Ibovespa cai aos 123 mil pontos, com queda da Vale (VALE3); Petrobras (PETR4) sobe e Itaú (ITUB4) recua

O Ibovespa fechou em queda de 0,58%, a 123.779,54 pontos, nesta terça-feira (28). Essa foi a pior marca de fechamento de 2024, que coloca o índice, agora, pouco acima do nível de encerramento de 14 de novembro passado, então aos 123.165,76 pontos. Durante o pregão, o indicador oscilou entre a mínima de 123.537,03 e a máxima de 125.392,39 pontos. O volume financeiro do dia foi de R$ 21,3 bilhões.

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O Ibovespa hoje não conseguiu nesta terça-feira sustentar recuperação pelo segundo dia após ter interrompido na segunda-feira, em leve alta de 0,15%, sequência de seis perdas que o havia colocado aos 124 mil pontos, já então em torno dos menores níveis do ano.

Em 2024, o Ibovespa recua 7,75%, com perda de 1,70% em maio, faltando ainda duas sessões para o fim do mês.

O dia do Ibovespa, grosso modo, foi um cabo de guerra entre Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), com a piora da mineradora ao longo da tarde definindo o rumo do fechamento. Acompanhando a variação positiva do petróleo, as ações da Petrobras encerraram o pregão em alta: Petrobras ON (PETR3) subiu 1,76%, a R$ 39,38, enquanto Petrobras PN (PETR4) fechou em alta de 2,52%, a R$ 37,90.

Por outro lado, os papéis da Vale (VALE3) fecharam em baixa novamente acompanhando o recuo do minério de ferro na China, que fechou no menor nível em uma semana na sessão desta terça. As ações da companhia encerraram em queda de 2,16%, a R$ 63,89, pressionando a cotação do Ibovespa.

Já o dólar à vista encerrou em baixa de 0,35%, a R$ 5,1540, após oscilar entre R$ 5,1355 e R$ 5,1693.

“O dólar sofre pressão vendedora hoje em função de um IPCA-15 mais leve. Além disso, estamos no fim do mês, o que intensifica a briga pela PTAX do mês. Com isso percebemos que o investidor estrangeiro aumentou bem sua posição na ponta vendida do dólar futuro ao longo do mês de maio com base no inicio do mês, dado coletado na B3 de contratos em aberto, e a moeda pode sofrer pressão baixista por conta disso até o fim do mês de maio”, explica explica André Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital.

O que movimentou o Ibovespa hoje? 

O índice Bovespa refletiu nesta sessão a divulgação de indicadores econômicos no País. Entre eles, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, que registrou uma alta de 0,44% nos preços em maio.

Além disso, o cenário macroeconômico também foi movimentado pela divulgação do Índice de Preços ao Produtor (IPP). O indicador subiu 0,74% em abril, indicando a terceira alta mensal consecutiva.

“Apesar de um IPCA-15 ligeiramente melhor que o esperado, e apresentando nova desaceleração nos serviços subjacentes, que animou os mercados na abertura, o resultado do Governo, com um superávit de R$ 11,1 bi, veio abaixo do que o mercado esperava (R$ 12,6 bi), e apresentando novo crescimento da dívida pública, que acaba colocando em “xeque” o trabalho para tentar aliviar as expectativas de inflação”, diz Fernandes.

“Tivemos de manhã leitura favorável sobre o IPCA-15 de maio, o que contribuía para a leve alta do Ibovespa, mas veio depois o leilão de T-notes de 2 anos nos Estados Unidos, com demanda fraca e yield que saiu alto, resultando em avanço de uns sete pontos-base nos rendimentos dos Treasuries de 10 anos. Há muita incerteza ainda com relação aos juros americanos, em que nível estarão no fim do ano, o que afeta todas as classes de ativos”, observa Naio Ino, gestor de renda variável da Western Asset, destacando também a importância da leitura do PCE, métrica de inflação acompanhada de perto pelo Federal Reserve, que será conhecida na sexta-feira.

Ele menciona que a Bolsa brasileira ainda sofre com o retraimento do fluxo estrangeiro, hesitante após esboçar recuperação na abertura do mês. “Tem havido um ajuste gradual do Ibovespa, sem grande volatilidade. Nesta terça, Petrobras respondeu bem à alta do petróleo e também à primeira entrevista coletiva de Magda Chambriard, sem grandes surpresas, o que retira parte do temor que se tinha com relação ao início deste novo mandato. Vale, por outro lado, refletiu o ajuste do minério, com o mercado realizando um pouco após a tonelada chegar a US$ 120 na China, corrigindo assim um pouco daquele entusiasmo relacionado a medidas de estímulo ao setor imobiliário no país asiático.”

Fora do cenário interno, as tensões no Oriente Médio continuaram no radar do mercado no exterior e refletiram também na cotação do petróleo. A commodity voltou a operar em alta com expectativas de que a Opep+ vai estender os cortes voluntários de 2,2 milhões de barris por dia (bpd) no segundo trimestre do ano. 

“Entre as principais altas ficaram o GPA (PCAR3) e MRV (MRVE3) que são mais sensíveis a mudanças nas taxas de juros, estão subindo refletindo o bom dado do IPCA-15. A Petrobras foi outro destaque, refletindo as primeiras entrevistas da nova CEO, Magda Chambriard, que deu entrevistas com um discurso sobre lucratividade da empresa para acionistas majoritários e minoritários, e de que a empresa deve buscar sempre ser rentável em seus projetos”, completa o sócio da A7 Capital.

Em meio às expectativas de uma taxa Selic mais alta em 2024, os setores de viagem e varejo apareceram entre as principais baixas do dia. Os papéis da Azul (AZUL4) lideraram as quedas, com variação negativa de 4,27%, a R$ 9,64. As ações da Magazine Luiza (MGLU3) aparecem logo em seguida, com baixa de 3,97%, a R$ 12,58. 

Os bancos encerraram o pregão no negativo – menos o Santander (SANB11), que subiu 1,12%, a R$ 27,94. O Bradesco (BBDC4) perdeu 0,08%, a R$ 12,92, Banco do Brasil (BBAS3) recuou 0,33% (a R$ 27,32) e Itaú (ITUB4) caiu 0,54%, a R$ 31,57.

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Bolsas nos EUA têm direção incerta após feriado

Após um dia sem negociações por causa do feriado de Memorial Day, o mercado norte-americano operou de forma cautelosa nesta terça-feira. Os investidores acompanharam as declarações do presidente do Federal Reserve (Fed) de Minneapolis, Neel Kashkari, que declarou que os Estados Unidos devem esperar por um progresso considerável na inflação antes de voltar a cortar os juros. 

Em meio a este cenário, a Dow Jones fechou em queda de 0,55%, a 38.852,80 pontos. Por outro lado, o S&P500 sobiu 0,03%, a 5.306,11 pontos, enquanto a Nasdaq registrou uma variação positiva de 0,59%, a 17.019,88 pontos, e renovou o recorde de fechamento ao ultrapassar a casa dos 17 mil pontos pela primeira vez. 

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Último resultado do Ibovespa

Ibovespa fechou em baixa de 0,15%, na última segunda-feira (27), a 124.495,68 pontos.

Com Estadão Conteúdo

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Giovanna Oliveira

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