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Exoneração de Gustavo Bebianno não foi publicada no Diário Oficial

Exoneração de Gustavo Bebianno não foi publicada no Diário Oficial
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. (Agência Brasil)

A edição regular do Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (18) não apresentou a exoneração do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

A surpresa ocorre, pois, no sábado (16) Jair Bolsonaro já estava com o ato de demissão de Gustavo Bebianno assinado, segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”.

Na mesma data, o próprio ministro confirmou que o presidente da República Jair Bolsonaro tinha intenção de exonerá-lo.

“Sim, a sinalização é essa. A tendência é essa, exoneração. Quando vocês perguntam, é o seguinte, eu quero ver o papel com a exoneração, a hora que sair o papel com a exoneração é porque eu fui exonerado”, afirmou o ministro à Imprensa no sábado.

Apesar da demissão de Gustavo Bebianno não ter sido publicada ainda no Diário Oficial da União, poderá ser feita em edição extra ao longo do dia.

Durante a manhã desta segunda-feira, Jair Bolsonaro encontrou-se com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, em reunião sem agendamento prévio.

Assim, há indicação de que o governo ainda está debatendo a pauta.

Saiba mais – Rodrigo Maia: crise com Bebianno pode atrapalhar reforma da Previdência 

Entenda a crise de governo

ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, foi alvo de uma série de reportagens da “Folha de S. Paulo”. O ministro também é ex-presidente do PSL.

Nas reportagens, o jornal denuncia um suposto esquema de candidaturas laranjas do partido. A fraude teria ocorrido na época em que Bebianno era líder do partido.

De acordo com a apuração da “Folha de S.Paulo”, houve um repasse de R$ 400 mil do PSL para uma candidata a deputada federal do partido em Pernambuco.

Tal repasse teria sido feito quatro dias antes das eleições. A candidata em questão recebeu apenas 274 votos.

Além disso, Bebianno possivelmente também autorizou repasse de R$ 250 mil de verba pública para a campanha eleitoral de uma ex-assessora.

O dinheiro, segundo o jornal, foi repassado para uma gráfica registrada em endereço de fachada.

As publicações do jornal repercutiram, e diversos políticos opinaram acerca da polêmica.

“O presidente pertence ao PSL, mas [isso] não tem nada a ver com a campanha dele. Então é problema do partido. O partido que se explique”, disse o vice-presidente da República, Hamilton Mourão.

De acordo com o o portal “Antagonista”, o ministro negou, na quarta-feira (13), a possibilidade de uma crise de governo ter sido iniciada com as publicações do jornal.

“Não existe crise nenhuma. Só hoje falei três vezes com o presidente”, disse Bebianno.

Contudo, o filho do presidente, Carlos Bolsonaro (PSL), negou as ligações do presidente da República com o ministro.

Ontem estive 24h do dia ao lado do meu pai e afirmo: “É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista.” pic.twitter.com/AqzZ0YPNOO

— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) 13 de fevereiro de 2019

Mais tarde, Jair Bolsonaro republicou a fala de seu filho em sua própria conta do Twitter.

“Não tenho intenção de me demitir. Não fiz nada de errado, meu trabalho continua sendo em benefício do Brasil. O presidente, se entender que eu não devo mais continuar, ele certamente vai comunicar. Da minha parte, tudo foi feito com honestidade e correção, então vou esperar para ver o que acontece”, defendeu-se Bebianno, após o posicionamento do presidente em endossar a fala de seu filho, Carlos.

Então, na sexta-feira (15), o presidente e Gustavo Bebianno tiveram encontro presencial pela primeira vez desde iniciada a crise de governo.

Amanda Gushiken

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