Ibovespa cai 1,52% após Fed manter juros e tensão no Oriente Médio ganhar força
O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (29) em forte queda, pressionado pelo aumento da aversão ao risco nos mercados globais após o Federal Reserve (Fed) manter os juros dos Estados Unidos e reforçar um discurso firme no combate à inflação. O principal índice da B3 recuou 1,52%, aos 173.885,34 pontos, com bancos e siderúrgicas liderando as perdas, enquanto a alta do petróleo sustentou as ações da Petrobras (PETR3; PETR4).
Além da decisão do banco central americano, investidores voltaram a monitorar a escalada das tensões no Oriente Médio, após novas ameaças dos Estados Unidos ao Irã elevarem as preocupações com a oferta global de petróleo.
Cotação do dólar hoje
- Dólar comercial: fechou em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,108, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana após a coletiva do presidente do Fed.
Fechamento das bolsas americanas
- Dow Jones: queda de 2,19%, aos 51.594,14 pontos;
- S&P 500: baixa de 1,52%, aos 7.316,15 pontos;
- Nasdaq: recuo de 1,74%, aos 24.442,94 pontos.
As bolsas americanas ampliaram as perdas após o Fed manter a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano e indicar que novas elevações continuam sendo uma possibilidade caso a inflação permaneça elevada.
Fed e petróleo pressionam o mercado
Segundo Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, o Ibovespa operou em queda mesmo com uma melhora pontual das bolsas americanas durante a tarde.
O especialista destaca que a alta do petróleo continuou favorecendo as empresas ligadas à commodity. Petrobras (PETR3; PETR4), PRIO (PRIO3) e Braskem (BRKM5) figuraram entre os destaques positivos do pregão, enquanto Vale (VALE3) acompanhou a queda do minério de ferro.
Entre os bancos, Santander Brasil (SANB11) registrou uma das maiores perdas do índice após divulgar um resultado considerado fraco pelo mercado.
Bresciani também ressalta que os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) vieram acima das expectativas, reforçando a percepção de um mercado de trabalho ainda resiliente, apesar dos juros elevados.
Sobre a decisão do Fed, o analista observa que o comunicado trouxe poucas mudanças em relação à reunião anterior, mas chamou atenção pelo aumento das divergências entre os dirigentes, com três votos favoráveis a uma alta adicional de 0,25 ponto percentual.
Durante a coletiva, o presidente da autoridade monetária destacou a força da economia americana e do mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que reiterou o compromisso com a meta de inflação de 2%. Apesar do tom firme, parte do mercado interpretou que novos aumentos de juros podem não ser necessários caso o cenário inflacionário continue evoluindo favoravelmente.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Entre as maiores perdas do pregão, CSN (CSNA3) caiu 7,80%, seguida por Santander Brasil (SANB11), que recuou 7,37% após divulgar seu balanço do segundo trimestre.
Os bancos também pressionaram o índice. Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 2,43%, Bradesco (BBDC4) perdeu 2,24% e Vale (VALE3) recuou 0,85%.
Na ponta positiva, PRIO (PRIO3) liderou os ganhos do índice, com alta de 2,89%, enquanto Petrobras (PETR3) avançou 2,35% e PETR4 subiu 1,92%, acompanhando a disparada de quase 8% do petróleo Brent.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de terça-feira (28), foi de 176.564,75 pontos, com alta de 0,70%.