Por que a Ethereum chegou a valer US$ 500 bi ultrapassando Visa, Mastercard e Paypal

Por que a Ethereum chegou a valer US$ 500 bi ultrapassando Visa, Mastercard e Paypal
Ethereum. Foto: Pixabay

A Ethereum, a segunda maior criptomoeda do mundo aumentou seu valor seis vezes desde o início do ano e ultrapassou o valor de mercado de gigantes dos pagamentos, como Visa, Mastercard e Paypal.

Quando um Ether – o token nativo da Ethereum – atingiu o preço de US$ 4.350 (cerca de R$ 25 mil), o valor de mercado da criptomoeda passou de US$ 500 bilhões. A Visa está valendo por volta de US$ 487 bilhões, enquanto a Mastercard US$ 335 bilhões e o Paypal US$ 282 bilhões.

Segundo alguns analistas, a criptomoeda poderia alcançar um valor total de US$ um trilhão. Mesma capitalização do Bitcoin, a mãe de todas as criptomoedas.

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Além disso, algumas empresas, como a canadense Mogo, listada na Nasdaq, estão investindo na Ethereum na esteira do que a Tesla (TSLA34) fez em fevereiro com o Bitcoin.

Mas antes de analisar o que está ocorrendo com a blockchain, vamos entender melhor o que é a Ethereum.

O que é a Ethereum

A blockchain poderia ser considerada como um grande computador global, utilizado por milhares de pessoas e empresas, para assinar contratos inteligentes, softwares que permitem rodar centenas de aplicativos de forma descentralizada, sem intermediários.

Os contratos inteligentes permitem solicitar e obter empréstimos em poucos minutos, oferecendo uma criptomoeda como garantia. Além disso, permitem pagar e receber juros, trocar os chamados NFT (token não fungíveis), verdadeiros objetos de coleção ​​digitais.

As aplicações da Ethereum são potencialmente infinitas e podem, teoricamente, abranger qualquer campo, do imobiliário à administração pública.

Existem, claro, concorrentes da Ethereum, como a Cardano, Polkadot, Solana ou Binance. Entretanto, atualmente a blockchain tem uma participação de mercado tão alta que poucos apostam que pode ser contornada.

Muito dependerá das atualizações que os desenvolvedores – liderados pelo russo Vitalik Buterin, 27 anos – lançarão.

A primeira atualização (Eip-1559) está prevista para estrear em julho e prevê uma mudança na política de criação da cripto.

Enquanto até hoje os mineradores de Ether (aqueles que disponibilizam seu poder de computação validando transações na rede ERC-20) recebem tanto uma recompensa quanto comissões, a partir dessa atualização não embolsarão mais comissões.

Eles serão “queimados” e isso significa que se as transações no circuito forem altas o suficiente para gerar comissões maiores do que as recompensas, a rede se tornará deflacionária: o número de Ether diminuirá em vez de aumentar.

Por esta razão, há quem pense que a Ethereum possa colocar em dúvida o papel de reserva de valor que o Bitcoin está adquirindo entre os investidores. Hoje existem 19 milhões de Bitcoins no mundo – em um total de 21 milhões – decentralizados em 10 mil centros independentes e não coordenados deslocados em todo o mundo.

Esse boom faz sentido?

Entretanto, muita gente no mercado se pergunta se esse boom da Ethereum faz sentido.

     

Isso pois, atualmente, cerca de 1,5 milhão de transações são realizadas a cada dia utilizando o blockchain Ethereum. Números muito baixos se comparados às transações do circuito Visa, que diariamente processa centenas de milhões de transações.

O mercado estaria de olho no projeto Ethereum 2.0, que aumentaria a velocidade das transações através da blockchain mais de cem vezes.

No momento, esta versão não tem data para estrear. Mas já há uma versão de teste ativa. Isso marcará uma mudança profunda no sistema de validação de transações com a transição da “prova de trabalho” (o mesmo sistema usado pelo Bitcoin, baseado na resolução de cálculos complexos e, portanto, também no alto consumo de energia) para a “prova de aposta “(sem cálculos, mas qualquer possuidor de Ether pode “apostar” suas criptomoedas em troca de uma renda, participando aleatoriamente no processo de validação da transação).

Uma mudança importante que permitirá que a Ethereum reduza drasticamente as comissões e multiplique as transações. E, naquele momento, uma comparação com gigantes como a Visa, que para alguns hoje é exagerada, poderia fazer muito mais sentido.

Carlo Cauti

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