Semana do ESG

Fiagro: “É hora de investir nesse tipo de ativo, por vários motivos”, diz Amanda Coura, head da Suno Asset

Fiagro: Como funciona este fundo e qual é seu impacto no mercado brasileiro?

Nos últimos anos, o investimento privado no setor do agronegócio operou de forma restrita. A maioria dos investimentos, especialmente aqueles com capital estrangeiro, costumava ser realizados por meio da compra de algumas ações disponíveis na bolsa, da aquisição de produtos bancários como os LCAs, aplicações de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), ou até na aquisição de FIIs.

Entretanto, estas opções sempre estiveram sujeitas a algumas limitações regulatórias que eventualmente as tornaram insuficientes para explorar o potencial que o setor do agronegócio tem a oferecer.

Um exemplo disso eram os FIIs (ou Fundos Imobiliários), obrigados a ter sua rentabilidade vinculada exclusivamente à receita imobiliária, o que reduz as alternativas de investimento em um setor tão diverso quanto o agronegócio. O CRA, por sua vez, funciona como um instrumento de renda fixa que, apesar de ter expandido sua aplicabilidade no setor — atingindo toda a cadeia do agronegócio — não proporciona a vantagem de um retorno variável sobre a renda e normalmente encontra-se concentrado nos grandes produtores da agroindústria.

Nesse cenário, em março de 2021 foram reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) as diretrizes que dariam lugar a um novo formato de aplicação no setor: o Fundo de Investimento do Agronegócio (Fiagro).

E é justamente sobre isso que nós conversamos com Amanda Coura, Head de Produtos Estruturados da Suno Asset, na nossa live especial de hoje para a Semana do Fiagro do Suno Notícias, realizada com o apoio da XP Asset e da Ecoagro. Você pode conferir tudo neste link.

Para Coura, o Fiagro veio para ampliar o acesso do agronegócio brasileiro à captação de recursos, principalmente de investidores pessoa física, com a criação de um novo tipo de fundo, que busca oferecer alternativas mais direcionadas para a realização de investimentos no setor.

“No meio do ano passado, a CVM fez com que, igual ao Fundo Imobiliário, o Fiagro tivesse isenção de imposto de renda. Então, com essa nova decisão da CVM, se abriu um mar de oportunidades para as gestoras lançarem fundos que apostam no segmento agro e que tenham todo esse benefício, esse apelo para o investidor pessoa física”, afirmou Coura.

Tamanho do mercado

“Hoje, os fundos agro somam um patrimônio de quase R$ 3 bilhões”, disse a Head de Produtos Estruturados. “Se a gente pensar que faz um ano desde que os Fiagros passaram a ser negociados, é um patrimônio que está crescendo a uma boa velocidade”, ponderou.

De acordo com ela, atualmente há mais de 50 mil investidores apostando nessa classe de ativos, que aumentaram muito em uma janela de um ano. E, segundo dados oficiais da B3 (B3SA3), 98% dos investidores são pessoas físicas.

A média do valor investido é de R$ 20 mil. Além disso, desde que o Fiagro foi lançado oficialmente, o número de investidores cresceu 419%.

Por exemplo, os investimentos em um Exchange Traded Funds (ou ETFs) — que são outro tipo de investimentos relativamente populares para o público pessoa física e que encontram-se há mais tempo no mercado — foram de R$ 2 mil em média.

Tipos de Fiagro

“Tem três tipos de Fiagro”, disse Amanda Coura. “Existem os Fiagros FIDC, parecidos com os FIDC do mercado, que investem em títulos de dívidas do mercado agro — este tipo de fundos são só para o investidor qualificado. Há o Fiagro FIP, que investe em participações societárias. E há a opção dos Fiagros FIIs, que foram construídos embaixo da mesma lei dos fundos imobiliários — é o tipo de fundo que é disponível para todas as pessoas físicas”.

Principais diferenças entre os Fiagros e os outros produtos do setor

Para a especialista, o LCA e o CRA (como exemplos) são títulos de dívida  emitidos contra um devedor, pelo que, de forma geral, eles possuem um risco mais concentrado.

Por outro lado, o Fiagro, de forma semelhante ao Fundo Imobiliário, tem a capacidade de investir em vários ativos, dívidas, terras, participações em outros fundos, entre outros tipos de aplicações.

“Isso permite ao investidor uma gama de diversificação muito maior do que simplesmente comprar um LCA ou um CRA. Eles são muito acessíveis: com pouco dinheiro você consegue comprar uma cota, e essa cota reflete uma carteira super diversificada de um fundo agro”, comentou Coura na live.

Commodities em alta

A profissional da Suno Asset comentou ainda na live o cenário macroeconômico atual e o momento oportuno para investir no agronegócio. Para ela, o lançamento dos Fiagros teve um timing excelente.

“Os Fiagros são muito descorrelacionados de fundos imobiliários e até de outros ativos disponíveis para investimentos”, explicou ela. “A gente está passando por um momento de muita turbulência, pela Covid, guerra na Ucrânia, eleições no Brasil… E como que está o segmento agro? Está bombando”, completou.

Para ela, o setor está em alta com as commodities muito valorizadas, porque esse mercado se fortalece em momentos em que outros setores estão encontrando mais dificuldades para superar as crises.

Fatores como a guerra, que faz com que a Ucrânia e a Rússia parem de negociar matérias primas e fertilizantes muito importantes para o mundo, colocam o Brasil em uma posição muito forte no mundo para exportar seus commodities de valor.

Novo fundo da Suno Asset

Por fim, Amanda Coura comentou também sobre o novo Fiagro que a Suno Asset está preparando para lançar para suprir a alta demanda dos investidores.

“O mercado está ansioso para o lançamento do fundo e nós também. O IPO, quando ele vai ficar disponível para o mercado, vai ser em agosto”, revelou ela.

Para Coura, uma das maiores vantagens que o novo fundo vai trazer para o público será uma diversificação mais rica e eficiente.

Segundo ela, em outros fundos, mesmo nos mais novos, as dívidas são muito concentradas, e os devedores são empresas, com dívidas institucionais. Como os pequenos produtores não possuem acesso a elas, você na verdade não diversifica essas dívidas, mas está direcionando elas geralmente para uma empresa.

Aproximadamente 90% dos CRAs são dívidas concentradas.

O novo Fiagro da Asset, contudo, vai ter a maior parte dele (ao redor de R$ 100 milhões) alocado em CRAs, mas totalmente pulverizados, com pequenos produtores, revendedores, e outros, diversificando a carteira e fomentando a agricultura familiar.

Além disso, o Fiagro surfa em um segmento bastante sólido, o da soja — no qual o Brasil ocupa o primeiro lugar no mundo.

E outro benefício bastante relevante é que o Fiagro da Asset será híbrido, com uma composição de mais de R$ 100 milhões em dívidas e cerca de R$ 25 milhões em terras, que gerarão renda para o fundo com o aluguel mensal — que pode ser distribuído via rendimentos — e com a valorização da terra em si.

Jorge C. Carrasco

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