Ibovespa interrompe sequência de 11 quedas e volta a subir com fluxo estrangeiro
O Ibovespa finalmente interrompeu nesta quarta-feira (19) a sequência de 11 pregões consecutivos de queda, a maior série negativa em três anos. O principal índice da B3 avançou 0,90%, aos 167.830,27 pontos, apoiado pela melhora do apetite por risco no exterior e pelo desempenho positivo das principais blue chips da bolsa, como Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3) e os grandes bancos.
O movimento ganhou força após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar que pretende pelo menos dobrar as recompras de títulos públicos de longo prazo. A medida pressionou os rendimentos dos Treasuries para baixo e estimulou investidores globais a buscar ativos com maior potencial de retorno, favorecendo mercados emergentes como o Brasil.
Cotação do dólar hoje
- Dólar comercial: fechou em queda de 0,85%, cotado a R$ 5,177, acompanhando o recuo dos rendimentos dos Treasuries e a melhora do fluxo para ativos de maior risco.
A moeda americana também perdeu força no exterior, com o índice DXY recuando aproximadamente 0,26% durante a sessão.
Fluxo estrangeiro ajuda Ibovespa a reagir
O anúncio do Tesouro americano aumentou a procura por títulos dos Estados Unidos e, consequentemente, elevou seus preços e reduziu as taxas. Com retornos menores nos ativos considerados mais seguros, parte dos investidores voltou a procurar oportunidades em mercados emergentes.
O movimento ajudou justamente as ações mais líquidas da B3. Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3) e os bancos avançaram e deram sustentação ao índice durante o pregão. A Petrobras subiu ainda com a repercussão de uma possível descoberta na Bacia da Foz do Amazonas, enquanto Vale acompanhou a valorização do minério de ferro.
A melhora, contudo, não significa necessariamente uma mudança definitiva de tendência. O mercado brasileiro continua pressionado pelas preocupações fiscais, pela aproximação das eleições e pela saída de recursos estrangeiros registrada nas últimas semanas.
Além disso, o cenário internacional permanece cercado de incertezas, especialmente diante do conflito entre Estados Unidos e Irã e dos riscos para o petróleo e a inflação global.
Ata do Fed também entra no radar
Os investidores também repercutiram a ata da última reunião do Federal Reserve, que mostrou preocupação persistente dos dirigentes com a inflação. O documento indicou que novas altas de juros podem continuar sendo consideradas caso os preços permaneçam acima da meta de 2%.
Por isso, apesar do alívio trazido pelas recompras do Tesouro americano, o cenário para os juros dos Estados Unidos ainda segue como um dos principais fatores de risco para ativos emergentes.
Fechamento das bolsas americanas
Os principais índices de Nova York também interromperam uma sequência de três quedas e encerraram o pregão em alta após o anúncio do Tesouro americano.
- Dow Jones: +0,22%, aos 53.463,05 pontos;
- S&P 500: +0,21%, aos 7.707,98 pontos;
- Nasdaq: +0,16%, aos 26.331,09 pontos.
Mesmo com a recuperação desta quarta-feira, o Ibovespa continua distante das máximas registradas no primeiro semestre e ainda depende da retomada consistente do fluxo estrangeiro para consolidar uma recuperação.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de terça-feira (18), foi de 166.334,86 pontos, com queda de 0,27%.
Com Estadão Conteúdo