Startup de saúde MediPreço vê momento favorável para captação e vai antecipar nova rodada

Startup de saúde MediPreço vê momento favorável para captação e vai antecipar nova rodada
MediPreço - Foto: divulgação

Enquanto muitas empresas têm desistido de captar recursos na bolsa de valores, o mercado de startups está a pleno vapor. Nos primeiros quatro meses de 2021, as startups brasileiras captaram US$ 2,35 bilhões, montante que representa 66% do total de aportes ocorridos em 2020, segundo dados da Dataminer. Uma das que surfam nesta onda é a startup de saúde MediPreço, que vende remédios com descontos para grandes empresas, ao mesmo tempo em que trabalha com inteligência de dados em saúde com a área de recursos humanos das companhias.

A MediPreço captou R$ 1,6 milhão no final do ano passado, em uma rodada liderada pelo fundo Valutia Capital, acompanhado pela Bossa Nova Investimentos e Uruau, que permitiu se posicionar melhor no Sudeste e realizar contratações importantes para o crescimento.

Por agora, a MediPreço funciona com uma assinatura recorrente que oferta a funcionários de grandes empresas preços mais atrativos (até 60% mais baratos) e entregas no local em até 24 horas ou retirada dos medicamentos por meio de um armário inteligente instalado na própria companhia. A pandemia do novo coronavírus (covid-19) e sua chamada à saúde e ao delivery também impulsionam a demanda da empresa, que já atende grandes companhias no Brasil.

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A MediPreço surgiu após Alexandre Máximo trabalhar durante mais de uma década no Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Depois de sair da companhia pública e passar a ofertar softwares para a área, o empresário entendeu uma dor das pessoas ao comprar medicamentos, abrindo espaço para a criação da MediPreço, em 2018.

“Chamou muita a atenção que mais da metade das pessoas que tem uma prescrição médica em mãos não finaliza o tratamento. O preço e o encontrar o medicamento se mostram uma barreira de acesso a esse tratamento”, disse.

Com a oportunidade em vista, o fundador da startup optou por apostar no mercado B2B. “Ir para o B2C necessitaria de um capital intenso. Portanto optamos em uma estratégia de negócio de olhar para um benefício corporativo, levando isso como um novo conceito, centrado a um acesso a compra de medicamentos totalmente digital para retirada ou delivery”, afirmou o CEO.

MediPreço quer ir além de medicamentos

Pelo lado das empresas, a MediPreço oferece mais do que o benefício aos colaboradores. Ao se vender como uma empresa de tecnologia, ela também oferta dados que podem ser utilizados pela gestão dos recursos humanos (RH) com foco em aumentar a produtividade do time.

“O RH nunca teve um relatório tão poderoso e um mapa tão detalhado do perfil da sua população corporativa. O nosso discurso para o RH é poderoso pois falamos em evitar o adoecimento da sua população corporativa. O colaborador adoece, falta, vai ao hospital, gera sinistralidade. Então, a MediPreço é também um braço consultivo analisando dados para poder tomar decisões estratégicas”, explicou Máximo.

Questionado sobre a possibilidade de a companhia utilizar os dados para discriminar qualquer colaborador, o CEO da MediPreço é enfático ao citar que a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) prevê que os dados sejam entregues de forma anônima, ou seja, sem identificar qual colaborador compra o que.

“Está todo mundo assustado com a LGPD, mas ela veio para ajudar. O usuário está mais ciente com o que ele pode compartilhar, então a MediPreço ancora muito a segurança do colaborador, o termo é assinado em nossa plataforma e é feito de forma anônima, nem a MediPreço sabe quem consome um medicamento”, afirmou.

Para além dos dados, iniciativas do e-commerce de grandes conglomerados farmacêuticos vem ganhando espaço dentro do faturamento mensal dessas empresas. Essa briga, porém, não assusta o CEO da MediPreço.

Segundo ele, as grandes companhias do setor ainda estão disputando espaços demográficos por meio da abertura de lojas físicas.

“Hoje o digital é muito pequeno, chega a ser 1%, 2% do faturamento dessas companhias. Também não é estratégico virar para o digital, pois a farmácia ganha dinheiro no cross selling. A partir do momento que o cliente entra em uma farmácia, o medicamento é pequeno, mas vendendo desodorante, uma fralda, etc”, disse.

Além disso, o modelo da MediPreço é atrativo pois alia a logística com bons preços graças ao menor custo de não possuir uma rede física, de acordo com o CEO.

“A MediPreço conseguiu dentro desse modelo de negócios, ser atrativa. Conseguimos um desconto diferenciado, um potencial de agendamento de compra, no caso de um doente crônico, por exemplo”, disse.

“Oferecemos um novo canal de vendas para o distribuidor estratégico entender que hoje existe uma necessidade muito alta de manter uma estrutura física de uma farmácia. A MediPreço leva isso para uma distribuidora estratégica e ela recebe isso um pedido já faturado”, completou.

Vinicius Pereira

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