Semana do Fiagro

Fiagro tem risco reduzido e supera problemas de quebras de safra, diz gestor do EGAF11

Há pouco mais de oito meses o investidor pessoa física pode investir no agronegócio com aportes em um fundos de investimentos ‘exclusivos’ do setor, os Fiagro. Considerando que o ativo é ‘novidade’ no mundo dos investimentos, o gestor e CIO da Ecoagro, Bruno Lund, destaca em entrevista exclusiva ao Suno Notícias que os riscos são reduzidos e majoritariamente atrelados às questões climáticas.

“Hoje, o principal risco do agro é a ‘quebra de safra’ por causa do clima. O produtor está à mercê das questões climáticas e pode sofrer muito. No Rio Grande do Sul, por exemplo, você teve problemas nos meses passados que ocasionaram perdas de safra de até 100%. Nesse caso, o produtor vai atrasar no pagamento de juros”, explica o gestor do Fiagro EGAF11.

O especialista pondera que são eventos pontuais e que há como se ‘esquivar’ desse risco nos investimentos em Fiagro, subindo um degrau na cadeia do agronegócio e investindo em empresas da cadeia de insumos, assim o investidor evita correr esse risco de quebra de safra do produtor.

Indicadores do EGAF11 - Reprodução/Fiagro.com
Indicadores do EGAF11 – Reprodução/Fiagro.com.br

Isso ocorre porque a carteira de fundos com o EGAF11 é atrelada aos Certificados de Recebíveis Agrícolas, os CRAs, com foco na cadeia de insumos. A gestora em questão, a Ecoagro, é líder na emissão desses ativos – que financiam produtores, revendas, indústrias de insumos e toda a cadeia de produção do agronegócio.

Segundo Lund, em suma, o fundo “compra os CRAs de tomadores de crédito com excelente capacidade de pagamento na cadeia de insumos”. Mas, mesmo que um dos produtores que tomou crédito venha a ter problemas climáticos, a carteira do EGAF11 segue protegida.

O gestor explica que isso ocorre pois as empresas no segmento de cadeia de insumos operam em várias regiões, então, se uma localidade sofrer com eventos climáticos, o faturamento da empresa que tomou crédito via CRA não será tão afetado.

Além disso, o portfólio é diversificado com várias revendas que operam nas mais diversas regiões do Brasil, o que o torna ainda menos arriscado.

“Todos os CRAs são garantidos pela cessão fiduciária dos recebíveis da empresa numa razão geralmente 10% superior ao montante de recursos emprestado. Neste sentido, a probabilidade de um não pagamento é ‘virtualmente zero”, aponta.

“Em uma eventual quebra de safra o CRA não fica totalmente desprotegido. Nós exigimos que a revenda substitua a nota fiscal, que é o objeto da garantia da operação. Desta forma, o CRA está sempre com recebíveis  adimplentes o suficiente para pagar a emissão. Além disso, antes de estruturamos qualquer CRA aqui na Ecoagro, analisamos o risco e contratamos uma empresa de auditoria, como a KPMG, para avaliar a carteira de recebíveis da revenda”, acrescenta Lund.

Ou seja, como a carteira do EGAF11 está 100% exposta a CRAs de tomadores de crédito com baixo risco de inadimplência, o investidor provavelmente não será lesado em caso de problemas climáticos – que também afetam outros segmentos, como empresas elétricas durante a crise hídrica em 2021.

“Tem que acontecer algo apocalíptico para o investidor não receber a sua cota do Fiagro. Já fizemos R$ 35 bilhões em CRAs [na Ecoagro]”, afirma Lund.

Dividendos de Fiagro deveriam ser semestrais

Para o gestor, por questões de ciclo do agronegócio, os dividendos pagos por fundos do agronegócio deveriam ter uma recorrência menor, já que atualmente a maioria dos Fiagros paga proventos mensalmente.

O EGAF11, por sua vez, distribui dividendos uma vez a cada três meses.

“Nosso ‘call’ é trazer o investidor para perto e fazê-lo entender como funciona o agronegócio, que gira com ‘safra e safrinha’, que abrangem, a grosso modo, períodos semestrais distintos, do plantio à colheita. O ideal, para se ter maior eficiência, seria termos um pagamento de dividendos semestrais“, defende.

Para o gestor, atualmente a indústria dos Fiagros tenta ‘equalizar o desejo do investidor’ ao imitar a recorrência de dividendos dos Fundos Imobiliários (FIIs), que são considerados ativos similares.

Contudo, enquanto os imóveis giram um aluguel mensalmente, o agronegócio lida com remunerações mais espaçadas, justamente por conta dos períodos de safras.

“Isso não é a realidade do agro; já temos o fundo trimestral para habituar o investidor, porque, se você compra o imóvel, tem o aluguel. Com financiamento, você tem um fluxo que faz sentido. No agro não tem isso, faz muito mais sentido ser atrelado ao ciclo do agro, já que atualmente há um plantio no quarto trimestre e uma colheita no fim do primeiro trimestre (safra) e outro plantio e colheita que ocorrem entre o fim do primeiro e o terceiro trimestre (safrinha)”.

Segundo dados do site Fiagro.com.br, o fundo pagou seus últimos dividendos em abril deste ano, com R$ 3,98 por cota, representando um yield de 3,92% ante o preço das cotas atualmente – de R$ 99.

EGAF11 aposta em carteira de CRAs

Atualmente o fundo da Ecoagro possui uma exposição aos CRAs, considerando que a gestora é líder na emissão dos ativos e possui profissionais que conhecem o ciclo econômico que financia os agronegócio.

A gestora fechou o mês de maio com 11 ativos na carteira com contração de até 10% do patrimônio do fundo papéis

“Estamos diversificando o fundo, mas temos alguma cautela porque lidamos com um período de carência de 90 dias para vender os CRAS, e após esse período temos margem e possibilidade para vender os papéis no mercado secundário. Vendemos uma leva no início de maio, por exemplo, apenas reduzindo a alocação do fundo para algo próximo de 10% e usando o caixa para comprar outros papéis da Ecoagro”, explica.

Sobre as expectativas do fundo, há a ‘meta’ de ter CRAs sêniores – de tomadores de crédito com baixíssimo risco de inadimplência – e com garantias líquidas, a saber, cessão fiduciária de recebíveis, com papéis que paguem ao menos CDI+ 5% ao ano. “Por enquanto é possível comprar esse tipo de ativo a esses preços, e essa é a nossa estratégia”, afirma.

Atualmente o fundo ‘roda’ a CDI+4,5%, pagando os dividendos trimestralmente e focando em dar rentabilidade ao investidor que entrou no IPO do EGAF11. Apesar disso, há planejamento para um crescimento do fundo e novas captações muito em breve.

“Vamos captar e crescer o fundo. Já temos um pipeline para 8 CRAs, de nos próximos dois meses, que nos colocariam em um patamar de diversificação de 19 ativos”, afirma.

Contudo, a oferta deve ocorrer por meio da Instrução 476 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “No mercado está mais fácil ‘conquistar’ o investidor institucional do que o de varejo. Queremos captar R$ 70 milhões, e R$ 50 milhões são o mínimo previsto”, afirma o gestor.

Além disso, Lund diz que mesmo sendo uma oferta voltada para o investidor profissional, o investidor geral que tiver ou comprar uma cota do Fiagro EGAF11 terá direito de preferência para participar da oferta e solicitar o montante que deseja alocar.

Eduardo Vargas

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