Ibovespa abre entre ganhos e perdas de olho na distribuição dos recursos do megaleilão

Ibovespa abre entre ganhos e perdas de olho na distribuição dos recursos do megaleilão
Na manhã de hoje, por volta das 10h05, o Ibovespa apresentava leve queda de 0,02%, alcançando 101.334,55 pontos

O Ibovespa inicia nesta quarta-feira (16) em baixa. O ânimo dos investidores com a aprovação da divisão dos recursos do megaleilão está contido devido à nova instabilidade na guerra comercial, novidades no Brexit e pedido de recuperação judicial da Renova.

Por volta das 10h20, o Ibovespa registrava uma leve baixa de 0,54%, chegando a 103.925,25 pontos. O mercado está atento à aprovação do Senado para a distribuição dos recursos do maior leilão de petróleo do mundo.

Além disso, segue no radar dos investidores os novos capítulos da disputa comercial e da saída do Reino Unido da União Europeia, além das dívidas da Renova Energia.

Megaleilão

O projeto que divide os recursos do megaleilão de petróleo com estados e municípios foi aprovado pelo Senado na última terça-feira (15). O texto base foi aprovado com 68 votos favoráveis e nenhum contrário.

O texto do megaleilão segue para a sanção do Presidente da República. A conclusão desse projeto deve destravar a reforma de Previdência, prevista para para o dia 22 na Casa.

O leilão, equivalente à chamada cessão onerosa, será realizado no dia 6 de novembro. Trata-se do petróleo excedente em uma região em que a Petrobras (PETR3; PETR4) atuava. O contrato da União com a petroleira nacional, firmado em 2010, estimava a retirada de um menor volume de barris do que o local tem capacidade.

A divisão dos recursos arrecadados faz parte do pacto federativo, um agrupamento de projetos que visam elevar os recursos dos Estados e municípios. Segundos os senadores, esse conjunto foi elaborado como forma de “compensar” a aprovação da reforma da Previdência.

China atenta ao posicionamento norte-americano

Mesmo com o possível acordo parcial entre Estados Unidos e China, o mercado internacional segue atento ao desdobramento, devido as falas do Ministério da China sobre a decisão do Congresso norte-americano de apoiar a Lei dos Direitos Humanos em Hong Kong.

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“A situação atual em Hong Kong não tem nada a ver com direitos humanos ou democracia. A verdadeira questão é acabar com a violência em breve, restaurar a ordem e proteger o Estado de Direito”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang.

“A China está determinada a tomar fortes medidas em resposta às decisões erradas do lado americano, para defender sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento”, completou Shuang.

Brexit

Os negociadores da saída do Reino Unido da União Europeia veem avanços no Brexit. O negociador da União Europeia, Michel Barnier, disse nesta terça-feira (15), que um acordo com o Reino Unido é possível.

Além disso, o Ministro britânico, Steve Barclay, disse que “ainda é muito possível” alcançar um acordo, ainda que as “discussões sigam em cursos”.

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Barnier e Barclay devem se encontrar em breve para tentar avançar as negociações antes da próxima quinta-feira (17) e sexta-feira (18).

No entanto, a pretenção do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, é tentar encerrar as conversas com o bloco europeu antes da reunião dos líderes nesta semana.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, também disse que ainda existem pendências. Segundo ele, permencem questões em aberto, particularmente em torno da Irlanda do Norte, portanto, as conversas podem levar mais tempo que o imaginado.

Renova entra com pedido de recuperação judicial

Na manhã desta quarta-feira (16), a Renova Energia (RNEW11) entrou com o pedido de recuperação judicial. O pedido engloba dívidas de aproximadamente R$ 3,1 bilhões. Desses, R$ 11,7 milhões estão ligados a processos trabalhistas, e os outros R$ 3,1 bilhões a bancos e demais credores e empresas, com e sem garantia real.

No fato revelante divulgado na manhã desta quarta, a Renova informou que, do total a ser pago, R$ 834 milhões são referentes a débitos “intercompany”, além de “expressivos R$ 980 milhões” a débito com seus acionistas atuais.

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O pedido de recuperação judicial foi aprovado na última terça-feira (15) pelo Conselho de Administração da Renova. A empresa possuía uma dívida de R$ 1 bilhão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com prazo de vencimento ontem. A companhia procurar prolongar esse prazo.

No comunicado, a Renova “reitera o compromisso de manter os acionistas e o mercado em geral devida e oportunamente informados nos termos da legislação aplicável, e informa que documentos referentes ao pedido de recuperação judicial serão disponibilizados no site da CVM“.

Última cotação do Ibovespa

Na última sessão, terça-feira (15), o Ibovespa encerrou o pregão com uma alta de 0,18% com 104.489,56 pontos.

Jader Lazarini

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