Ibovespa cai 0,93% com petróleo acima de US$ 100 e interrompe fôlego do ‘trade eleitoral’
O Ibovespa fechou em queda de 0,93% nesta quarta-feira (9), aos 185.629,04 pontos, pressionado pela aversão ao risco no exterior após uma nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O índice oscilou entre 184.810,27 pontos e 187.362,44 pontos, com giro financeiro de R$ 26,7 bilhões.
Depois da forte reação recente às pesquisas eleitorais, o mercado brasileiro passou por uma sessão de realização e maior cautela. O petróleo Brent voltou a superar os US$ 100 por barril, aumentando as preocupações com inflação global e, consequentemente, com juros elevados por mais tempo.
“O Ibovespa opera em queda, enquanto o dólar sobe. O DI de curto prazo permanece praticamente estável e os vencimentos mais longos avançam”, afirma Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank.
Segundo ele, a pressão veio principalmente do ambiente internacional. “O petróleo continua subindo diante da falta de novidades sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, enquanto as Treasuries avançam em meio às preocupações com inflação e juros mais altos nos Estados Unidos.”
Petróleo acima de US$ 100 pesa no Ibovespa
O Brent para novembro avançou 3,36%, a US$ 101,21 por barril, após novos ataques no Estreito de Ormuz, enquanto o petróleo dos Estados Unidos também subiu. O movimento ampliou o temor de uma pressão inflacionária mais persistente em escala global.
A Petrobras (PETR3; PETR4) conseguiu se descolar do mau humor e terminou no campo positivo, beneficiada diretamente pela valorização do petróleo.
Bresciani também destaca o desempenho das commodities. “No Brasil, Petrobras e Vale sobem, com petróleo e minério também em alta.”
Ainda assim, o efeito positivo desses papéis não foi suficiente para impedir a queda do índice, em uma sessão marcada pela saída de investidores de ativos de maior risco.
Cotação do dólar hoje
- Dólar à vista: alta de 0,44%, a R$ 5,1114.
A moeda americana avançou diante da deterioração do ambiente internacional, depois de acumular quedas recentes com a melhora da percepção sobre o cenário eleitoral brasileiro.
“As pesquisas eleitorais ajudaram a sustentar a bolsa recentemente, especialmente após a divulgação de um cenário de empate técnico. Porém, a continuidade desse movimento ainda depende de novas sinalizações”, avalia Bresciani.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Entre as maiores altas durante a sessão, Yduqs (YDUQ3) e CSN (CSNA3) chegaram a avançar 3,02%, seguidas por Brava Energia (BRAV3), CSN Mineração (CMIN3) e Embraer (EMBJ3). Na ponta negativa, apareceram Tenda (TEND3), Azzas 2154 (AZZA3), Raia Drogasil (RADL3), Direcional (DIRR3) e MRV (MRVE3).
Fechamento das bolsas americanas
Wall Street também terminou no vermelho, com o petróleo acima de US$ 100 e a alta dos rendimentos dos Treasuries pressionando os ativos de risco.
- Dow Jones: -0,77%, aos 52.381,08 pontos
- S&P 500: -0,48%, aos 7.636,49 pontos
- Nasdaq: -0,64%, aos 26.253,34 pontos
A escalada do conflito no Oriente Médio voltou a colocar as preocupações inflacionárias no centro das atenções, justamente em um momento no qual o mercado tenta antecipar os próximos passos do Federal Reserve.
No Brasil, o chamado “trade eleitoral” segue como um dos principais vetores da bolsa, mas a sessão desta quarta-feira mostrou que o ambiente internacional continua capaz de interromper o rali doméstico.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de terça-feira (8), foi de 187.367 pontos, com alta de 1,20%.