IPCA-15 avança 0,70% em setembro e supera projeções do mercado

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, subiu 0,70% em setembro de 2026, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (25). O resultado ficou acima da mediana de 0,53% projetada pelos analistas consultados pelo Projeções Broadcast e superou todas as estimativas do levantamento, cujo intervalo ia de 0,45% a 0,66%.

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A variação representou uma reversão expressiva em relação a agosto, quando o IPCA-15 registrou deflação de 0,40%, diferença de 1,10 ponto percentual entre os dois meses. Em setembro de 2025, o índice havia marcado 0,48%.

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 chegou a 4,47%, contra 4,24% registrados nos 12 meses anteriores e acima da mediana projetada pelo mercado, de 4,31%. No ano, o índice soma alta de 3,82%, ligeiramente acima dos 3,76% acumulados no mesmo período de 2025.

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Alimentos e combustíveis lideram a pressão

O grupo alimentação e bebidas foi o principal responsável pelo avanço do índice, com alta de 1,51% e contribuição de 0,32 ponto percentual para o resultado geral. A alimentação no domicílio subiu 1,96%, pressionada especialmente pelo tomate (+32,88%), pela cebola (+9,87%) e pela batata-inglesa (+16,50%). O leite longa vida avançou 5,22%, o café moído, 2,37%, e o frango inteiro, 2,53%. A alimentação fora do domicílio registrou alta mais moderada, de 0,50%.

O grupo transportes ficou em segundo lugar em impacto, com variação de 0,99% e contribuição de 0,19 ponto percentual. Gasolina e etanol subiram, respectivamente, 1,42% e 1,93%, enquanto as passagens aéreas avançaram 6,44%.

Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,73%, com contribuição de 0,09 ponto percentual. Habitação subiu 0,39%, influenciada pela alta de 0,58% na energia elétrica residencial. Vestuário avançou 0,50%; educação, 0,26%; artigos de residência e comunicação, 0,17% cada.

O único grupo a recuar foi despesas pessoais, com deflação de 0,10% e impacto negativo de 0,01 ponto percentual no índice.

No total, oito dos nove grupos que compõem o IPCA-15 registraram alta em setembro, o que indica pressão disseminada, sem concentração em um único setor da economia.

IPCA-15 se aproxima do teto da meta

O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou a meta de inflação para 2026 em 3%, com banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo, resultando em teto de 4,5%. Com o acumulado em 12 meses em 4,47%, o IPCA-15 se encontra a apenas 0,03 ponto percentual desse limite.

Os preços do IPCA-15 de setembro foram coletados entre 16 de agosto e 15 de setembro de 2026, abrangendo famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos em nove regiões metropolitanas, além de Brasília e Goiânia.

O IPCA cheio de setembro de 2026, índice oficial e definitivo, será divulgado pelo IBGE na segunda quinzena de outubro.

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Giovanna Oliveira

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