Gerdau (GGBR4) vê lucro despencar 69% expõe contraste entre EUA e Brasil e acende alerta

Gerdau (GGBR4) encerrou o quarto trimestre de 2025 com um resultado que escancara dois cenários distintos dentro da mesma companhia. Enquanto a operação nos Estados Unidos manteve rentabilidade robusta, o desempenho no Brasil voltou a pressionar os números consolidados. O EBITDA somou R$ 2,37 bilhões no período, recuo de 13% na comparação com o trimestre anterior e praticamente estável em relação ao mesmo período de 2024.

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O trimestre já é tradicionalmente mais fraco por fatores sazonais, mas o descompasso regional voltou a chamar atenção. Em relatório, o BTG Pactual avaliou que os números vieram “em linha com o consenso, embora ligeiramente abaixo das nossas estimativas, cerca de 3% inferiores”, reforçando que o desempenho já era esperado dentro desse contexto.

EUA sustentam rentabilidade da Gerdau (GGBR4)

A operação norte-americana foi novamente o principal pilar da companhia. A margem EBITDA nos Estados Unidos atingiu 21,1%, acima da projeção de 20,8% do BTG, com geração de R$ 1,8 bilhão no trimestre. Mesmo com queda de 6% nos volumes frente ao terceiro trimestre, preços e mix ajudaram a sustentar a rentabilidade.

Segundo os analistas, a participação de 73% da operação americana no EBITDA consolidado “é claramente um destaque”, evidenciando que a exposição aos EUA se tornou uma vantagem competitiva relevante frente aos pares brasileiros.

Já no Brasil, o cenário seguiu desafiador. O EBITDA foi de R$ 509 milhões, queda de 33% na comparação trimestral e 65% em base anual. A margem recuou para 7%, patamar descrito no relatório como “níveis de crise”, refletindo demanda pressionada e custos mais elevados, em parte devido a um cronograma mais intenso de manutenção no período.

Caixa forte, mas qualidade questionada

Gerdau também apresentou geração de fluxo de caixa livre de R$ 1,4 bilhão no trimestre, equivalente a um yield anualizado de 13%. Apesar do número sólido, o BTG pondera que a qualidade dessa geração foi limitada, já que decorreu principalmente de uma liberação de capital de giro de R$ 1,47 bilhão e de entradas classificadas como “outros fluxos”.

No balanço, a dívida bruta caiu para R$ 14,2 bilhões, e a alavancagem permaneceu controlada, com dívida líquida/EBITDA de 0,76 vez, nível considerado saudável pelos analistas.

Ainda assim, após a recente valorização das ações, o banco manteve recomendação neutra para a companhia. Conforme destaca o relatório, apesar da qualidade do ativo e da força nos EUA, “a margem de segurança ficou mais estreita após o rali recente”, o que limita o potencial adicional no curto prazo para a Gerdau (GGBR4).

Maíra Telles

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