A ascensão dos ETFs de renda fixa: o novo “substituto” dos fundos tradicionais? 

Diante de um ciclo de juros altos no Brasil, os ETFs de renda fixa, antes vistos como nicho, ganharam escala e começaram a ocupar espaço de protagonismo dentro das carteiras, até mesmo substituindo os fundos tradicionais. A seguir, saiba mais sobre esse produto e confira algumas opções disponíveis no mercado.

Para Renato Eid, superintendente de estratégias indexadas da Itaú Asset, a migração dos fundos tradicionais de renda fixa para ETFs tem três pilares claros: custo, transparência e acesso.

“O investidor percebeu que pode comprar renda fixa com a mesma agilidade da Bolsa”, afirma.

Segundo ele, o Brasil está apenas seguindo um movimento global. Isso porque, no exterior, ETFs já são padrão em renda fixa.

A percepção de Eid é reforçada por Pedro Mota, gestor da Nu Asset, que diz que os ETFs entregam “em um único produto, atributos que o investidor sempre buscou: praticidade, maior transparência e estrutura de custos mais enxuta”.

Para ele, o fato de o investidor poder negociar renda fixa no mesmo ambiente onde compra ações, somado à visibilidade total da carteira, aumentou a sensação de controle e entendimento sobre o produto.

Vantagens fiscais favorecem os ETFs

Danilo Moreno, analista da Investo, coloca na mesa um componente decisivo: a vantagem fiscal. “A isenção de IOF e do come-cotas surge como o fator de maior peso”, explica.

Além disso, a alíquota fixa de 15% no resgate e a liquidez D+1 tornam os ETFs mais eficientes que fundos tradicionais, especialmente em horizontes de curto ou médio prazo. O resultado aparece nos números:

“Os ETFs de renda fixa já representam quase 25% do patrimônio da classe, e os dois maiores ETFs da Investo são justamente de renda fixa”, lembra.

Eid complementa dizendo que as taxas menores continuam sendo o principal motor da migração, mas reforça: “A transparência talvez seja o fator mais transformacional”.

Mota, por sua vez, acredita que custo, simplicidade e transparência têm pesos equivalentes. E Moreno é categórico: a vantagem fiscal ainda é o diferencial mais decisivo, especialmente para quem mantém os recursos por longos períodos.

Como os ETFs de renda fixa entram na carteira?

Eid explica que, dentro de uma carteira, os ETFs de renda fixa podem ser o núcleo de estabilidade (como o B5P211), proteção contra inflação (caso de IMAB11 ou IB5M11) ou um instrumento de tomada de risco tática, com ETFs prefixados como IDKA11 e IRFM11.

Mota reforça o aspecto operacional: o ETF facilita a vida de quem quer estabilidade e liquidez, sem precisar escolher título por título. “É uma forma prática de manter uma base mais segura dentro da carteira”, diz.

Moreno complementa com uma visão de alocação por duration: pós-fixados e inflação de curto prazo formam o núcleo, enquanto crédito privado ou duration longa podem ser satélites táticos. Ele cita LFTB11 e NTNS11 como exemplos que atendem desde perfis conservadores até investidores mais arrojados.

Quais são as tendências para 2026?

Segundo os especialistas, 2026 será um ano em que a renda fixa ganhará peso estratégico, e não apenas defensivo nas carteiras.

Eid prevê dois blocos dominando a atenção: ETFs de inflação, como proteção e parte central dos portfólios, e prefixados, por capturarem o ciclo de queda de juros.

“A renda fixa deixa de ser apenas o ‘porto seguro’ e passa a ser uma peça ativa de construção de retorno”, diz.

Mota destaca que os ETFs permitem “modular facilmente” a exposição a pós-fixados, inflação, prefixados e crédito, organizando a carteira em blocos defensivos e satélites táticos. Em um ambiente de maior volatilidade, essa flexibilidade é ouro.

Moreno enfatiza que 2026 será marcado por juros caindo, inflação moderando e volatilidade persistente. Para ele, o destaque ficará nos ETFs atrelados à inflação, que ainda oferecem juros reais acima da média histórica, e em produtos com maior sensibilidade à marcação a mercado, como o LFTB11.

“Eles oferecem flexibilidade para navegar transições econômicas e capturar oportunidades de yield”, afirma.

Em suma, custo menor, transparência, eficiência fiscal e a agilidade de Bolsa estão redefinindo a forma como o brasileiro investe em renda fixa. E, com 2026 se desenhando como um ano de transição econômica, os ETFs tendem a consolidar definitivamente seu lugar como um dos pilares das carteiras, não só para proteger, mas para gerar retorno de maneira inteligente e estratégica.

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Guilherme Serrano Silva

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