Fee based ou comissionamento? Entenda as diferenças entre os dois modelos

Se você é investidor, provavelmente já ouviu falar sobre fee based. O termo, cada vez mais presente no mercado financeiro, representa um modelo de cobrança que vem ganhando espaço no Brasil e mudando a forma como profissionais recomendam investimentos e constroem carteiras para clientes.

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Este termo está relacionado justamente a uma busca por transparência na relação com assessores de investimentos, consultores e gestores. Hoje, o setor convive com dois formatos principais de remuneração: o modelo comissionado, tradicional no país, e o modelo de fee fixo (ou fee based), já consolidado em mercados mais desenvolvidos, como o dos Estados Unidos.

A diferença entre eles vai além da forma de pagamento e influencia diretamente os incentivos do profissional, a escolha dos produtos financeiros e, no longo prazo, os resultados do investidor.

“O serviço de aconselhamento de ajudar pessoas a investir está passando pela maior revolução que eu já vi na minha carreira. Isso tem impactos muito grandes sobre o seu patrimônio”, diz João Arthur, diretor de investimentos da Suno Consultoria.

Como funciona o modelo comissionado

No modelo comissionado, predominante no Brasil, o profissional que orienta o investidor, seja gerente de banco, assessor de investimentos ou consultor, é remunerado pelos produtos que distribui. Fundos, seguros e outros instrumentos financeiros costumam embutir taxas que pagam o canal de venda, muitas vezes sem que o investidor tenha clareza sobre esse custo.

“O mercado financeiro tradicional sempre funcionou com base em um modelo em que os produtos vendidos remuneravam o profissional que aconselhava o cliente. Ou seja, o gerente ou assessor era remunerado pelo produto vendido e não pelo cliente final”, explicou Victor Montezuma, diretor geral da Suno Consultoria.

Segundo os especialistas, esse formato pode gerar conflitos de interesse, já que a recomendação tende a privilegiar produtos que oferecem maior remuneração para quem vende, e não necessariamente aqueles mais adequados aos objetivos do cliente.

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O que muda no modelo de fee fixo

Já no modelo fee based, o investidor paga diretamente pelo serviço de aconselhamento, normalmente por meio de um percentual do patrimônio investido. Nesse formato, o profissional não recebe comissões de produtos financeiros, o que altera de forma estrutural seus incentivos.

“No modelo fee-based, quem perde é quem origina produtos ruins, pois eles não terão mais motivo para serem distribuídos. Do ponto de vista do cliente, ele é quem mais ganha”, afirmou Montezuma.

Esse modelo é dominante nos Estados Unidos, onde mais de 50% da poupança já é alocada nesse formato. A mudança ganhou força após a crise financeira de 2008, quando conflitos de interesse relacionados à venda de produtos financeiros ficaram evidentes e impulsionaram a busca por maior transparência.

“A partir daí houve uma revolução por mais transparência no mercado de investimentos e acelerou essa transição [para o modelo fee based]. O impacto disso, na minha opinião, é uma melhor alocação de capital no país”, disse João Arthur.

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Impactos para o investidor

Embora no modelo de fee fixo o custo fique mais evidente, os especialistas avaliam que, no longo prazo, o investidor tende a ganhar em eficiência e alinhamento estratégico.

“Por mais que ele passe a ‘assinar um cheque’ que antes não sabia que assinava, esse cheque sai muito mais barato porque ele compra uma carteira alinhada com seus objetivos, como aposentadoria ou educação dos filhos”, disse Victor Montezuma.

Para João Arthur, os dois modelos devem coexistir, mas a tendência é de avanço do fee based, especialmente entre investidores que buscam acompanhamento profissional contínuo. “Para a grande maioria das pessoas faz sentido terceirizar isso, porque não é sua especialização”, diz ele.

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Giovanna Oliveira

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