Ibovespa cai com tombo da Petrobras (PETR4) e inflação no radar do mercado

O Ibovespa destoou do tom positivo observado em Wall Street e encerrou o pregão desta segunda-feira (15) em queda de 0,42%, aos 170.415,13 pontos. O principal índice da Bolsa brasileira foi pressionado pelo forte recuo das ações da Petrobras (PETR4) e da Prio (PRIO3), que acompanharam a queda dos preços do petróleo após o avanço das negociações para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã.

O dólar à vista fechou em alta de 0,10%, cotado a R$ 5,0668, enquanto investidores também repercutiram a nova piora das projeções para inflação e juros divulgadas no Boletim Focus. O volume financeiro do pregão não foi informado até o fechamento desta edição.

Petrobras (PETR4) pesa sobre o Ibovespa

Segundo Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, a perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã pressionou os preços do petróleo e retirou força do mercado brasileiro.

“A possibilidade de um avanço nas negociações para o encerramento do conflito entre Estados Unidos e Irã pressionou o mercado de petróleo, com o Brent voltando à região dos US$ 90 por barril, e acabou pesando sobre ações como Petrobras, que recua. Em um índice tão dependente da estatal, esse movimento foi suficiente para retirar o fôlego da Bolsa brasileira”, afirma.

As ações da Petrobras encerraram entre as maiores quedas do índice:

  • Petrobras (PETR3): -5,30%
  • Petrobras (PETR4): -5,15%

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Já a Prio (PRIO3) liderou as perdas do pregão, com baixa de 6,91%.

Focus eleva projeções para inflação e Selic

No cenário doméstico, o mercado acompanhou uma nova rodada de revisões nas estimativas do Boletim Focus.

A projeção para o IPCA de 2026 subiu pela 14ª semana consecutiva, passando de 5,11% para 5,30%, enquanto a expectativa para a Selic avançou de 13,50% para 13,75%.

Para Josias Bento, o quadro continua preocupante.

“Quando os alimentos continuam liderando as altas e o acumulado de 12 meses segue pressionado, fica evidente que o Brasil ainda enfrenta um ambiente inflacionário bastante desconfortável. Soma-se a isso um quadro fiscal que continua deteriorado e que impede qualquer discussão mais otimista sobre política monetária”, destaca.

O mercado também já direciona atenção para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta semana.

Cotação do dólar hoje

  • Dólar comercial: R$ 5,0668 (+0,10%)

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Segundo Josias Bento, o cenário internacional segue influenciando o fluxo para mercados emergentes. “Nos Estados Unidos, os últimos dados de inflação vieram acima do desejado, o que pode levar o Federal Reserve a adotar uma postura mais restritiva por mais tempo. Isso reduz o diferencial de atratividade dos mercados emergentes e dificulta o fluxo de capital para países como o Brasil”, afirma.

Fechamento das bolsas americanas

  • Dow Jones: +0,92%
  • S&P 500: +1,65%
  • Nasdaq: +3,07%

Os índices de Wall Street avançaram após relatos de que Estados Unidos e Irã assinaram um memorando de entendimento para encerrar o conflito no Oriente Médio.

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Maiores altas

  • Embraer (EMBR3): +7,06%
  • Vale (VALE3): +2,51%
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Maiores baixas

  • Prio (PRIO3): -6,91%
  • Petrobras (PETR3): -5,30%
  • Petrobras (PETR4): -5,15%

A Embraer liderou os ganhos do pregão após o mercado repercutir perspectivas positivas para novas vendas internacionais e avanços na solução dos problemas envolvendo motores da família E2.

Já a Vale (VALE3) avançou acompanhando a alta do minério de ferro negociado em Dalian, na China.

Apesar do otimismo observado no exterior, o Ibovespa segue pressionado pela combinação de inflação elevada, expectativa de juros mais altos por mais tempo e saída de recursos estrangeiros da Bolsa brasileira.

Maíra Telles

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