Dólar avança com novas declarações do presidente do Fed sobre alta da inflação e tapering nos EUA

Dólar avança com novas declarações do presidente do Fed sobre alta da inflação e tapering nos EUA
Dados da inflação nos Estados Unidos anima mercados. Foto: Pixabay

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, voltou a dizer nesta quarta (1) que o risco de inflação nos EUA subiu e que a política monetária do banco está pronta para dar a resposta. O mercado de câmbio reagiu com alta do dólar (0,59%), fechando o dia cotado a R$ 5,6703.

O dólar também avançou em meio à indefinição sobre aprovação da PEC dos Precatórios e a propagação da ômicron ao redor do globo. A confirmação do primeiro caso da variante nos Estados Unidos também pressionou o dólar.

Powell disse em audiência na Câmara dos Representantes que o nível alto dos índices de preços ao consumidor está mais persistente do que o esperado, devido sobretudo ao aumento da demanda da população norte-americana e problemas na oferta de produtos e serviços causados pela pandemia.

O dirigente deixou bem claro que o banco central norte-americano vai agir para combater o aumento expressivo dos índices de preços ao consumidor nos EUA. “Estamos preparados para usar nossos instrumentos (de política monetária) para que a alta da inflação não fique enraizada”, afirmou Powell.

O presidente do Federal Reserve disse ainda que o Fed está “telegrafando de forma apropriada” o tapering e que isso não deve trazer “rupturas a mercados”, referindo-se ao processo de redução do programa de afrouxamento quantitativo adotado pelo banco central americano em março de 2020. “É apropriado considerar na próxima reunião o Fed acelerar o tapering.”

Ao ser questionado de forma persistente por um parlamentar se, nas avaliações do Federal Reserve de que a inflação baixará no segundo semestre de 2022, está considerada a aprovação pelo Congresso do plano do Poder Executivo dos EUA de investimentos de US$ 1,75 trilhão em educação, saúde e combate a mudanças climáticas, Jerome Powell, afirmou: “Assumimos que “algo” será aprovado, mas é difícil dizer quanto, pois esta questão não está definida.”

Expectativa da PEC dos precatórios impacta no dólar e curva de juros

O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), anunciou que a PEC dos Precatórios será o primeiro item da pauta do plenário hoje, antes da votação das indicações de autoridades. A sessão só deve começar após a sabatina do ex-ministro André Mendonça, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Com atrasos no radar, Pacheco também incluiu a PEC na pauta de quinta-feira (2).

A indefinição mexeu com a curva de juros: os de curto prazo caíram, e os de logo fecharam seguindo tendência de alta.

Nesta terça-feira (30), o texto foi aprovado na CCJ no Senado por 16 votos a 10. A proposta seguiu agora para o plenário da Casa. Os integrantes do colegiado rejeitaram os destaques apresentados. O líder do governo e relator da PEC, Fernando Bezerra (MDB-PE), anunciou uma nova mudança para incluir a renda básica como um direito na Constituição a pessoas em vulnerabilidade social. Há pressão para outras alterações na votação final.

A PEC abre caminho para o programa substituto do Bolsa Família, que pagará R$ 400 aos beneficiários, mas somente até o final do ano que vem.

Juros: Taxas curtas caem e longas sobem, com Ômicron, PEC e realização de lucros

Os juros futuros começaram dezembro sem firmar direção única, como tem sido a tônica dos últimos dias, em meio às incertezas sobre os efeitos da variante Ômicron na economia global e consequente resposta das autoridades monetárias e, internamente, à espera do desfecho da tramitação da PEC dos Precatórios no Senado. No fechamento, as taxas curtas estavam em baixa e as longas, com viés de alta. Este trecho passou por uma realização parcial dos lucros após a queda firme nas três sessões anteriores, iniciada no começo da tarde, mas que perdeu ímpeto com a reação dos ativos globais à confirmação do primeiro caso da cepa Ômicron nos Estados Unidos.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a sessão regular em 11,82%, de 11,886% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 ficou estável em 11,49%. A do DI para janeiro de 2027 subiu de 11,383% para 11,42%. No fechamento da sessão estendida, estes DIs tinham respectivas taxas de 11,78%, 11,49% e 11,44%.

“O mercado está um pouco observador com a questão da PEC e sabatina de André Mendonça no Senado. No front externo, ainda não está claro se a questão da ômicron terá efeito desinflacionário pela menor mobilidade das pessoas e novas restrições de atividade”, afirmou o analista de Investimentos Renan Sujii.

A votação da PEC dos Precatórios no plenário estava prevista para hoje no plenário do Senado, mas a sabatina do ex-ministro da Justiça André Mendonça, indicado para compor o Supremo Tribunal Federal, e as difíceis negociações dos ajustes ao texto colocavam em risco a apreciação, que acabou ficando para amanhã. A indicação de Mendonça foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por 18 a 9 e a votação em plenário pode ocorrer ainda hoje.

Em boa medida, a aprovação da PEC está precificada e um revés do governo tem potencial para fazer estragos nos ativos. “O placar segue incerto, com pequena vantagem para o governo pela aprovação”, afirma a equipe da Necton Política.

Segundo o economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano, a curva passou hoje por um movimento de correção dos últimos dias, “após os temores da Ômicron sobre atividade e ativos”. O comportamento dos mercados internacionais contribuiu para o ajuste, em especial o do petróleo, que mostrou avanço em boa parte da sessão, mas ainda sem voltar a US$ 70, e no fim acabou virando para o negativo.

A chance de um alívio nos combustíveis tem contribuído para a visão de um Copom menos agressivo no ciclo de aperto monetário, com a probabilidade de uma alta de 2 pontos porcentuais na Selic no encontro da próxima semana já enfraquecida. “O mercado está consolidando 150 pontos, especialmente nas digitais”, comentou o economista da Greenbay.

No fim da tarde, houve uma piora de humor generalizada nos mercados internacionais e o rendimento da T-Note de dez anos inverteu o sinal para queda, o que tirou fôlego de correção dos DIs longos. O gatilho foi a confirmação do primeiro caso da cepa ômicron nos Estados Unidos. A variante já está presente em mais de 20 países, incluindo o Brasil com três casos confirmados em São Paulo.

Biden projeta inflação moderada e se diz otimista quanto ao impacto da Ômicron

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que as pressões inflacionárias que afetam a economia do país irão moderar à medida que os desafios enfrentados durante a retomada da crise da covid-19 são superados. Entre eles, o mandatário destacou os problemas na cadeia de suprimentos global.

Segundo Biden, sua administração usou todos os dispositivos ao seu alcance, como a liberação de reservas de petróleo em coordenação com outros países, para conter a alta inflação nos EUA. Ele ainda destacou que o fenômeno nos preços é global, durante discurso nesta quarta-feira.

Perguntado se teme que a variante Ômicron do coronavírus pode piorar os fatores que impulsionam a inflação, Biden disse estar otimista e ressaltou que, até agora, não há motivo para crer que isso vai acontecer. Para ele, a cepa é um causa para preocupação, mas não pânico.

Biden também fez novas defesas à sua agenda econômica, nomeada Build Back Better e que inclui investimentos em infraestrutura, sociais e aumento de impostos a grandes empresas e à parcela mais rica dos americanos.

O presidente dos EUA disse que o plano econômico não vai aumentar as pressões inflacionárias, mas sim moderá-las no longo prazo, além de reduzir o déficit fiscal do país em cerca de US$ 100 bilhões. O mercado do dólar também está com esse plano no radar.

(Com informações da Agência Estado)

Bruno Galvão

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