EDP Brasil (ENBR3) dá a volta por cima com dividendos generosos, diz Genial

EDP Brasil (ENBR3) dá a volta por cima com dividendos generosos, diz Genial
EDP Brasil (ENBR3) - Funcionário em poste de iluminação pública. Foto: Divulgação

A Genial Investimentos iniciou nesta semana sua cobertura da EDP Brasil (ENBR3). Em relatório assinado por Vitor Souza, analista do setor elétrico e saneamento, a Genial diz que a companhia está dando a volta por cima e a recomendação é manter as ações, visando valorização de 16,11%, ao preço-alvo de R$ 24.

Segundo a Genial, a EDP está deixando de lado seu passado pouco eficiente que a tornava sub-precificada. “Essencialmente, gostamos da história da empresa nos últimos anos: muito participativa em leilões de novos projetos, ativa na aquisição e venda de ativos operacionais e eficiente na gestão dos seus atuais ativos. Como podemos observar em seus últimos resultados trimestrais, os frutos de todas as medidas recentes começam a aparecer na lucratividade da empresa e na própria performance das ações nos últimos meses – o próprio grupo controlador concluiu recompras de ações ao longo do último ano na casa dos R$17-18 por ação”, diz a Genial.

Mesmo com a impressão positiva, a análise recomenda manter as ações, em vez de comprar, justificando que a boa performance fez com que os papéis ficassem com o preço próximo às máximas dos últimos anos, “reduzindo assim a nossa margem de segurança na recomendação”.

Mas talvez o principal destaque para os investidores interessados na companhia seja sua política de dividendos, que o analista considera estar generosa: a empresa se compromete a pagar pelo menos R$ 1 por ação, podendo incluir também 25% de seu lucro líquido ou 50% de seu lucro líquido ajustado com base em realizações em caixa de longo prazo — comprometendo-se a usar o maior valor dentre os citados.

“É importante apontar que esses níveis de dividendos são altos em relação ao histórico da EDP , que pagou em média R$0,6/ação nos últimos 4 anos”, afirma o relatório.  “Consideramos o guidance em termos de pagamento de dividendos razoavelmente conservador e somos otimistas quanto à possibilidade de uma maior generosidade no que diz respeito ao pagamento de dividendos nos anos seguintes.”

EDP Brasil foi “da água para o vinho”

A análise destaca como motores da mudança a priorização de investimentos mais adequados, o  aumento na eficiência das operações, compromisso com o pagamento de dividendos e a manutenção da alavancagem da empresa entre 2,5x e 3,0x Dívida Líquida/Ebitda, número considerado razoável para o setor.

O analista aponta que as recompras de ações realizadas pela empresa são outros indicativos que o ganho de valor da EDP não está refletido em seu preço. A companhia recomprou em 2019 0,51% de seu free float, a R$ 18,56 por ação, tendo ficado mais agressiva nos anos seguintes, com 8,1% em 2020, por R$ 18,91. Este ano abriu um novo processo de recompra visando 10% do free float.

“Entre os preços praticados em 2019 e 2020 e o do dia de publicação dessa análise, é possível perceber uma variação quase irrelevante, o que mostra que as recompras estão tendo pouco efeito no preço da ação e que a insistência do controlador em sua realização indica que ele considera que a empresa está, potencialmente, negociando a níveis que podem ser considerados atraentes”, observa a análise da Genial.

Já para os destaques setoriais, A Genial considera que a EDP está atuando de forma competente no setor de distribuição, uma vez que tem buscado tirar vantagem do framework regulatório brasileiro que recompensa investimentos nas distribuidoras com maiores reajustes tarifários, investindo algo em torno de 2,5x e 3,0x Capex/QRR (Quota de Reintegração Regulatória – a depreciação da base de ativos da empresa).

A empresa está investindo em outros dois setores. No de transmissão de energia, foram investidos R$ 4,1 bilhões, tendo a empresa comprado recentemente parte da estatal goianaCELG-T. Já no segmento de geração solar, a EDP Brasil adquiriu a Blue Sol AES Inova. A empresa pretende investir R$ 3 bilhões nos próximos 5 anos (30% do total) e tem como meta atingir 38 GW de capacidade de geração para 2030.

Bruno Galvão

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