Ibovespa cai quase 1% com Vale (VALE3) e bancos; dólar vai a R$ 5,19
O Ibovespa fechou esta quinta-feira (24) em queda de 0,99%, aos 183.965,91 pontos, com perda de 1.848,18 pontos. Foi a segunda baixa consecutiva do índice, pressionado por Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e grandes bancos, em uma sessão marcada pelo avanço dos juros nos Estados Unidos e pela cautela com o cenário eleitoral brasileiro.
A aversão ao risco também apareceu no câmbio e nos juros futuros. O dólar voltou a subir e se aproximou de R$ 5,20, enquanto os DIs avançaram por toda a curva.
No exterior, investidores dividiram as atenções entre o encontro dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, a nova alta do petróleo e o avanço dos rendimentos dos Treasuries.
Eleições e juros pressionam o Ibovespa
No Brasil, o mercado manteve a cautela antes da divulgação de uma nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial. A proximidade do primeiro turno tem ampliado a influência das pesquisas sobre os preços dos ativos.
O ambiente externo também pesou. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano voltaram a avançar, com o Treasury de 30 anos chegando ao maior nível desde 2004. Declarações de dirigentes do Federal Reserve reforçaram ainda a possibilidade de uma nova alta dos juros americanos neste ano.
No cenário doméstico, o Relatório de Política Monetária do Banco Central reduziu a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026 de 2% para 1,8%. Para 2027, a estimativa é de expansão de 1,4%.
A autoridade monetária também projeta inflação acima do centro da meta de 3% até pelo menos o primeiro trimestre de 2029.
Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e bancos caem
As principais ações do Ibovespa terminaram majoritariamente no vermelho. Vale (VALE3) caiu 1,15%, enquanto Petrobras (PETR4) perdeu 0,69%, mesmo com a valorização do petróleo internacional.
Entre os bancos, Banco do Brasil (BBAS3) recuou 2,84%, Bradesco (BBDC4) caiu 1,39% e Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 1,18%. Santander (SANB11) destoou e avançou 0,51%.
Magazine Luiza (MGLU3) também contrariou o movimento do índice e subiu 2,94%. Já Lojas Renner (LREN3) caiu 1,79% e Vivara (VIVA3) perdeu 2,42%.
Cotação do dólar hoje
Foi a segunda valorização consecutiva da moeda americana. O movimento acompanhou a maior aversão ao risco, a alta dos juros dos Treasuries e a cautela dos investidores com a disputa eleitoral brasileira.
Maiores altas e baixas
Entre os destaques positivos, Magazine Luiza (MGLU3) avançou 2,94% e figurou entre as maiores altas do índice.
Na ponta negativa, RD Saúde (RADL3) despencou 5,38%, após o Mercado Livre (MELI34) anunciar a entrada na venda de medicamentos com receita. Banco do Brasil (BBAS3), Vivara (VIVA3), Lojas Renner (LREN3) e Vale (VALE3) também estiveram entre as pressões do pregão.
Fechamento das bolsas americanas
Wall Street terminou a quinta-feira sem direção única, depois de uma sessão volátil. O encontro entre Trump e Xi ajudou a aliviar parte das perdas, mas a alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries continuou limitando o apetite por risco.
- Dow Jones: +0,18%, aos 51.958,37 pontos
- S&P 500: -0,05%, aos 7.760,78 pontos
- Nasdaq: -0,35%, aos 27.149,09 pontos
O petróleo Brent voltou a superar US$ 100 por barril, diante da redução das expectativas de um acordo próximo entre Estados Unidos e Irã e das persistentes tensões envolvendo o Estreito de Ormuz.
Nesta sexta-feira (25), as atenções no Brasil se voltam para o IPCA-15 de setembro. A expectativa mencionada no insumo é de alta de 0,53% no mês e de 4,30% em 12 meses, dado importante para as apostas sobre os próximos passos do Copom.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de quarta-feira (23), foi de 185.814,09 pontos, com queda de 0,86%.