoas e marcas”, afirma Julie. 

Ao falar sobre sua trajetória, a empreendedora também destaca a importância da confiança e da coragem ao longo da jornada profissional. “Eu diria para confiarem muito na própria intuição. Muitas vezes ela faz bastante sentido, e aprender a escutá-la é uma habilidade importante ao longo da jornada.” 

Avanços que ainda convivem com desigualdade

Apesar das trajetórias inspiradoras, os números mostram que a presença feminina no topo das organizações ainda é limitada. Pesquisas indicam que apenas cerca de 17% das empresas brasileiras são lideradas por mulheres, enquanto a participação feminina nos conselhos de administração ainda permanece abaixo de 20%.

Mesmo nas companhias listadas na bolsa, o avanço ocorre de forma gradual. Um levantamento recente aponta que 46% das empresas da B3 têm ao menos uma mulher na diretoria, mas na maioria dos casos trata-se de apenas uma executiva em estruturas ainda majoritariamente masculinas.

Nesse contexto, histórias como as de Tarciana Medeiros, Magda Chambriard, Jeane Tsutsui, Cristina Junqueira e Julie Lamac ajudam a ilustrar um movimento de transformação em andamento. Ainda que a igualdade esteja distante, cada nova mulher em posições de liderança amplia o espaço para que outras também possam chegar ao topo.

Maíra Telles

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