Governo projeta salário mínimo em R$ 1.502,00 em 2025; meta fiscal tem mudanças

O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2025, enviado pelo governo federal ao Congresso, estima que o salário mínimo será de R$ 1.502 em 2025, um aumento de pouco mais de 6% em relação ao patamar atual, de R$ 1.412. De acordo com o PLDO 2025, a previsão é de que o salário mínimo seja de R$ 1.582 em 2026, chegando a R$ 1.676 em 2027. Para 2028, a projeção é de R$ 1.772.

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As cifras devem atender à nova política de valorização do mínimo do governo, que retomou as correções acima da inflação. A fórmula para se chegar ao montante prevê o reajuste pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado no período de 12 meses até novembro mais o crescimento do PIB de dois anos antes.

A grade de parâmetros macroeconômicos do PLDO ainda prevê uma alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 em 2,80%. O documento inclui a previsão de alta do PIB de 2,58% em 2026, de 2,62% em 2027 e de 2,51% em 2028.

A estimativa está acima das projeções de economistas segundo o Boletim Focus, coletado pelo Banco Central e divulgado na última semana, que aponta alta de 1,90% na atividade econômica no ano que vem. Já no Banco Central, a projeção atual é de avanço de 1,9% neste ano, conforme o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de março.

O projeto estima uma inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,10% em 2025 e de 3,00% em 2026, 2027 e 2028. Já o INPC deve variar apresentar alta de 3,00% em cada um dos quatro anos do curto prazo.

A projeção Selic (taxa over) ficou em 8,05% no próximo ano, 7,22% em 2026 e 7,02% em 2027 e 6,77% em 2028. O PLDO de 2025 projeta um câmbio médio a R$ 4,98 no próximo ano; R$ 5,03 em 2026; R$ 5,07 em 2027 e R$ 5,10 em 2028.

O projeto do governo federal estima ainda um crescimento da massa salarial nominal de 7,51% em 2025, 7,37% em 2026, 6,60% em 2027 e 6,92% em 2028.

Meta fiscal em 2025

Enviado nesta segunda-feira (15) ao Congresso Nacional, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2025 adiou o compromisso da equipe econômica de zerar o déficit primário – resultado nas contas do governo sem os juros da dívida pública. A proposta manteve em zero a meta de resultado primário para 2025, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) para mais ou para menos.

O texto da PLDO projeta superávit de 0,25% do PIB para 2026, 0,5% em 2027 e 1% em 2028. Como em todos os anos, há a margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, a obtenção de superávit primário, na prática, só está garantida a partir de 2026, último ano do atual governo.

Até agora, a equipe econômica trabalhava com déficit zero em 2024 e superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e de 1% do PIB em 2026, também com a margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. No entanto, as receitas extras que estão entrando nos cofres federais em 2024 não deverão se repetir em 2025, dificultando o cumprimento das metas anteriores.

Em valores absolutos, o PLDO prevê que o resultado primário poderá variar entre déficit de R$ 31 bilhões e superávit primário de R$ 31 bilhões em 2025, considerando a margem de tolerância. Para 2026, o texto prevê superávit de R$ 33,1 bilhões, com o resultado variando de zero a superávit de R$ 66,2 bilhões.

Para 2027, o governo prevê superávit de R$ 70,7 bilhões, variando de resultado positivo de R$ 35,3 bilhões a R$ 106 bilhões. Para 2028, o projeto estima superávit primário de R$ 150,7 bilhões, com o intervalo entre R$ 113 bilhões e R$ 188,4 bilhões.

Haddad: “Meta factível”

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tinha informado, em entrevista à emissora de televisão GloboNews, que a meta de resultado primário estava em zero no próximo ano. Na semana passada, o ministro tinha defendido uma meta fiscal “factível” para 2025 para dar credibilidade ao novo arcabouço fiscal.

Além da diminuição de receitas extraordinárias, que não se repetirão em 2025, o governo enfrenta desafios com o Congresso. Os parlamentares querem manter a desoneração da folha de pagamento para 17 setores da economia, a redução da contribuição à Previdência Social por pequenas prefeituras e a ajuda a empresas do setor de eventos. No início do mês, Haddad cobrou um pacto entre os Poderes e responsabilidade do Congresso Nacional na gestão das contas públicas.

Governo federal: revisão de gastos

O PLDO de 2025 propõe medidas de revisão de gastos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e nas indenizações do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) para os próximos anos. A economia total chegaria a R$ 37,3 bilhões, dividida da seguinte forma: R$ 9,2 bilhões em 2025 e R$ 9,3 bilhões por ano entre 2026 e 2028.

Em relação ao INSS, o governo quer economizar R$ 7,2 bilhões por ano em 2025 e 2026, R$ 7,1 bilhões em 2027 e R$ 7 bilhões em 2028. No Proagro, o projeto prevê economia de R$ 2 bilhões em 2025, R$ 2,1 bilhões em 2026, R$ 2,2 bilhões em 2027 e R$ 2,3 bilhões em 2028.

Salário mínimo em 2028 é de R$ 1.772, esclarece secretário do Orçamento

O secretário do Orçamento Federal, Paulo Bijos, esclareceu nesta quinta-feira, 15, a projeção para o salário mínimo em 2028. Segundo ele, a previsão é de que esse valor chegue a R$ 1.772 no ano, e não a R$ 1.722 conforme constou da apresentação feita pelo Planejamento nesta segunda-feira, 15, na divulgação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias (PLDO) de 2025.

Para o próximo ano (2025), o salário mínimo foi estimado em R$ 1.502; em R$ 1.582 para 2026, e em R$ 1.676 para 2027.

Limites de despesas

Esse foi o primeiro projeto da LDO enviado ao Congresso dentro das regras do novo arcabouço fiscal. Pela regra que limita o crescimento real (acima da inflação) dos gastos a 70% do crescimento real da receita, as despesas federais poderão subir até 5,92% em 2025, 6,39% em 2026, 2,94% em 2027 e 2,05% em 2028.

Em valores absolutos, o governo federal poderá gastar até R$ 2,222 trilhões em 2025, R$ 2,35 trilhões em 2026, R$ 2,48 trilhões em 2027 e R$ 2,61 trilhões em 2028. Desse total, o Poder Executivo poderá gastar até R$ 2,136 trilhões em 2025, R$ 2,258 trilhões em 2026, R$ 2,385 trilhões em 2027 e R$ 2,507 trilhões em 2028.

Estabelecidos pelo novo arcabouço fiscal, os limites de crescimento dos gastos, na prática, funcionam como um teto de gastos atenuado. Os limites para os demais Poderes – Legislativo, Judiciário, Ministério Público da União e Defensoria Pública da União – ficaram definidos da seguinte forma: R$ 86,9 bilhões em 2025, R$ 91,9 bilhões em 2026, R$ 97 bilhões em 2027 e R$ 102 bilhões em 2028.

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Meta de 2025 mudou para 0%, ainda no campo de equilíbrio, mas precisamos cuidar, diz Ceron

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, comentou nesta segunda-feira, 15, sobre a mudança na meta fiscal de 2025 – que estava prevista para ser de um superávit primário de 0,50% do Produto Interno Bruto (PIB) e que hoje foi formalizada para um déficit zero, o mesmo objetivo deste ano. “A meta de 2025 mudou para 0%, ainda no campo de equilíbrio, mas precisamos cuidar”, comentou durante entrevista coletiva para detalhar o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).

Assim como já tinha dito momentos antes, Ceron enfatizou a importância da atuação dos Três Poderes nessa luta do governo pelo equilíbrio das contas públicas e, depois de citar revés com o Congresso, enfatizou que este ano houve apoio do Judiciário ao governo na busca da recuperação fiscal, citando a revisão da vida toda do INSS, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Recuperação fiscal tem de ser compromisso de todos os Poderes e da sociedade”, disse.

Apesar do quadro positivo, o secretário enfatizou que o Brasil “ainda inspira cuidados” e comentou que, por mais nobres que as medidas apresentadas sejam, elas precisam ter sempre o amparo de fonte de recursos. “Precisamos estar atentos à recuperação fiscal em todos os minutos, não é algo de que possamos descuidar”, salientou.

Segundo ele, há um processo inegável de recuperação das contas públicas em curso. Ele disse que a deterioração fiscal, porém, é algo que tem visto ao redor de todo o mundo, citando que dentro do grupo das 20 maiores economias do mundo (G20), apenas duas não registraram resultado fiscal negativo em 2023. “É um desafio global e o Brasil está bem posicionado. “Estamos rediscutindo uma meta de 0,5% do PIB para zero, o que é um avanço, mas temos de cuidar. O Brasil precisa ainda olhar para a recuperação fiscal, mas com o intuito de garantir uma trajetória sustentável da dívida pública.”

Governo federal diz que PLDO mostra economia potencial com Previdência e Proagro de R$ 37,3 bi em 4 anos

O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2025 traz, pela primeira vez, um anexo para tratar de revisão de gastos, uma frente liderada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. O documento listou duas ações para opções de melhoria e economia potencial: benefícios previdenciários e o Proagro. A informação foi antecipada pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A projeção aponta expectativa de economia de R$ 37,3 bilhões com revisões nas duas ações entre 2025 e 2028.

Para a ação de revisão de benefícios previdenciários, a estimativa é de economia potencial de R$ 28,6 bilhões em quatro anos.

Para 2025, a expectativa é de economia potencial de R$ 7,2 bilhões, mesma cifra estimada para 2026. Em 2027, a economia potencial é de R$ 7,1 bilhões, enquanto para 2028 o número é de R$ 7,0 bilhões.

Já com o Proagro, a economia potencial em quatro anos é estimada pelo governo federal em R$ 8,7 bilhões em quatro anos. Para 2025, a projeção aponta economia de R$ 2 bilhões. Em 2026, o ganho potencial é de R$ 2,1 bilhões. Em 2027, a estimativa é de R$ 2,2 bilhões poupados e em 2028, o montante é projetado em R$ 2,3 bilhões.

Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil

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Redação Suno Notícias

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