O Ibovespa encerrou maio em forte tom de cautela. O principal índice da B3 caiu 0,73% nesta sexta-feira (29), aos 173.787,49 pontos, acumulando a quarta sessão consecutiva de perdas e fechando o mês com baixa de 7,23%, o pior desempenho desde fevereiro de 2023. O movimento também levou o índice à sétima semana seguida de queda, sequência que não era vista desde abril e maio de 2004.
Apesar de um cenário mais favorável no exterior, com os principais índices de Nova York renovando máximas históricas, os investidores brasileiros seguiram reduzindo exposição ao mercado local diante das preocupações com o cenário fiscal, da saída de capital estrangeiro e do aumento da percepção de risco.
PIB cresce, mas não evita pressão sobre o Ibovespa
Entre os destaques da agenda doméstica, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, resultado ligeiramente acima das projeções do mercado e o mais forte em um ano.
O avanço foi impulsionado principalmente pela agropecuária, pela indústria e pelo consumo das famílias, sustentado por um mercado de trabalho ainda resiliente.
Mesmo assim, o dado não foi suficiente para melhorar o humor da bolsa.
Segundo Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, a pressão continua concentrada na retirada de recursos do mercado brasileiro.
“O Ibovespa cai hoje com uma fuga relevante do capital estrangeiro, somado à divulgação de um PIB brasileiro mais fraco e o risco da incerteza fiscal em um ano eleitoral”, afirmou.
Para o analista, a combinação entre inflação persistente, juros elevados e menor fluxo para mercados emergentes tem reduzido a atratividade relativa dos ativos brasileiros. Ele destaca ainda que parte desse capital tem migrado para bolsas asiáticas e empresas de tecnologia dos Estados Unidos.
Cotação do dólar hoje
- Dólar à vista: +0,22%, a R$ 5,0429
- Máxima do dia: R$ 5,071
- Mínima do dia: R$ 5,035
- Acumulado da semana: +0,29%
- Acumulado de maio: +1,82%
De acordo com Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o mercado de câmbio segue em compasso de espera.
“O dólar encerrou a sessão próximo da estabilidade, em um pregão de baixa amplitude. A combinação entre diferencial de juros ainda elevado, fluxo limitado vindo do exterior e ausência de novos catalisadores relevantes têm contribuído para um mercado de câmbio mais lateral”, destacou.
Maiores altas e baixas
Maiores altas do Ibovespa
- Totvs (TOTS3): +4,16%
- Usiminas (USIM5): +4,11%
- CSN (CSNA3): +3,82%
Maiores baixas do Ibovespa
- Minerva (BEEF3): -7,05%
- Braskem (BRKM5): entre as maiores quedas da sessão
- Magazine Luiza (MGLU3): entre os destaques negativos do dia
Entre os pesos-pesados do índice, Petrobras (PETR4) caiu 1,20%, acompanhando a nova queda dos preços do petróleo, enquanto Vale (VALE3) recuou 1,36%, mesmo com o minério de ferro avançando na China. Os bancos também operaram sem força, refletindo as preocupações do mercado com possíveis impactos da decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
No exterior, o cenário foi mais favorável. O Dow Jones avançou 0,74%, o S&P 500 subiu 0,22% e o Nasdaq ganhou 0,91%, todos encerrando o dia em níveis recordes. O desempenho foi sustentado pela expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e pela força das empresas de tecnologia. Ainda assim, o Ibovespa terminou maio com seu pior resultado mensal em mais de dois anos e a mais longa sequência de perdas semanais desde 2004.
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