Inter & Co (INBR32): ação desaba, mas analistas veem virada no radar

O Inter & Co (INBR32) perdeu força na Bolsa em 2026, mas a queda pode ter aberto uma janela de reavaliação para a ação, segundo analistas do BTG Pactual. Após visita à sede do banco digital em Belo Horizonte, a equipe saiu mais confiante com a trajetória de rentabilidade da companhia e manteve recomendação de compra para os papéis.

No relatório, assinado por Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, os analistas afirmam que a ação acumula queda de 32% no ano. Ainda assim, eles avaliam que os fundamentos do banco digital seguem em evolução, com melhora esperada do ROE, avanço da margem financeira, crescimento das receitas de serviços e controle dos riscos de crédito.

O BTG tem preço-alvo de R$ 51 para o Inter & Co. Considerando o preço de R$ 29,40 usado no relatório, o potencial de valorização é de 73,5%. Com dividend yield projetado de 2,7%, o retorno total estimado chega a 76,1%.

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Inter mira ROE maior e cliente mais rentável

Um dos principais pontos da análise é a melhora esperada do ROE, indicador que mede o retorno sobre o patrimônio líquido. A administração do Inter demonstrou conforto com a possibilidade de o ROE chegar a 17% ou 18% no quarto trimestre de 2026.

Além disso, segundo o relatório, o CEO Alexandre Riccio avalia que a própria inércia dos resultados pode levar o banco a um ROE de pelo menos 20% em alguns anos, embora a ambição da companhia seja ainda maior.

Para o segundo trimestre de 2026, os analistas esperam avanço nos resultados. A margem financeira deve crescer cerca de 0,20 ponto porcentual na comparação trimestral, enquanto a expansão esperada para o ano é de aproximadamente 0,40 ponto porcentual.

As receitas de serviços, que cresceram 18% no primeiro trimestre, devem continuar próximas de 20% ao ano no segundo trimestre, apoiadas pelo crescimento do volume transacionado em cartões. Já as despesas operacionais devem avançar menos do que o esperado inicialmente, já que o Inter não prevê mais aumentar o quadro de funcionários no ritmo antes planejado.

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Crédito segue no radar, mas risco parece controlado

A qualidade do crédito continua sendo o principal ponto de debate para investidores. Ainda assim, a administração do Inter demonstrou confiança de que os riscos estão sob controle.

O relatório aponta que o cartão de crédito piorou um pouco mais do que o previsto inicialmente, mas a companhia já identificou alguma melhora nas tendências recentes. No consignado privado, o desempenho também foi mais fraco do que o esperado, afetado por questões operacionais ligadas a mudanças de vínculo empregatício.

Mesmo assim, os analistas destacam que o Inter ajustou critérios de concessão, direcionou o mix para grupos de menor risco e ampliou a originação pelo aplicativo. Outro ponto considerado positivo é que cerca de dois terços da carteira de crédito do banco são colateralizados, o que reduz a dependência de um cenário macroeconômico favorável.

O Desenrola 2.0 também aparece como potencial fator positivo, com expectativa de maiores volumes de regularização, melhora na experiência do cliente e possível recuperação de provisões líquidas de descontos.

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Queda da ação pode ter sido exagerada?

Para os analistas, a queda recente das ações abriu uma margem de segurança maior. Desde o relatório publicado em 6 de abril, os papéis do Inter acumulam baixa de 28%, enquanto a queda no ano chega a 32%.

A leitura do BTG é que a ação passou a se comportar mais como uma fintech de alto beta do que os fundamentos atuais justificariam. A casa destaca que o Inter tem balanço forte, carteira de crédito altamente colateralizada e sensibilidade mais neutra aos juros do que no passado, o que pode ajudar a companhia mesmo em um ambiente de juros altos por mais tempo.

Com os papéis negociando a cerca de 7,5 vezes o lucro estimado para 2026 e com expectativa de continuidade no crescimento dos resultados, os analistas afirmam que a margem de segurança melhorou de forma relevante.

Para o Inter & Co, a mensagem do relatório é que a Bolsa pode estar olhando mais para o tombo recente do que para a trajetória operacional. Se a rentabilidade continuar subindo e o crédito permanecer sob controle, os analistas veem espaço para a ação recuperar parte do terreno perdido.

Maíra Telles

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