Febre dos BDRs: mercado gira R$ 1 bilhão por dia com Tesla (TSLA34), Nvidia (NVDC34) e Amazon (AMZO34) no radar

Comprar um pedacinho da Tesla sem abrir conta nos Estados Unidos, mandar dinheiro para o exterior ou preencher uma coleção de formulários deixou de ser algo reservado aos investidores mais experientes. Com um BDR, o brasileiro consegue acessar empresas estrangeiras diretamente pela B3, usando a mesma conta em que compra ações nacionais.

E o produto definitivamente saiu do cantinho da bolsa. Segundo dados da B3, a negociação média de BDRs passou de cerca de R$ 124 milhões por dia, em 2020, para mais de R$ 1 bilhão no acumulado de 2026 até a publicação do levantamento. Em pouco mais de cinco anos, o volume diário aumentou mais de oito vezes.

A quantidade de investidores seguiu o mesmo caminho. Em abril de 2026, 956 mil pessoas mantinham BDRs na carteira, número mais de sete vezes superior ao registrado em 2020.

Mas o que exatamente esses investidores compraram? Uma ação americana? Um pedaço do dólar? Um papel brasileiro com nome estrangeiro? Calma, porque a resposta é mais simples do que a sopa de letras faz parecer.

O que é BDR? Pense em um recibo com lastro no exterior

BDR é a sigla para Brazilian Depositary Receipt. Em português, significa certificado brasileiro de depósito de valores mobiliários.

Traduzindo: o que aparece na carteira do investidor não é diretamente a ação estrangeira, mas um certificado emitido e negociado no Brasil que representa esse ativo no exterior.

Uma instituição depositária mantém os valores mobiliários que servem de lastro e emite os certificados correspondentes no mercado brasileiro. Assim, o investidor consegue ter uma posição semelhante à que teria se comprasse o ativo estrangeiro, mas faz a operação em reais pela B3.

É como se a ação estivesse guardada do lado de fora, enquanto o investidor brasileiro carregasse um recibo negociável que representa aquele investimento.

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Um BDR também não precisa equivaler exatamente a uma ação. Existe uma relação chamada paridade, que determina quantos certificados correspondem ao ativo estrangeiro. Dependendo do programa, um BDR pode representar uma ação, uma fração dela ou um conjunto de ações.

Essa divisão ajuda a reduzir o valor necessário para começar. Mesmo que uma ação custe centenas ou milhares de dólares no mercado de origem, o certificado brasileiro pode ser negociado por uma quantia bem menor.

Como R$ 124 milhões viraram mais de R$ 1 bilhão?

A aceleração começou principalmente em 2020, quando as regras foram flexibilizadas e os BDRs passaram a ficar mais acessíveis aos investidores de varejo.

Antes disso, o produto era muito mais restrito e praticamente desconhecido fora das mesas profissionais. Com a abertura, a ampliação da oferta e o crescimento do interesse por diversificação internacional, o BDR foi deixando de ser figurante.

A possibilidade de investir em empresas globais sem abrir uma conta fora do Brasil ajudou nessa expansão. A negociação, a liquidação e a custódia acontecem na infraestrutura da B3, enquanto os proventos e demais direitos são operacionalizados por uma instituição depositária local.

Outro atrativo é que o investidor não precisa fazer uma remessa internacional. Por isso, a operação não está sujeita ao IOF aplicado sobre o envio de dinheiro ao exterior, segundo a B3.

Isso não significa, porém, que o investimento seja isento de impostos. Eventuais ganhos e proventos podem estar sujeitos à tributação, e o investidor deve verificar as regras vigentes antes de negociar.

Quais BDRs estão entre os mais negociados?

Nos 12 meses encerrados em abril de 2026, a lista dos BDRs mais negociados mostrou que o interesse não ficou limitado às gigantes de tecnologia.

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O ranking reuniu JBS (JBSS32), Tesla (TSLA34), Nvidia (NVDC34), Inter (INBR32), Mercado Livre (MELI34), XP (XPBR31), Nubank (ROXO34), Aura Minerals (AURA33), Strategy (M2ST34) e Amazon (AMZO34).

Considerando apenas abril, a Aura Minerals ocupou a primeira colocação, seguida por JBS, XP, Nubank e Tesla. Nvidia, Inter, Microsoft (MSFT34), Amazon e Mercado Livre completaram a relação divulgada pela B3.

A lista ajuda a mostrar a variedade disponível. Há certificados ligados a empresas de tecnologia, bancos digitais, mineração, comércio eletrônico e até companhias com negócios conhecidos no Brasil, mas sede ou estrutura societária no exterior.

O dólar entra na conta, mesmo sem aparecer na tela

O investidor compra o BDR em reais, mas o câmbio não desaparece por mágica. O preço do certificado costuma ser influenciado por dois movimentos principais: a cotação do ativo no exterior e a variação da moeda estrangeira frente ao real.

Imagine que uma ação suba nos Estados Unidos, mas o dólar caia bastante no mesmo período. Parte da valorização pode ser reduzida quando o resultado é convertido para reais.

O contrário também pode acontecer. Se a ação ficar praticamente parada, mas o dólar subir, o BDR pode apresentar valorização no Brasil. Isso não é uma regra automática, pois preço, paridade, liquidez, oferta e demanda também interferem na negociação.

Na prática, o investidor fica exposto tanto ao desempenho da empresa quanto ao câmbio. É uma característica importante para diversificar geograficamente a carteira, mas também representa uma fonte adicional de oscilação.

Os dividendos pagos pela empresa estrangeira podem chegar ao detentor do BDR em reais, depois da conversão e dos eventuais descontos aplicáveis. Podem existir impostos no país de origem e tarifas cobradas pela instituição depositária.

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R$ 1 bilhão por dia muda alguma coisa para o investidor?

Um mercado com maior volume tende a facilitar a entrada e a saída dos investidores. Quanto mais pessoas negociam um ativo, maiores são as chances de encontrar compradores e vendedores, o que pode ajudar a reduzir a distância entre os preços oferecidos.

Mas o volume bilionário representa o conjunto do mercado. Isso não quer dizer que todos os BDRs tenham a mesma liquidez. Os certificados mais conhecidos podem registrar milhares de negócios, enquanto outros passam longos períodos com poucas ordens.

Por isso, antes da compra, vale observar o volume negociado e a diferença entre a melhor oferta de compra e a melhor oferta de venda. Em um ativo pouco líquido, o investidor pode ter dificuldade para vender rapidamente pelo preço esperado.

O crescimento também mostra que a internacionalização das carteiras está ficando mais simples. Em vez de concentrar todo o dinheiro em empresas brasileiras, o investidor consegue acessar diferentes países, setores e moedas usando a própria B3.

Como investir em BDR?

O caminho é parecido com o da compra de uma ação. Primeiro, é preciso ter uma conta em uma corretora ou banco de investimentos. Depois, o investidor deve verificar se o produto é compatível com seu perfil de risco.

No home broker, basta pesquisar o código do BDR, escolher a quantidade e enviar a ordem. TSLA34, por exemplo, identifica o certificado da Tesla, enquanto NVDC34 representa a Nvidia e AMZO34 dá acesso à Amazon.

A facilidade operacional, porém, não transforma o produto em renda fixa. O preço pode subir ou cair, e o investidor pode perder dinheiro. Além do balanço da empresa, é necessário acompanhar o setor, a economia do país de origem, o câmbio e a liquidez do certificado.

O salto para mais de R$ 1 bilhão negociado diariamente mostra que investir em empresas globais pela bolsa brasileira deixou de ser uma excentricidade. Ainda assim, o BDR deve entrar na carteira pela estratégia e pela diversificação que oferece, não apenas porque a empresa representada fabrica um celular famoso, vende carros elétricos ou aparece todos os dias nas redes sociais.

Antes de escolher um BDR, não basta conhecer a empresa, analisar números e acompanhar o dólar. Também é preciso entender como o próprio comportamento influencia as decisões. Pela primeira vez, a Suno liberou gratuitamente três e-books da Coleção Mentoria sobre mentalidade, fanatismo nos investimentos e a relação do investidor com o mercado. A oportunidade fica disponível por apenas 48 horas. Acesse gratuitamente.

Maíra Telles

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