Ibovespa cai de novo e perde os 168 mil pontos; eleição afasta estrangeiros da Bolsa

O Ibovespa até ensaiou uma trégua nesta quarta-feira (12), depois do tombo de 2,5% da véspera, mas não encontrou força para sustentá-la. Entre o alívio trazido pela inflação americana e a cautela crescente com o cenário eleitoral brasileiro, o índice alternou sinais durante boa parte do pregão e terminou novamente no vermelho, ampliando para sete a sequência de sessões de queda.

O principal índice da B3 recuou 0,23%, aos 167.491 pontos, depois de alcançar 168.310 pontos na máxima e 167.142 pontos na mínima. O giro financeiro ficou em aproximadamente R$ 24,2 bilhões.

A pressão desta vez foi menor, mas veio do mesmo lugar que tem incomodado o mercado nos últimos dias. Com a proximidade das eleições e o aumento das incertezas sobre o cenário doméstico, investidores estrangeiros vêm reduzindo a exposição à Bolsa brasileira. Dados da B3 mostram que os não residentes retiraram R$ 1,7 bilhão do mercado de ações na segunda-feira (10), completando cinco pregões consecutivos de saída e levando o saldo negativo de agosto a R$ 7,2 bilhões.

Para Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, o índice passou o dia “sem direção definida”, mesmo depois da sequência de perdas. Segundo ele, o mercado brasileiro continuou sensível ao noticiário e ao ambiente de aversão a risco, enquanto o vencimento de opções e futuros sobre o Ibovespa adicionou volatilidade e ajudou a explicar o vaivém das cotações.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2026/08/Banner-LM-Home-01-Dkp_-1420x240-_-V1-2-png.webp

Bancos e Petrobras pressionam o Ibovespa

Entre as ações de maior peso, os bancos contribuíram para manter o índice no campo negativo. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,45%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 1,46%. Os papéis do Bradesco (BBDC3) recuaram 0,14%.

A Petrobras também terminou no vermelho, acompanhando um pregão de pouca força para o petróleo. PETR3 caiu 0,45%, enquanto PETR4 recuou 0,50%.

O movimento ajuda a explicar por que o Ibovespa não conseguiu acompanhar o desempenho mais favorável observado em Wall Street. Depois da forte queda da terça-feira, faltaram compradores dispostos a aumentar posições mesmo com os preços mais baixos.

Cotação do dólar hoje

No câmbio, o dólar começou o dia em queda, beneficiado pela divulgação da inflação americana, mas perdeu força ao longo da sessão. A moeda terminou em alta de 0,26%, a R$ 5,177, maior cotação desde 9 de junho.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/DT-PS-HOME-DE-ARTIGOS-1420x240-ID_01_x1.jpg

Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor, o CPI, avançou 0,1% em julho e acumulou alta de 3,4% em 12 meses. A leitura ajudou a aliviar os rendimentos dos Treasuries e pressionou inicialmente o DXY, índice que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de moedas.

Girardi explica que esse ambiente chegou a favorecer moedas emergentes, mas o movimento perdeu força durante a tarde conforme as preocupações domésticas e externas voltaram ao radar.

Fechamento das bolsas americanas

Wall Street teve desempenho melhor nesta quarta-feira, com o S&P 500 se aproximando novamente de suas máximas históricas. O CPI americano e o bom desempenho de empresas ligadas à inteligência artificial deram sustentação principalmente às ações de tecnologia.

  • Dow Jones: queda de 0,04%, aos 53.770,27 pontos;
  • https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/Ebook-Acoes-Desktop.webp

  • S&P 500: alta de 0,26%, aos 7.748,50 pontos;
  • Nasdaq: alta de 0,54%, aos 26.588,49 pontos.

Na avaliação de Girardi, o Nasdaq liderou os ganhos justamente com o impulso das companhias ligadas à IA, enquanto a temporada de balanços também ajudou a sustentar o mercado americano.

O contraste com Nova York deixa mais evidente o componente doméstico da queda desta quarta. Mesmo diante de inflação americana sem grandes surpresas e de um exterior relativamente favorável, a saída de capital estrangeiro e o aumento da cautela pré-eleitoral continuaram limitando uma recuperação do Ibovespa.

Maíra Telles

Compartilhe sua opinião