Ibovespa perde os 197 mil e entra em modo correção após rali histórico
O Ibovespa voltou a recuar nesta quinta-feira, 16, e deu sequência ao movimento de ajuste após a sequência recente de recordes. O índice caiu 0,46%, aos 196.818,59 pontos, encerrando abaixo da linha dos 197 mil e se afastando do topo histórico registrado no início da semana.
Ao longo do dia, o índice até ensaiou recuperação e chegou a tocar os 198.586,57 pontos na máxima, mas perdeu força no fechamento, refletindo um ambiente mais cauteloso tanto no Brasil quanto no exterior.
Ibovespa entra em correção após sequência de recordes
Depois de uma sequência de 11 altas consecutivas — interrompida apenas na véspera — o Ibovespa começa a mostrar sinais mais claros de realização de lucros.
Na semana, o índice recua 0,26%, mas ainda acumula alta de 4,99% em abril e de 22,15% no ano, evidenciando que o movimento recente é mais técnico do que estrutural.
Como destacou Matheus Spiess, da Empiricus, o mercado local segue apenas ajustando após uma sequência muito longa de valorização, especialmente considerando que o índice vinha renovando máximas em ritmo acelerado.
Cotação do dólar hoje
O dólar fechou praticamente estável e reforçou o ambiente de indefinição que marcou o pregão, encerrando com leve alta de 0,01%, ainda na casa de R$ 4,99.
Segundo Bruno Shahini, da Nomad, o câmbio refletiu um cenário sem direção clara, com o mercado global em compasso de espera por sinais mais concretos sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã.
Ele destaca que o dólar acompanhou o comportamento lateral do DXY, enquanto o petróleo oscilou abaixo de US$ 100, reduzindo pressões adicionais. A falta de um vetor claro, somada ao ajuste após a valorização recente do real, manteve o câmbio praticamente parado.
Petrobras sobe com petróleo, mas não evita queda do Ibovespa
Na B3, o desempenho do Ibovespa foi misto, com destaque positivo para o setor de energia:
- Petrobras subiu mais de 4% nas ações ON
- Prio também avançou
O movimento acompanhou a recuperação do petróleo, que voltou a subir no exterior diante do ceticismo sobre um avanço rápido nas negociações geopolíticas.
Por outro lado, o restante do mercado mostrou fraqueza:
- Vale caiu 1,13%
- Bancos tiveram desempenho misto
- Varejo liderou as perdas, com quedas fortes em Assaí e Lojas Renner
Cenário externo segue travando o apetite por risco
Apesar do anúncio de um cessar-fogo temporário entre Israel e Líbano, o mercado reagiu com cautela. A percepção predominante é de que o acordo ainda é frágil e não resolve o núcleo do conflito envolvendo o Irã.
Além disso, o avanço dos rendimentos das Treasuries e da curva de juros no Brasil também contribuiu para limitar o apetite por risco.
No exterior, as bolsas até fecharam em leve alta, mas sem grande convicção, refletindo um ambiente de espera por definições mais claras.
Inflação global e juros seguem no radar do mercado
Outro ponto relevante do dia veio do Livro Bege do Federal Reserve, que reforçou um cenário de inflação ainda disseminada, com pressões vindas principalmente do setor de energia.
Bruno Shahini observa que os custos mais elevados de combustíveis, fretes e insumos seguem impactando diferentes setores da economia, o que mantém o Fed em postura mais cautelosa.
Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho nos EUA segue resiliente, o que reforça a leitura de juros elevados por mais tempo — fator que também ajuda a explicar o movimento de ajuste nos ativos de risco.
No fim, o mercado parece ter entrado em uma fase de pausa após o rali recente. E, mesmo com oscilações pontuais, o pano de fundo segue sendo de cautela — com o Ibovespa agora tentando encontrar um novo ponto de equilíbrio após a sequência histórica de altas no próprio Ibovespa.