Google capta US$ 80 bi para acelerar corrida da IA; entenda o impacto

A Google, por meio de sua controladora Alphabet (GOOGL), anunciou uma captação de até US$ 80 bilhões para acelerar seus investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. O movimento coloca a big tech no centro da disputa por capacidade computacional, data centers e serviços de IA, em um momento em que a própria companhia afirma que a demanda por suas soluções está acima da oferta disponível.

A operação também chama atenção pelo tamanho e pela presença da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, que concordou em investir US$ 10 bilhões em uma colocação privada. Segundo o comunicado da Alphabet, os recursos serão usados para fins corporativos gerais, incluindo gastos de capital para escalar infraestrutura de IA e computação global.

Google reforça corrida por infraestrutura de IA

A captação será dividida em três frentes. A primeira envolve ofertas públicas de US$ 30 bilhões, sendo US$ 15 bilhões em ações e US$ 15 bilhões em ações preferenciais conversíveis obrigatórias. Na prática, esse tipo de instrumento começa como uma ação preferencial, mas será convertido em ações ordinárias no futuro.

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A segunda frente será um programa chamado ATM, sigla para “at-the-market”, de até US$ 40 bilhões. Esse formato permite que a empresa venda ações aos poucos no mercado, conforme as condições forem favoráveis, em vez de fazer uma grande emissão de uma só vez.

Segundo a Alphabet, cerca de US$ 30 bilhões desse programa devem ser usados para cobrir obrigações fiscais ligadas à remuneração em ações de funcionários. A terceira parte é a colocação privada de US$ 10 bilhões com a Berkshire Hathaway, feita diretamente com um investidor específico.

O comunicado também cita operações chamadas capped call, que funcionam como uma proteção financeira para reduzir uma possível diluição aos acionistas quando os papéis conversíveis virarem ações.

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Negócios atuais ainda dão margem de segurança

A Alphabet afirma que a inteligência artificial está impulsionando um momento de expansão para a companhia. No primeiro trimestre de 2026, a receita total cresceu 22% na comparação anual, para US$ 110 bilhões. A receita de Google Search e outros negócios avançou 19%, enquanto o Google Cloud cresceu 63%.

A divisão de nuvem também aparece como um dos principais motores da tese. O backlog do Google Cloud quase dobrou em relação ao trimestre anterior, para mais de US$ 460 bilhões, com cerca de metade desse montante previsto para virar receita nos próximos 24 meses.

Além disso, a companhia informou que chegou a 350 milhões de assinaturas pagas e que mais de 8,5 milhões de desenvolvedores usam mensalmente seus modelos. Segundo o comunicado, as APIs de modelos próprios processam 19 bilhões de tokens por minuto, um avanço de seis vezes em relação ao ano anterior.

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Na avaliação de João Caprina, analista da Suno, a Alphabet está entre as principais candidatas a se beneficiar da corrida pela inteligência artificial. O ponto mais importante, segundo ele, é que a tese da companhia não depende exclusivamente da IA: Google Search, YouTube e Google Cloud já são negócios consolidados, lucrativos e capazes de gerar caixa de forma robusta.

Essa estrutura, na leitura do analista, dá uma margem de segurança relevante aos acionistas, já que os investimentos em IA entram como uma avenida adicional de crescimento, e não como a única sustentação do negócio. Por isso, a recomendação da Suno permanece inalterada, respeitando o preço-teto divulgado na carteira.

Para a Google, o desafio agora será mostrar que a expansão bilionária em infraestrutura de IA pode gerar retorno compatível com o tamanho do investimento. Como afirmou a Alphabet no comunicado, a companhia vive um momento em que a demanda por suas soluções de IA está “em níveis que excedem a oferta disponível”, o que ajuda a explicar a decisão de buscar capital em uma escala rara até mesmo entre as gigantes de tecnologia.

Maíra Telles

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