Ibovespa encerra em leve alta com feriado nos EUA; Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) sobem

O Ibovespa encerrou em leve alta de 0,15%, nesta segunda-feira (27), a 124.495,68 pontos. Em um dia pouco movimentado no mercado brasileiro, o principal índice acionário da bolsa do País operou próximo da estabilidade, em meio a ausência de fluxo estrangeiro em função do feriado de Memorial Day nos Estados Unidos.

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No mês, faltando ainda três sessões para o encerramento de maio, o índice da B3 recua 1,13%, colocando a perda no ano a 7,22%.

Após iniciar a sessão desta segunda-feira em leve alta de 0,15%, o índice Bovespa operou próximo da estabilidade durante todo o pregão, com mínima de 124.081,39 e a máxima de 125.534,59. O volume financeiro do dia foi de R$ 10,3 bilhões.

Já o dólar à vista encerrou em leve alta de 0,08%, a R$ 5,1719, após oscilar entre R$ 5,1564 e R$ 5,1850.

O que movimentou o Ibovespa hoje?

“Hoje não teve grandes emoções no Ibovespa, principalmente pela ausência de fluxo estrangeiro, com feriado nos Estados Unidos, e também uma agenda bem fraca. Não tivemos nenhum dado importante saindo, o que fez o mercado trabalhar de uma forma mais tranquila ao longo do dia”, explica Christian Iarussi, especialista em mercado de capitais e sócio da The Hill Capital.

A alta do petróleo esteve no radar dos investidores, visto que a commodity voltou a subir após enfrentar fortes perdas nas últimas semanas. A variação positiva acontece em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio, com Israel enfrentando duras críticas da comunidade internacional após um ataque no sul de Gaza.

O cenário impulsionou as ações das petrolíferas. Com isso, os papéis da Petrobras encerram o pregão em alta: Petrobras ON (PETR3) subiu 0,89%, a R$ 38,65, enquanto Petrobras PN (PETR4) fechou em alta de 1,07%, a R$ 37,00.

A Vale (VALE3) fechou em alta de 0,34%, cotada a R$ 65,30, mesmo com a baixa do minério de ferro. O Banco do Brasil (BBAS3) também subiu – 1,22%, a R$ 27,41 -, após divulgar na sexta JCPs bilionários.

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Apesar do dia pouco movimentado no Ibov, alguns papéis se destacaram. As ações da Raízen (RAIZ4) lideraram as altas do dia em diversos momentos do pregão, após movimentações da companhia na última semana.

“Lembrando que na sexta-feira passada, a empresa acabou inaugurando uma nova instalação para a produção de etanol, de segunda geração, em Guariba, em São Paulo mesmo. Então, foi um investimento de 1.2 bi, em que eles acabaram elevando a capacidade de produção de etanol. Um ponto interessante é que 80% dessa produção já está contratada”, diz Iarussi.

Por outro lado, as ações da Magazine Luiza (MGLU3) se destacaram negativamente no primeiro pregão após o grupamento das ações da empresa na proporção de dez para um ativo, que ocorreu na última sexta-feira (24). Os papéis da varejista recuaram 0,38%.

“Quando a gente olha as quedas, na sexta-feira a gente teve um dia bem positivo para a Gol (GOLL4) e a Azul (AZUL4), e hoje elas são destaques negativos no Ibovespa. Gol caiu com o mercado avaliando o plano financeiro de cinco anos que a companhia anunciou hoje pela manhã. Esse recuo é visto também como uma realização de lucros, já que na sexta-feira o papel subiu quase 12%. Então, um movimento um pouco mais de realização tanto em Azul tanto em Gol”, completa o sócio da The Hill Capital.

Expectativa pela inflação ao consumidor

Nesta semana, na agenda de dados dos Estados Unidos, as atenções estarão voltadas à inflação ao consumidor pelo PCE, a métrica preferida do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), aponta em nota a Guide Investimentos. “Enquanto a taxa de inflação desacelerou em abril, estimativas preliminares dos PMIs da S&P Global indicam que as pressões sobre os preços se intensificaram em maio”, acrescenta a casa.

Ressaltando a forte saída de recursos estrangeiros da B3 até aqui em 2024, da ordem de R$ 33 bilhões conforme os dados mais recentes, Mateus Haag, analista da Guide, observa em nota que a recente recuperação observada em preços de commodities, como metais e petróleo, pode contribuir positivamente nos próximos meses para o desempenho da Bolsa brasileira – além de ter sido “um fator por trás da melhora do fluxo em maio”, acrescenta.

Em maio, até o dia 23, houve entrada de R$ 1,111 bilhão no mês, conforme os dados da B3 referentes aos estrangeiros. “Acreditamos que uma retomada da entrada de investidores estrangeiros no Brasil depende também dos rumos da política monetária nos EUA. Caso a inflação volte a cair nos próximos meses e renove as expectativas de corte de juros, o fluxo deve ser retomado. A queda dos juros na Europa (particularmente zona do euro e Reino Unido) também é importante”, acrescenta.

Os próximos dias deverão trazer sinais adicionais sobre a trajetória da política monetária nos principais bancos centrais. Nesta segunda-feira, o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse que definir o nível de juros neutro no Japão será um desafio “particularmente” difícil no país, em comparação a bancos centrais de outras economias, graças ao período prolongado de política acomodatícia.

No Brasil, em evento em São Paulo nesta segunda-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o mercado de trabalho doméstico permanece forte sob qualquer ótica, mas que o País tem sido capaz de trabalhar com juros reais menores em diferentes ciclos.

“É difícil imaginar desinflação contínua com pleno emprego, e isso não vale apenas para o Brasil. Apesar dos juros altos, as economias do mundo estão surpreendendo para cima”, apontou também Campos Neto no evento, no qual reiterou que a inflação nos Estados Unidos tem sido o fator predominante para a reprecificação dos ativos no mundo todo, com base na expectativa para o momento em que a taxa de juros poderá começar a ser cortada na maior economia do globo – projeções que têm sido jogadas sempre para mais adiante desde o início do ano. “Hoje há a expectativa sobre queda dos juros nos EUA em setembro ou dezembro”, disse Campos Neto.

Na Europa, a expectativa é de que a taxa de referência da zona do euro comece a ser cortada antes disso, já na próxima reunião do Banco Central Europeu (BCE), em junho. Assim, para a semana que vem, a expectativa por corte pelo BCE é quase unânime – no entanto, os movimentos seguintes do banco são matéria de incerteza.

No Brasil, o boletim Focus, divulgado pela manhã, trouxe a terceira alta consecutiva nas expectativas de inflação do mercado para 2024, e a quarta seguida nas projeções para 2025, destaca o economista Guilherme Jung, da Alta Vista Research. “E para 2026, que ainda não havia se alterado, também houve aumento desta vez. Há desancoragem parcial nas expectativas, embora ainda não crítica”, acrescenta Jung, destacando um “ceticismo maior” do mercado com relação à possibilidade de cortes de juros no plano doméstico.

De certa forma, observa Christian Iarussi, sócio da The Hill Capital, houve nuances positivas na fala de Campos Neto nesta tarde, que contribuíram para reforçar o viés de baixa da curva de juros doméstica observado desde mais cedo. Entre as componentes do Ibovespa, ele destaca a boa performance de Raízen, na ponta do índice nesta segunda-feira. Na sexta-feira, a empresa inaugurou uma nova instalação para a produção de etanol, de segunda geração, em Guariba, em São Paulo, destaca Iarussi. “Um ponto interessante é que 80% dessa produção já está contratada, o que traz um tom mais otimista para a companhia.”

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Último resultado do Ibovespa

Ibovespa fechou em baixa de 0,34% aos 124.305,57 pontos nesta sexta-feira (17).

Com Estadão Conteúdo

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Giovanna Oliveira

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