Greve dos caminhoneiros bloqueia rodovias em 16 estados

A greve dos caminhoneiros bloqueou rodovias em 14 estados nesta quarta-feira (8). As mobilizações ocorrem em estradas na Bahia, no Espírito Santo, no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul, em Santa Catarina, no Paraná, no Maranhão, Minas Gerais, Roraima, Pará, Rondônia, Tocantins, Goiás, Rio de Janeiro, Paraná e no Rio Grande do Sul.

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O balanço das paralisações, atualizado às 22h30, foi feito pelo Ministério da Infraestrutura com base em informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em nenhum desses locais, segundo a pasta, há bloqueio total da pista. Mas as paralisações feitas pelos caminhoneiros interromperam a passagem de veículos nesses oitos estados. Há dois pontos de bloqueio total no Rio Grande do Sul.

Os caminhoneiros fecham as rodovias e só deixam passar veículos que transportam alimentos perecíveis. Algumas estradas são fechadas com pneus ou caminhões fecham as rotas, sem permitir que caminhões de carga possam seguir em frente. As principais rodovias, entre elas a Dutra, que liga São Paulo ao Rio, têm filas que se estendem por quilômetros com caminhões parados.

“A PRF encontra-se em todos os locais identificados e trabalha pela garantia do livre fluxo com a tendência de fim das mobilizações até a 0h do dia 09 de setembro. Importante alertar que a disseminação de vídeos e fotos por meio de redes sociais não necessariamente reflete o estado atual da malha rodoviária”, informou o Ministério da Infraestrutura, em nota.

Ainda segundo a pasta, ao longo do dia foram debeladas 67 ocorrências com concentração de populares e tentativas de bloqueio total ou parcial de rodovias.

O movimento dos caminhoneiros ocorre um dia depois de manifestações pró-governo em diferentes cidades, nessa terça-feira (7). Manifestantes pediram o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e a destituição de ministros da corte, além de intervenção militar.

Um movimento intitulado “caminhoneiros patriotas” realiza atos nesta quarta-feira, após as manifestações em prol do governo Bolsonaro promovidas ontem.

Os representantes das paralisações dos caminhoneiros apontam outros motivos para as manifestações. Apesar da oposição à Suprema Corte e o apoio ao Palácio do Planalto, a maior reivindicação é pela redução do preço dos combustíveis.

Caminhoneiros citam ainda a pauta que iria zerar o PIS-Cofins que incide sobre o óleo diesel já em janeiro de 2022, como informado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Bolsonaro discutiu a questão com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

No final da noite desta quarta, circulou um áudio atribuído a Bolsonaro. Na gravação ele pedia aos caminhoneiros para liberar as estradas. O ministro da Infraestrutura confirmou, em post no Twitter, que o áudio sobre a greve dos caminhoneiros era mesmo do presidente. “Vocês são nossos aliados, mas esses bloqueios atrapalham a economia”, diz o presidente na gravação.

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Mobilizações devem continuar com bloqueios até a meia-noite da quinta-feira

A pasta manteve a previsão de que as mobilizações possam ser encerradas até a 0h desta quinta-feira, 9. “A PRF encontra-se em todos os locais identificados e trabalha pela garantia do livre fluxo com a tendência de fim das mobilizações até a 0h do dia 9 de setembro”, disse o ministério, que afirmou ainda ser “importante alertar que a disseminação de vídeos e fotos por meio de redes sociais não necessariamente reflete o estado atual da malha rodoviária”.

Em nota, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) manifestou “total repúdio” às paralisações. “Trata-se de movimento de natureza política e dissociado até mesmo das bandeiras e reivindicações da própria categoria, tanto que não tem o apoio da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos”, diz a entidade. O texto leva a assinatura do presidente da NTC&Logística, Francisco Pelucio.

A entidade, que congrega cerca de 4 mil empresas de transporte, disse ainda estar preocupada com os efeitos que bloqueio nas rodovias poderá causar, especialmente em relação ao abastecimento dos setores de produção e comércio.

Caminhões lotam a Esplanada

No início da tarde, mesmo depois do fim da manifestação de ontem, dezenas de caminhões permaneciam estacionados ao longo do canteiro central da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, cujo trânsito segue bloqueado. Eles pressionam pela derrubada do bloqueio policial que dá acesso à Praça dos Três Poderes, onde fica o STF, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto.

Mais cedo, manifestantes tentaram invadir a sede do Ministério da Saúde e hostilizaram jornalistas. Equipes de pelo menos duas emissoras tiveram que se abrigar dentro do prédio após ameaça de agressão por parte dos manifestantes.

Segundo a Polícia Militar do DF, que foi chamada ao local, não houve registro de feridos e ninguém foi detido. A corporação informou também que o policiamento no local está reforçado.

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF disse ter recebido relatos de ataques de manifestantes a profissionais de imprensa e cobrou da Secretaria de Segurança Pública do DF assegurasse o trabalho dos profissionais de comunicação. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa, deputado Distrital Fábio Felix (PSOL), também informou ter enviado ofício à Secretaria de Segurança do DF para reforçar “urgentemente” o policiamento no local.

Greve dos caminhoneiros: atenção maior em SC e risco de desabastecimento

O Ministério de Minas e Energia (MME) também está acompanhando os bloqueios promovidos por caminhoneiros em algumas rodovias do País. A atenção é ainda maior em Santa Catarina, informou ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Segundo representantes de distribuidoras, ouvidos em condição de anonimato, há risco de o fornecimento de combustíveis ser afetado ainda nesta quarta-feira.

“Até o momento, não houve impacto na rede de abastecimento de combustíveis”, afirmou o ministério, por meio de sua assessoria de imprensa.

Os bloqueios de rodovias começaram ontem, durante as manifestações do 7 de Setembro, convocadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro.

Segundo as distribuidoras de combustíveis, o cenário de abastecimento de gasolina e óleo diesel, por exemplo, é mais crítico em Santa Catarina e no Mato Grosso. Apesar da Polícia Rodoviária Federal (PRF) dizer que está garantindo o fluxo de veículos, a percepção das distribuidoras é de que a situação está piorando, segundo as fontes.

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Confederação dos transportes havia sinalizado apoio à  greve dos caminhoneiros

Desde meados de julho é discutida a possibilidade de uma greve ou paralisação. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) havia informado que apoiaria a manifestação.

O movimento é organizado pelo Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC). Orientamos que se participe dos atos sendo celetista ou autônomo”, disse o secretário nacional de Políticas Sociais e Acessibilidade da CNTTL, Carlos Alberto Litti Dahmer, sobre a paralisação dos caminhoneiros.

As paralisações promovidas por caminhoneiros que bloqueiam rodovias pelo País poderão causar “sérios transtornos à atividade de transporte”, com “graves consequências para o abastecimento de estabelecimentos de produção e comércio”. O temor foi manifestado pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), que divulgou nota de repúdio a essas manifestações organizadas na esteira dos atos do 7 de Setembro, incentivados pelo presidente Jair Bolsonaro.

A entidade, que diz congregar cerca de 4.000 empresas de transporte associadas direta e indiretamente e mais de 50 entidades patronais, afirmou que a movimentação é de natureza política e está dissociada das bandeiras e reivindicações da categoria de caminhoneiros autônomos.

“NTC&Logística vem manifestar total repúdio às paralisações organizadas por caminhoneiros autônomos com bloqueio do tráfego em diversas rodovias do País, por influência de supostos líderes da categoria. Trata-se de movimento de natureza política e dissociado até mesmo das bandeiras e reivindicações da própria categoria, tanto que não tem o apoio da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos”, afirmou a associação em nota.

A entidade reforçou que tais bloqueios e suas eventuais consequências para o abastecimento poderão atingir diretamente o consumidor final e o comércio de produtos de todas as naturezas, incluindo alimentos, medicamentos e combustíveis.

Na nota, a NTC&Logística diz esperar que as autoridades dos governos federal e estaduais adotem as providências “indispensáveis” para assegurar às empresas de transporte rodoviário de cargas o “pleno exercício do seu direito de ir e vir e de livre circulação nas rodovias em todo o território nacional”. “As empresas de transporte rodoviário de cargas, desde que garantido o livre trânsito dos seus veículos, terão condições de assegurar a continuidade do normal abastecimento em toda a cadeia de produção e consumo para a tranquilidade de todos”, afirma a entidade.

“A NTC deixa claro que não apoia esse movimento, repudiando-o, orientando as empresas de transporte a seguirem em sua atividade e orientando os seus motoristas para em caso de bloqueio ao trânsito dos seus veículos acionarem imediatamente a autoridade policial solicitando sua liberação”, conclui.

Greve dos caminhoneiros pode afetar portos, segundo trabalhadores

As operações no porto de Paranaguá (PR), bem como a entrada e saída de caminhões, estão sendo realizadas normalmente na tarde desta quarta-feira, segundo a estatal Portos do Paraná. A informação passada ao Broadcast Agro contraria boatos de que as atividades estariam paradas em virtude de manifestações nos locais. Trabalhadores disseram que iriam interromper o tráfego para dificultar o transporte aos portos no sul do País.

No porto de Rio Grande (RS), as atividades e o acesso de caminhões também ocorre normalmente, conforme informou à reportagem a Portos RS, empresa que administra os portos do Estado.

Os rumores de interrupção nas atividades portuárias surgem enquanto ocorrem protestos com a greve de caminhoneiros pelo País. Há relatos de atos nas margens de rodovias do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Espírito Santo.

(Com informações da Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

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Marco Antônio Lopes

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