Ibovespa ignora alta externa e cai com permanente temor fiscal

O tom otimista no exterior é insuficiente para empolgar nesta terça-feira, 3, o Ibovespa, que na segunda-feira caiu 3,06%, fechando aos 106.376,02 pontos, por conta das crescentes incertezas fiscais no novo governo. A volta dos mercados americanos tende a elevar a liquidez doméstica, mas a agenda esvaziada aqui e lá fora abre espaço para volatilidade.

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A expectativa é que as bolsas dos Estados Unidos iniciem o primeiro pregão de 2023 em alta, após sinais de que a China adotará novas medidas para animar a economia após dados fracos de atividade em dezembro. Este indício anima as ações ligadas a commodities metálicas na B3, possível reflexo no Ibovespa.

Além disso, o dólar forte é outro fator a estimular elevação desses papéis. Porém, a valorização da moeda americana pesa no petróleo, que cai mais de 1%, contaminando Petrobras (PETR4) — uma das principais empresas dentro do Ibovespa —, que ainda sofre pro questões internas.

Investidores seguem atentos a eventuais sinais sobre a política de preços da companhia. Hoje, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), deve formalizar o senador Jean Paul Prates (PT-RN), indicado para presidir a estatal, ao Conselho de Administração da estatal. Silveira já disse em seu discurso de posse que a pasta adotará medidas para proteger os consumidores de oscilações internacionais de preços dos combustíveis.

O embate entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e a ala política do PT envolvendo a prorrogação da desoneração dos combustíveis deve continuar. Conforme a Coluna do Estadão, a corrente conservadora petista quer esticar a redução tributária por pelo menos seis meses, podendo chegar a um ano. Essa possibilidade deve reforçar a desconfiança do mercado em relação ao comprometimento do novo governo de um fiscal crível.

Hoje, em Live promovida pelo site Brasil 247, Haddad afirmou que a decisão de estender a desoneração tributária sobre gasolina e etanol por 60 dias foi adotada em virtude do tempo que será necessário para que o senador Jean Paul Prates assuma a Petrobrás.

O ministro também disse que a economia brasileira está desacelerando há dois trimestres, e que as “pessoas estavam iludidas.”

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“Como destacou Haddad, se forjou muito o resultado da economia indicadores. Se isso for verdade, o novo governo terá de lidar com isso. Só que ainda não sabemos como e o que será feito. Sem a âncora fiscal, a largada está sendo complicada. E ainda tem a queda das ações da Petrobras e de Banco do Brasil (BBAS3) após sinais de não privatização”, diz o economista Álvaro Bandeira.

Haddad ainda disse que a partir do fim de abril começará a discutir a reforma tributária e o arcabouço fiscal no Congresso. Isso, na avaliação de Bandeira, pode ser insuficiente para animar os investidores.

Segundo Bandeira, o mercado fica na defensiva após a “rasteira” dada no ministro depois da prorrogação da desoneração dos combustíveis. “A fala do ministro sobre arcabouço fiscal é positiva, mas as anteriores também foram e elas foram derrubaram. Então, o crédito é pequeno”, completa o consultor de Finanças.

“O mercado está tentando entender quem manda no governo. O Haddad diz que o Lula Luiz Inácio Lula da Silva participará das decisões da Fazenda, e isso pode ser um perigo, dado viés do presidente mais próximo da população populista. Muito provavelmente, este governo será pautado em sucessão. Afinal, qual deverá ser o legado deste governo?”, questiona Felipe Cima, operador de renda variável da Manchester Investimentos.

Na avaliação da Genial Investimentos, a falta de moderação no discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na posse, e a primeira derrota da equipe econômica sinalizam que o foco, pelo menos no curto prazo, será agradar ao eleitor em detrimento à responsabilidade fiscal.

“A postura divergente entre os discursos do presidente Lula e de Fernando Haddad geram mais volatilidade ao cenário que já incorpora um nível de incerteza acima do usual”, avalia nota da Genial.

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Principais altas e baixas do Ibovespa no início desta terça

Às 11h56, as maiores altas do Ibovespa foram:

  • Qualicorp (QUAL3): 18,12%
  • Magazine Luiza (MGLU3) 3,09%
  • Grupo Soma (SOMA3): 2,49%
  • Eneva (ENEV3): 2,23%
  • Hapvida (HAPV3): 2,16%

Já as maiores baixas do Ibovespa no mesmo horário foram:

  • BRF (BRFS3): -3,14%
  • BTG Pactual (BPAC11): -3,10%
  • Bradesco (BBDC3): -2,04%
  • Bradesco (BBDC4): -1,97%
  • Alpargatas (ALPA4): -1,95%

Às 11h56, o Ibovespa cedia 0,21%, aos 106.151 pontos. Petrobras caía 0,87% (PN) e subia 0,11% (ON), enquanto Banco do Brasil ON tinha recuo de 0,90%; Vale (VALE3) ON cedia 0,08%

Com Estadão Conteúdo

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Redação Suno Notícias

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