Ibovespa inicia junho em queda e amarga quinta baixa seguida com guerra e saída de estrangeiros no radar

O Ibovespa começou junho da mesma forma que encerrou maio: em queda. O principal índice da B3 recuou 0,91% nesta segunda-feira (1º), aos 172.211,29 pontos, chegando a perder o patamar dos 172 mil pontos durante o pregão. A nova baixa marcou a quinta sessão consecutiva no vermelho e reforçou o movimento de correção que já retirou mais de 16 mil pontos do índice desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã.

O volume financeiro somou R$ 24,56 bilhões. Além da cautela com o cenário geopolítico, o mercado repercutiu a divulgação do Boletim Focus, que voltou a elevar as projeções para a inflação e reduziu as expectativas de cortes mais intensos na Selic ao longo do ano.

Focus e fluxo estrangeiro pressionam o Ibovespa

A leitura dos investidores foi de que o ambiente continua desafiador para a renda variável brasileira. Segundo Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, o avanço das projeções para o IPCA reforçou a percepção de juros elevados por mais tempo.

“O mercado brasileiro segue pressionado, com o Ibovespa em queda, apesar da baixa do dólar. O DI avança após a divulgação do boletim Focus, que trouxe uma expectativa de IPCA mais elevada do que o esperado. A leitura do mercado é de que esse cenário reduz espaço para cortes mais relevantes da Selic ao longo do ano”, afirmou.

O especialista destacou ainda que a indefinição envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã continua influenciando os ativos globais. No Brasil, a falta de fluxo para a bolsa segue sendo um dos principais obstáculos para uma recuperação mais consistente.

Os investidores também acompanham a saída de recursos estrangeiros da B3. Até o fim de maio, o saldo negativo já superava R$ 14 bilhões, refletindo uma postura mais cautelosa diante do aumento das incertezas globais.

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Cotação do dólar hoje

  • Dólar comercial: -0,39%
  • Fechamento: R$ 5,023
  • Mínima do dia: abaixo de R$ 5,03
  • Movimento ocorreu apesar da alta dos juros futuros

Mesmo com a queda da moeda americana frente ao real, os juros futuros avançaram em toda a curva, refletindo as preocupações com inflação e política monetária.

Maiores altas e baixas

A primeira sessão de junho manteve o tom negativo que predominou ao longo de maio. Enquanto o petróleo voltou a subir diante das incertezas no Oriente Médio, o mercado brasileiro continuou pressionado pela saída de estrangeiros e pela falta de catalisadores domésticos.

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Entre os destaques positivos ficaram:

  • Totvs (TOTS3): +4,32%
  • Petrobras (PETR4): +0,88%
  • Lojas Renner (LREN3): +0,81%

Já entre as principais quedas:

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  • Vale (VALE3): -1,35%
  • Itaú Unibanco (ITUB4): -1,66%
  • Bradesco (BBDC4): -1,13%
  • Banco do Brasil (BBAS3): -1,08%

Petrobras conseguiu avançar acompanhando a alta do petróleo e após novas recomendações positivas de analistas para os papéis da estatal. Já Vale e os grandes bancos voltaram a pressionar o índice.

Nos Estados Unidos, o cenário foi mais positivo. O mercado seguiu apoiado pelo setor de tecnologia e pelas expectativas de que as negociações entre Washington e Teerã avancem, ainda que sem um acordo concreto até o momento. No entanto, para os investidores brasileiros, o principal desafio continua sendo a combinação de juros elevados, saída de capital estrangeiro e incertezas geopolíticas, fatores que mantêm o Ibovespa distante dos níveis observados no início do segundo trimestre

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Maíra Telles

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